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Tarifa de 25% dos EUA exige revisão de custos e mercados pelas empresas brasileiras

Publicado 10/07/2026 • 23:45 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • CEO da Navecon afirma que possível tarifa americana afetará toda a cadeia produtiva, e não apenas exportadores.
  • Empresas devem revisar margens, custos e contratos para enfrentar cenário de maior incerteza.
  • Especialista defende diversificação de mercados para reduzir dependência das exportações aos Estados Unidos.

A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros exigirá que as empresas revisem custos, margens e estratégias comerciais para enfrentar um ambiente de maior incerteza, afirmou o CEO da Navecon, Fábio Edelberg, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (10). Segundo ele, os impactos vão muito além das exportadoras e atingem toda a cadeia produtiva.

“Na prática, um produto que custava US$ 1 (R$ 5,12) passa a chegar ao mercado americano por US$ 1,25 (R$ 6,40). Isso pode reduzir margens, abrir espaço para concorrentes e afetar diversos setores da economia brasileira”, afirmou.

O executivo explicou que o aumento do custo dos produtos brasileiros pode favorecer concorrentes internacionais, como México, Índia e Vietnã, além de provocar reflexos sobre emprego, logística, fornecedores e investimentos.

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“Não faz sentido imaginar que apenas as grandes exportadoras serão afetadas. A indústria movimenta uma cadeia inteira, envolvendo matéria-prima, embalagens, transporte, empregos e fornecedores”, destacou.

Setores mais vulneráveis

Segundo Edelberg, os segmentos com maior valor agregado tendem a sofrer os maiores impactos caso a tarifa seja implementada.

“Produtos como têxteis, maquinários, industrializados, móveis e autopeças estão entre os mais expostos. Além da redução das margens, existe um fator ainda mais preocupante: a incerteza”, disse.

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Para ele, a dificuldade de prever custos e condições comerciais dificulta o planejamento das empresas e pode comprometer decisões de investimento.

“O empresário consegue lidar com desafios, mas não com a incerteza. Sem saber quanto tempo essa tarifa vai durar ou qual será seu impacto, fica muito mais difícil planejar os próximos passos”, ressaltou.

Revisão de estratégias

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O CEO da Navecon afirmou que momentos como esse exigem uma análise detalhada dos indicadores financeiros das empresas. “Este é o momento de revisar precificação, margem de contribuição, custos e impostos. Quem conhece seus números terá muito mais condições de enfrentar esse cenário”, afirmou.

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Ele também defendeu a busca por novos mercados para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos. “As empresas precisam procurar novas oportunidades comerciais, seja em outros países ou até mesmo no mercado interno. Diversificar nunca foi tão importante”, acrescentou.

Contratos e negociações

Segundo Edelberg, contratos de longo prazo podem amenizar parte dos impactos quando já preveem mecanismos de proteção contra mudanças tarifárias. “Algumas empresas já possuem cláusulas de proteção, assim como fazem com operações de câmbio. O problema está nos contratos que não previram esse tipo de situação e nas novas negociações, que certamente ficarão mais difíceis”, explicou.

Ele destacou que, embora a tarifa seja paga pelo importador ao entrar nos Estados Unidos, é comum que exportadores e compradores renegociem preços para dividir esse impacto.

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“Na prática, quando uma medida como essa surge de forma inesperada, exportador e importador acabam compartilhando parte desse custo. E quem também sente esse efeito é o consumidor americano, que passa a pagar mais caro pelos produtos”, afirmou.

Pressão do setor privado

O executivo acredita que as manifestações de empresas americanas contrárias às tarifas podem influenciar o debate nos Estados Unidos, embora os efeitos não sejam iguais para todos os segmentos.

“Há empresas americanas que dependem dos produtos brasileiros e querem a retirada das tarifas. Por outro lado, existem concorrentes que podem se beneficiar dessa alta de preços. O mercado americano tem interesses distintos e os dois lados vão pressionar por seus objetivos”, concluiu.

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