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Tarifaço dos EUA e juros elevados podem ampliar volatilidade da economia brasileira

Publicado 08/06/2026 • 12:20 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • As sobretaxas propostas pelos Estados Unidos e a manutenção de juros elevados no mercado americano podem pressionar o câmbio, a inflação e o crescimento do Brasil.
  • Fluxo de capital estrangeiro já dá sinais de enfraquecimento diante do aumento das incertezas globais, segundo avaliação do economista.
  • Além da guerra comercial, cenário eleitoral e tensões geopolíticas devem aumentar a volatilidade dos mercados no segundo semestre.

A combinação entre o aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, a perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos e as incertezas geopolíticas pode ampliar a volatilidade da economia brasileira nos próximos meses, avalia Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital. Em entrevista nesta segunda-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o cenário tende a afetar câmbio, inflação, fluxo de investimentos e expectativas de crescimento.

Segundo Bassani, os efeitos das tensões comerciais e dos conflitos internacionais já começam a influenciar as decisões dos bancos centrais e o comportamento dos investidores. “É necessário tirar a emoção da análise e olhar para os dados. O cenário hoje exige cautela”, afirmou.

Pressão inflacionária

O economista destacou que a continuidade das restrições nas rotas globais de energia mantém pressão sobre os preços internacionais e aumenta o risco de inflação mais persistente.

“Se esse cenário permanecer por mais tempo, ele impacta diretamente os preços de praticamente tudo. Isso gera pressão inflacionária e pode exigir juros mais altos nos Estados Unidos”, explicou.

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Na avaliação de Bassani, o mercado passou a considerar a possibilidade de uma postura mais rígida do Federal Reserve diante da resiliência da economia americana e da persistência das pressões sobre os preços.

Fed e Banco Central

Ao comentar a próxima decisão de política monetária nos Estados Unidos, o economista ressaltou que o mercado de trabalho segue aquecido e dificulta uma flexibilização mais rápida dos juros.

“Emprego forte significa economia aquecida. Economia aquecida significa mais dinheiro circulando e, consequentemente, mais pressão sobre os preços”, afirmou.

Para ele, a tendência é de manutenção dos juros americanos no curto prazo, embora aumentem as chances de ajustes futuros caso a atividade econômica continue forte.

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No Brasil, Bassani também vê espaço limitado para cortes da taxa básica de juros. “A inflação segue acima do teto da meta e os riscos aumentam caso as tensões internacionais continuem pressionando preços e câmbio”, observou.

Impacto no varejo

O economista afirmou que o varejo brasileiro está entre os setores mais sensíveis ao atual ambiente econômico, especialmente por operar com vendas parceladas e depender de produtos importados. “O varejo compra à vista e vende a prazo. Se o dólar sobe e os custos aumentam, as margens ficam mais apertadas”, explicou.

Segundo ele, a valorização da moeda americana e o aumento dos custos logísticos elevam os preços de mercadorias importadas e dificultam a operação das empresas do setor. “Boa parte dos produtos de tecnologia consumidos no Brasil é importada. Quando o dólar sobe e o frete fica mais caro, o impacto é direto”, destacou.

Fluxo estrangeiro

Bassani também chamou atenção para o comportamento dos investidores internacionais diante do aumento das incertezas.

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Segundo ele, o capital estrangeiro que entra no Brasil atualmente tem caráter mais tático, com maior facilidade para deixar o país diante de mudanças no cenário econômico. “O investidor estrangeiro monta posições que podem ser desmontadas rapidamente se o ambiente piorar”, afirmou.

O economista observou que o agravamento das tensões globais e o avanço do calendário eleitoral brasileiro tendem a aumentar a sensibilidade dos mercados. “O nome do jogo para o segundo semestre chama-se volatilidade”, concluiu.

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