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Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia
Publicado 18/09/2026 • 16:23 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 18/09/2026 • 16:23 | Atualizado há 54 minutos
KEY POINTS
Bruna Sampaio e Larissa Navarro
Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é alvo de mandado de prisão em operação que investiga a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo, se entregou à polícia nesta sexta-feira (18), um dia depois de ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta.
Leite se apresentou em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de um advogado, segundo informação revelada pelo g1. Na quinta-feira (17), ele havia afirmado que estava viajando e que retornaria para se colocar à disposição das autoridades.
A operação investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo e possíveis relações da organização criminosa com empresários, agentes públicos e pessoas ligadas ao setor.
Leia também: Milton Leite é alvo de operação contra o PCC
Segundo a investigação, Milton Leite é citado em documentos como uma pessoa com forte influência no setor de transportes e teria participação na operação de empresas que, na visão dos investigadores, estariam sob influência de integrantes do PCC.
Os investigadores também reuniram declarações segundo as quais Leite seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa já investigada em outras operações relacionadas ao transporte público paulistano.
A defesa da Transwolff nega essa versão e afirma que Milton Leite nunca teve participação societária na companhia, não participou de sua gestão e não dava ordens na empresa.
A Vectura Corrupta é um desdobramento de investigações anteriores sobre a atuação do PCC no setor de transporte e em estruturas empresariais ligadas ao poder público.
A apuração envolve 17 nomes e inclui empresários, ex-dirigentes e pessoas ligadas à administração do sistema de ônibus da capital. A Polícia Civil chegou a pedir o afastamento de 43 gestores de nove empresas e a intervenção da SPTrans em concessionárias, mas o Gaeco considerou que essas medidas eram prematuras naquele momento.
Antes de Leite se entregar, ele estava entre os alvos ainda não localizados pela polícia. Na manhã desta sexta-feira, dez dos 16 alvos de prisão temporária já haviam sido detidos e seis continuavam procurados.
Durante as buscas, policiais foram a um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, onde suspeitavam que Milton Leite pudesse estar.
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Siga o Times | CNBCEle não foi localizado no endereço. No local, porém, foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil, valor equivalente a cerca de R$ 457 mil pela cotação mencionada na apuração divulgada nesta sexta.
O dinheiro estava com outra pessoa, que, segundo a reportagem, não soube explicar a origem dos valores.
A polícia também analisa conversas atribuídas a José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como integrante do PCC.
Em um dos diálogos, José Daniel teria mencionado a possibilidade de substituir a UPBus pela Translider e afirmado que, caso a mudança ocorresse, Milton Leite deveria ser avisado.
Para os investigadores, a conversa reforçaria a hipótese de que o ex-vereador mantinha influência relevante sobre decisões envolvendo empresas do setor.
Outro trecho da investigação menciona uma empreiteira supostamente ligada a Leite que teria contratos sob apuração com empresas de transporte relacionadas ao esquema investigado. O documento não detalha quais seriam os contratos ou qual empresa estaria envolvida.
Leia também: Brasil rebate EUA sobre PCC e CV e diz aguardar resposta de Trump sobre ação conjunta
A apuração que desembocou na Vectura Corrupta começou em agosto de 2024, após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.
A extração de dados de um celular levou os investigadores à identificação de integrantes da chamada “Sintonia Final”, apontada como uma das estruturas de comando do PCC, e posteriormente a uma fintech que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões.
A investigação também passou a apurar possíveis conexões políticas da organização criminosa e suspeitas de financiamento de campanhas e participação de servidores públicos em estruturas ligadas ao grupo.
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