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Varejo brasileiro tem pior desempenho em mais de um ano com consumo pressionado pela inflação
Publicado 12/05/2026 • 15:13 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 12/05/2026 • 15:13 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Compradores visitam o King of Prussia Mall, enquanto os mercados globais se preparam para um impacto no comércio e no crescimento causado pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de importação a dezenas de países, em King of Prussia, Pensilvânia, EUA, em 3 de abril de 2025.
O varejo brasileiro recuou 3% em termos reais em abril de 2026, descontada a inflação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). Segundo o levantamento, o resultado indica perda de ritmo do consumo em um ambiente marcado por inflação mais pressionada, maior comprometimento da renda das famílias e efeitos de calendário desfavoráveis.
O resultado de abril também foi impactado pela dinâmica da Páscoa. Neste ano, a data ocorreu logo no início do mês, o que antecipou parte relevante das compras sazonais para março. Em 2025, além de a Páscoa ter caído mais tarde, houve emenda com o feriado de Tiradentes, favorecendo segmentos ligados a lazer, alimentação fora do lar e turismo.
A combinação criou uma base de comparação mais exigente para abril deste ano, especialmente nos setores de consumo discricionário. Foi o pior resultado em mais de um ano. Em março de 2025, o setor caiu 3,8%.
“O resultado de abril mostra um consumidor mais seletivo e atento ao orçamento. Em um ambiente de inflação mais elevada em itens essenciais, o varejo tende a sentir primeiro a desaceleração nas categorias discricionárias. Ao mesmo tempo, segmentos ligados a conveniência, saúde e eficiência de compra continuam demonstrando maior capacidade de adaptação”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
Todas as regiões do País apresentaram retração real em abril. O Nordeste registrou o pior desempenho, com queda de 4,7%, seguido por Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%) e Sul (-2,7%). O Centro-Oeste apresentou o menor recuo do País, com queda de 1,4%, mostrando comportamento relativamente mais resiliente no período.
Entre os Estados, o Amapá liderou o ranking nacional, com crescimento real de 2,7%, seguido por Rondônia (+0,2%). Minas Gerais apresentou o terceiro melhor desempenho do País e praticamente estabilidade no consumo, com retração de apenas 0,6%. Na outra ponta, os piores resultados foram registrados por Piauí (-7,7%), Rio Grande do Norte (-6,6%) e Pernambuco (-5,5%).
O e-commerce seguiu como principal vetor de crescimento do varejo, avançando 6,5% em termos nominais na comparação anual. Já o comércio físico apresentou estabilidade, com alta nominal de apenas 0,2%, refletindo um consumidor mais cauteloso e seletivo diante do aumento do custo de vida.
“A pressão inflacionária de abril – puxada principalmente por alimentos e combustíveis – não apenas comprimiu o resultado real do varejo, mas também alterou o perfil de consumo das famílias. Setores essenciais demonstraram maior resiliência, enquanto categorias mais discricionárias sentiram de forma mais intensa os efeitos do aperto no orçamento do consumidor”, avalia Alves.
Segundo o executivo, o desempenho do E-commerce mostra que o consumidor segue buscando eficiência de preço e conveniência. “O ambiente econômico mais pressionado favorece decisões de compra mais racionais. O canal digital se beneficia justamente da facilidade de comparação de preços, da conveniência e da ampliação da oferta logística em diversas regiões do País”, diz.
Entre os macrossetores do ICVA, o maior recuo real foi registrado por Serviços, que caiu 5,5% na comparação anual. O segmento foi impactado principalmente pelo efeito calendário desfavorável em categorias ligadas a alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Alimentação – Bares e Restaurantes foi o principal detrator do macrossetor, enquanto Recreação e Lazer também apresentou retração expressiva. O setor de Turismo e Transporte, apesar de crescimento nominal, registrou queda real, pressionado pela alta de combustíveis e pelos custos relacionados à mobilidade.
O macrossetor de Bens Duráveis e Semiduráveis apresentou queda real de 4,9%. Vestuário e artigos esportivos foi o setor que mais contribuiu negativamente para o resultado, seguido por Móveis, Eletro e Departamentos. Óticas e joalherias também encerraram o mês em retração real.
Já Bens Não Duráveis teve o desempenho menos negativo entre os três grandes grupos, com retração real de 1,6%. Drogarias e farmácias foram o principal destaque positivo do macrossetor, demonstrando maior resiliência em um cenário de orçamento mais apertado. Em contrapartida, Varejo Alimentício Especializado sofreu impacto da antecipação das compras de Páscoa para março, enquanto Postos de Gasolina foram pressionados pela alta dos combustíveis.
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
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