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“Emenda Master”: Tratativas de Vorcaro com senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner miravam FGC, mercado de carbono e consignado

Publicado 24/06/2026 • 17:39 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • PF cita discussões envolvendo Fundo Garantidor de Créditos, crédito consignado, mercado de carbono e transição energética.
  • No caso de Ciro Nogueira, investigação menciona a chamada “Emenda Master” e minutas de projetos sobre carbono e energia.
  • Em relação a Jaques Wagner, apuração aponta temas como consignado, FGC e tentativa de venda do Master ao BRB.
Daniel Vorcaro

Foto: Master

Daniel Vorcaro

A Polícia Federal afirma que tratativas de Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, ex-sócios do Banco Master, com senadores passaram por projetos ligados a áreas de interesse do grupo, como Fundo Garantidor de Créditos (FGC), crédito consignado, mercado de carbono e transição energética.

As conversas e movimentações citadas pela PF envolvem os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A investigação apura suspeitas de pagamento de vantagens indevidas em troca de atuação política favorável a interesses privados no Congresso e em outros órgãos públicos.

A análise das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) confirma que a Polícia Federal relaciona as tratativas a temas como FGC, crédito consignado, mercado de carbono e transição energética. A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e organização criminosa envolvendo gestores e operadores ligados ao Banco Master.  

Leia também: Banco Master e eleições: veja os impactos que podem surgir com a investigação

FGC e “Emenda Master”

No caso de Ciro Nogueira, a PF cita a chamada “Emenda Master”, apresentada em 2024. A proposta buscava elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do FGC por depositante.

Segundo a investigação, o texto teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a Ciro. A PF afirma que a emenda apresentada pelo senador reproduziu integralmente a versão preparada pelo banco.  

A ampliação da cobertura do FGC era considerada estratégica para o Master. O banco usava a garantia do fundo como instrumento para captar recursos no mercado. A proposta, porém, não foi aprovada.

A PF também afirma que interlocutores do banco registraram que a medida poderia “sextuplicar” o negócio do Master e provocar uma “hecatombe” no mercado.

Carbono e transição energética

A investigação também menciona movimentações envolvendo projetos ligados ao Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) e ao mercado de crédito de carbono.

Segundo a PF, Vorcaro teria determinado a retirada de envelopes da residência de Ciro Nogueira. Os documentos teriam sido levados para revisão e, depois, encaminhados a um servidor vinculado ao parlamentar.

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A decisão do STF afirma que os projetos citados eram o que instituiu o Paten e o que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa.  

Para os investigadores, o cuidado de Vorcaro em evitar que os documentos fossem vinculados ao senador ou ao Banco Master indicaria que a movimentação ia além da relação usual entre agentes políticos e representantes da iniciativa privada.

Consignado e Jaques Wagner

Em relação a Jaques Wagner, a PF aponta três frentes de possível atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master: crédito consignado, limite de cobertura do FGC e acompanhamento da tentativa de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).  

No consignado, a investigação cita uma emenda apresentada por Wagner à Medida Provisória 1.106/2022, depois convertida na Lei 14.431/2022. A norma tratava da ampliação da margem consignável e do acesso a empréstimos por beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda.

A PF afirma que a atuação do senador nessa pauta ocorreu em “contexto temporal próximo ao início das relações contratuais” entre o Banco Master e a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner.

A defesa do senador contesta essa interpretação. Em nota, Wagner afirmou que jamais atuou para favorecer o Banco Master e que sua emenda tinha objetivo “estritamente social e protetivo ao consumidor”, ao propor limite de juros e proteção a consumidores.

Leia também: Lula recebe Wagner para jogo do Brasil e discutir futuro no Senado

BRB também entra no radar

A investigação também cita a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Para a PF, Wagner acompanhou de perto uma operação considerada estratégica para o futuro da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

A transação foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

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