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Fundos de investimento administrados por empresa da QI Tech aportaram R$ 63,7 mihões em empresa investigada por lavagem

Publicado 05/11/2026 • 17:24 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Nove FIDCs sob a mesma administração e gestão aportaram R$ 63,7 milhões em empresa investigada pela Operação Catéter.
  • Mais de R$ 31 milhões retornaram aos fundos em 645 operações, das quais 564 foram direcionadas a um único FIDC.
  • Os fundos eram administrados pela Singulare, adquirida pela QI Tech em 2024; a fintech afirma que não é investigada.

Nove Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) administrados pela Singulare, empresa adquirida pela QI Tech em 2024, receberam de volta mais de R$ 31 milhões em centenas de operações realizadas por uma companhia investigada por suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

O dado consta das apurações da Operação Catéter, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná e pela Receita Federal. Antes do retorno dos recursos, os nove fundos haviam aportado R$ 63,7 milhões na empresa investigada.

Segundo a Receita, mais de R$ 31 milhões voltaram aos FIDCs em 645 operações. Desse total, 564 transações foram direcionadas a um único fundo.

Para os investigadores, esse fluxo não seria compatível com uma operação normal de antecipação de recebíveis e apresenta indícios de recompra de títulos sem lastro.

Leia também: QI Tech, ligada a fundos investigados por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, já foi citada em negociações envolvendo Master e Reag

Os FIDCs aparecem na investigação como parte da estrutura de intermediação financeira utilizada pelas empresas sob apuração. Esses fundos normalmente compram direitos a pagamentos futuros, como duplicatas, permitindo que uma companhia receba antecipadamente valores que teria a receber.

A suspeita, no caso investigado, é de que parte dos títulos negociados não estivesse relacionada a operações comerciais reais.

Empresa movimentou R$ 1,3 bilhão

A investigação começou a partir de uma fábrica de subprodutos de origem animal classificada pela Receita Estadual como “noteira”, expressão usada para empresas que emitem documentos fiscais sem operações comerciais correspondentes.

Segundo a Receita Federal, a companhia movimentou R$ 1,33 bilhão em 63.580 transações bancárias, apesar de não possuir estrutura considerada compatível com o volume de mercadorias que declarava negociar.

Três indústrias transferiram mais de R$ 240 milhões para a empresa, enquanto cerca de R$ 39 milhões foram pagos a frigoríficos e abatedouros.

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A investigação também identificou R$ 129,6 milhões transitando entre contas da companhia, de um operador financeiro e de familiares ligados a ele.

Leia também: Fundos ligados à QI Tech entram no radar de operação contra lavagem e sonegação

Segundo as autoridades, o objetivo agora é reconstruir o caminho percorrido pelos recursos e identificar os beneficiários finais das operações.

Justiça bloqueou ativos de dez FIDCs

A 3ª Vara Criminal de Londrina autorizou o bloqueio de ativos de dez FIDCs, estimados em cerca de R$ 63,8 milhões, além de aproximadamente R$ 10,9 milhões vinculados a quatro companhias securitizadoras.

Também foram autorizados 27 mandados de busca e apreensão, incluindo uma diligência na sede da administradora dos fundos, em São Paulo.

A Justiça ainda determinou que informações fossem requisitadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central, à Receita Federal e à administradora dos fundos. A Receita deverá auxiliar na identificação dos cotistas e dos beneficiários finais dos veículos investigados.

Os FIDCs citados na apuração eram administrados pela Singulare, instituição adquirida pela QI Tech em novembro de 2024. A compra ampliou a presença da fintech no mercado de administração e custódia de fundos.

A QI Tech afirma que não é investigada nas operações e que colaborou com as autoridades fornecendo informações. A companhia também sustenta que as transações investigadas relacionadas à estrutura adquirida ocorreram antes da compra da Singulare.

As operações Catéter e Enxágue apuram suspeitas de sonegação de ICMS, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em uma rede de empresas ligada ao comércio de sebo, gordura e outros subprodutos de origem animal. Juntas, as investigações levaram a ordens de sequestro e indisponibilidade de bens e valores de até R$ 271,5 milhões.

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