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Selic perto do fim do ciclo de cortes? Pressões aumentam no cenário econômico, diz ex-diretor do BC

Publicado 03/06/2026 • 22:03 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • O economista José Júlio Sena afirma que as expectativas de inflação já estavam deterioradas antes da escalada geopolítica, impulsionadas por medidas de estímulo à economia e ao crédito.
  • Segundo ele, o ciclo de cortes da Selic deve ser interrompido nas próximas reuniões do Copom.
  • Sena defende negociação com os Estados Unidos para reduzir os impactos das tarifas e alerta para os efeitos da expansão do crédito público sobre a inflação e a atividade econômica.

A piora do humor nos mercados globais reflete uma reavaliação dos investidores sobre os riscos geopolíticos e pode continuar pressionando os ativos financeiros nos próximos meses. A avaliação é de José Júlio Sena, economista e ex-diretor de Dívida Pública e Mercado Aberto do Banco Central.

Segundo ele, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, parte do mercado tem subestimado a disposição do Irã de prolongar o conflito com os Estados Unidos. Para Sena, a estratégia iraniana é elevar ao máximo o custo da guerra para os americanos como forma de desestimular futuras ações militares contra o país. Na avaliação do economista, a expectativa de uma resolução rápida do confronto é excessivamente otimista. “O mercado muitas vezes se ilude. A ficha vai caindo aos pouquinhos”, afirmou.

No cenário doméstico, Sena avalia que as preocupações com a inflação não podem ser atribuídas apenas às tensões no Oriente Médio. Segundo ele, as expectativas inflacionárias de médio prazo já apresentavam sinais de deterioração antes do agravamento do conflito internacional. O economista citou medidas voltadas à expansão da atividade econômica, ao estímulo do consumo e à ampliação do crédito como fatores que vêm pressionando a demanda e dificultando o controle dos preços.

Nesse contexto, ele considera provável uma interrupção do ciclo de cortes da taxa Selic. “Tenho muito pouca dúvida de que o ciclo de queda será interrompido agora neste mês ou, se não for neste mês, será no próximo”, disse. Para Sena, o Banco Central já poderia ter sinalizado essa mudança de direção na reunião do Comitê de Política Monetária realizada no fim de abril.

Sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o economista reconhece que as medidas representam um risco para a atividade econômica e para as exportações do país. Ainda assim, avalia que há espaço para negociações. Sena criticou alguns dos argumentos apresentados pelos americanos, especialmente em relação ao Pix e às alegações envolvendo trabalho escravo. “O Pix é uma inovação tecnológica fantástica, que trouxe benefícios maravilhosos para a sociedade brasileira”, afirmou.

O ex-diretor do BC também demonstrou preocupação com a expansão de programas de crédito financiados por recursos públicos. Segundo ele, os aportes do Tesouro em fundos administrados por bancos públicos têm impulsionado linhas de financiamento para diferentes setores da economia, criando estímulos adicionais à demanda.

Para Sena, esse movimento tem impacto relevante sobre a atividade econômica e a inflação, mas nem sempre recebe a mesma atenção dada aos gastos primários. “Estou mais preocupado com a trajetória até as eleições do que propriamente com o resultado das eleições”, concluiu.

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