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China busca reduzir dependência do dólar ao ampliar uso global do yuan, diz professor da FGV
Publicado 12/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 12/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
A estratégia da China para ampliar o uso internacional do yuan faz parte de um movimento mais amplo para reduzir a dependência global do dólar e diminuir a vulnerabilidade da economia chinesa a crises externas. Para Hsia Hua Sheng, professor de Finanças Internacionais da FGV-EAESP, o avanço da moeda chinesa não representa uma tentativa direta de substituir o dólar, mas sim de criar alternativas no sistema financeiro internacional.
“A internacionalização do Renminbi ou yuan não é uma disputa monetária contra o dólar. É simplesmente oferecer mais uma alternativa de moedas internacionais e locais para que sejam usadas nas transações internacionais”, afirmou o especialista, em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (12).
Segundo ele, o principal objetivo do Banco Central chinês é reduzir riscos externos capazes de afetar a economia do país em meio ao aumento das tensões geopolíticas e comerciais com os United States.
“Para o Banco Central da China, o objetivo é muito mais no sentido de reduzir a sua vulnerabilidade contra crises externas para garantir o funcionamento da própria economia chinesa”, destacou.
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O movimento ganhou força nesta semana após o Banco Central chinês reforçar o compromisso de manter condições financeiras frouxas para sustentar a recuperação econômica e acelerar a disseminação internacional do yuan.
Na avaliação de Hsia Hua Sheng, um dos fatores que favorecem o avanço internacional da moeda chinesa é justamente a estabilidade cambial mantida pelo governo de China nos últimos anos.
Segundo ele, o controle da inflação realizado pelo Banco Central chinês ajuda a fortalecer a credibilidade do yuan diante de outras moedas internacionais. “O Banco Central da China vem controlando muito bem a sua inflação, mantendo estabilidade de moeda”, ressaltou.
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O professor destacou ainda que o yuan acumulou valorização de cerca de 2,44% frente ao dólar desde o início do ano, desempenho que, segundo ele, reforça a percepção de estabilidade da moeda chinesa no mercado asiático. “Isso mostra a força e a estabilidade do Renminbi perante outras moedas asiáticas”, explicou.
Apesar das críticas frequentes à transparência da economia chinesa, o especialista afirmou que Pequim vem ampliando reformas financeiras e fortalecendo mecanismos voltados à internacionalização da moeda. “Muitas vezes as pessoas acabam confundindo, porque as informações existem, só que estão em chinês”, observou.
Segundo ele, a China tem investido no desenvolvimento do mercado financeiro local, incluindo expansão do mercado de derivativos, fortalecimento do câmbio e criação de estruturas de proteção para investidores estrangeiros.
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O professor destacou ainda a criação do CIPS (Cross-border Interbank Payment System), plataforma chinesa voltada para transações internacionais em yuan. “É como se fosse um SWIFT, só que também faz em moeda chinesa”, pontuou.
Para Hsia Hua Sheng, a volatilidade recente do dólar também abre espaço para o fortalecimento de moedas alternativas no comércio internacional.
Segundo ele, as oscilações da moeda americana diante das declarações do presidente Donald Trump acabam gerando questionamentos sobre a previsibilidade do dólar. “Isso acaba enfraquecendo a moeda americana”, afirmou.
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Seguir no GoogleO especialista ressaltou que o dólar ocupa posição central no comércio global, representando cerca de 90% das transações internacionais, o que exige elevado grau de transparência e independência da política monetária americana. “Já que o dólar não é só uma moeda dos Estados Unidos, é também uma moeda global”, frisou.
Na avaliação do professor da FGV-EAESP, o movimento de diversificação internacional das reservas cambiais também pode trazer benefícios para países emergentes como o Brazil.
Segundo ele, a tendência global aponta para um sistema financeiro mais multipolar, com maior espaço para moedas além do dólar. “Não só a moeda dólar, mas o euro, o iene e o próprio renminbi também são importantes”, disse.
Para o especialista, ampliar a participação de diferentes moedas nas reservas internacionais ajuda a preservar valor e reduzir riscos em momentos de instabilidade global. “Essa diversificação garante estabilidade e preserva muito mais valor para os bancos centrais”, concluiu.
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