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Exportação de celulose cai 10,5% em 2026 após Brasil produzir recorde de 29,4 milhões de toneladas
Publicado 31/08/2026 • 08:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/08/2026 • 08:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Eldorado Celulose
Divulgação
A indústria brasileira de papel e celulose iniciou 2026 com perda de ritmo nas exportações depois de atingir volumes recordes no ano passado. No primeiro semestre, os embarques de celulose recuaram 10,5%, para 9,4 milhões de toneladas, enquanto a produção ficou praticamente estável, em 13,9 milhões de toneladas.
Em valores, as exportações de celulose somaram US$ 5,2 bilhões entre janeiro e junho, queda de 4%. Considerando toda a cadeia de árvores cultivadas, que reúne outros produtos além da celulose, as vendas externas recuaram 5,9%, para US$ 7,5 bilhões.
Os números contrastam com o desempenho de 2025, quando produção e exportação alcançaram os maiores volumes da série histórica. Ao mesmo tempo, o setor mantém um ciclo de expansão, com previsão de R$ 105 bilhões em investimentos até 2028.
Leia também: Maior fábrica de celulose do mundo é erguida no Brasil com investimento de US$ 4,6 bilhões
No ano passado, o Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas de celulose, crescimento de 6,9% em relação a 2024, segundo dados consolidados pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
As exportações avançaram em ritmo ainda maior, de 11,6%, e atingiram 20,7 milhões de toneladas. O desempenho levou o País a encerrar 2025 com recordes tanto de produção quanto de volume comercializado no exterior.
O aumento da quantidade exportada, porém, não foi acompanhado pela receita. As vendas externas de toda a cadeia de árvores cultivadas ficaram em US$ 14,9 bilhões, redução de 4,8% na comparação anual, em um período de preços internacionais menos favoráveis.
O setor respondeu por 8,8% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025 e ocupou a quinta posição entre os segmentos do agro com maior participação nas vendas ao exterior.
A mudança de cenário ficou mais evidente nos primeiros seis meses de 2026. Enquanto a produção de celulose permaneceu próxima ao nível do mesmo período anterior, o volume destinado ao mercado externo diminuiu.
A diferença entre a queda de 10,5% no volume exportado e a redução de 4% na receita também mostra que quantidade e faturamento tiveram comportamentos distintos no período.
O desempenho ocorre em um ambiente internacional marcado por maior protecionismo e mudanças nas cadeias globais de fornecimento, fatores que aumentam a incerteza para um setor com forte dependência do mercado externo.
Leia também: Tarifa dos EUA atinge celulose de alta pureza, mas efeito sobre exportações brasileiras deve ser restrito
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Siga o Times | CNBCApesar da desaceleração dos embarques, os projetos de expansão continuam. A estimativa do setor é de R$ 105 bilhões em investimentos até 2028, incluindo construção e ampliação de fábricas, modernização de unidades existentes, expansão florestal e infraestrutura logística.
Mato Grosso do Sul concentra parte dos novos projetos, acompanhado por investimentos em Estados como Espírito Santo, Bahia e Paraná.
Entre as empresas do setor, a Suzano prevê despesas anuais de capital entre R$ 10,9 bilhões e R$ 13,3 bilhões, ao mesmo tempo em que avança na maturação de projetos industriais e na expansão de operações ligadas a produtos derivados da celulose.
Na Klabin, aproximadamente 60% do Ebitda está associado ao segmento de embalagens. A maior participação dessa atividade reduz a exposição direta dos resultados às variações do preço da celulose no mercado internacional.
A Eldorado Brasil, por sua vez, concentra iniciativas na produtividade das operações florestais e logísticas no Centro-Oeste e utiliza contratos de fornecimento de madeira para complementar o abastecimento de sua capacidade industrial.
A produtividade das florestas plantadas é um dos fatores que influenciam os custos da indústria brasileira. No País, o ciclo do eucalipto até a colheita fica geralmente entre seis e sete anos. Em determinadas regiões do Hemisfério Norte, espécies utilizadas pela indústria podem exigir de 15 a 20 anos.
O intervalo menor permite produzir mais madeira por hectare em períodos mais curtos. A matéria-prima segue posteriormente para as fábricas de celulose e pode ser exportada ou utilizada na fabricação de papéis sanitários, embalagens, cartões e papéis destinados à impressão e escrita.
Outro indicador relevante está no consumo de energia. Segundo a Ibá, cerca de 90% da energia utilizada pela cadeia brasileira de árvores cultivadas vem de fontes renováveis. Algumas fábricas produzem energia suficiente para abastecer as próprias operações e disponibilizar excedentes à rede elétrica.
Parte dos investimentos também busca ampliar a transformação da celulose no próprio setor, em vez de concentrar a expansão apenas no aumento da produção da matéria-prima.
Entre as aplicações em desenvolvimento estão embalagens biodegradáveis, nanocelulose, resinas, insumos químicos e farmacêuticos e fibras destinadas à indústria têxtil, como viscose, modal e liocel.
Com R$ 105 bilhões em investimentos previstos até 2028, o setor entra em uma fase de aumento da capacidade justamente quando seus indicadores externos mostram desaceleração. Depois dos recordes de 2025, o comportamento da demanda internacional e a capacidade de ampliar a participação de produtos de maior valor agregado serão fatores relevantes para a absorção da nova produção.
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