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Fiesc: tarifaço pode reduzir em até 40% exportações de Santa Catarina aos EUA
Publicado 22/07/2026 • 21:32 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 22/07/2026 • 21:32 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos podem cair entre 30% e 40% com a entrada em vigor das novas tarifas americanas, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, afirmou que 56% das vendas catarinenses ao mercado americano são atingidas pela tarifa adicional de 25%, enquanto outros 40% já estavam sujeitos às cobranças da Seção 232.
“As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos estão quase completamente tarifadas. Quase nada está isento”, disse.
Segundo Bittencourt, a perda de competitividade deve atingir principalmente setores que produzem bens específicos para o mercado americano e têm pouca margem para redirecionar rapidamente as vendas.
Leia também: FIEMS vê pouco impacto direto do tarifaço em Mato Grosso do Sul, mas teme efeitos na indústria
O setor madeireiro é apontado pela Fiesc como o mais vulnerável. Parte da produção catarinense de pinus, molduras, estruturas de madeira e móveis foi desenvolvida para atender às características da construção residencial nos Estados Unidos.
“O pinus que é plantado aqui foi plantado para a construção civil americana. É difícil colocar esse produto em outro destino”, afirmou.
Na avaliação do economista, a dificuldade de substituição do mercado pode reduzir a capacidade exportadora e afetar a geração de empregos no estado.
A Fiesc também vê riscos para fabricantes de máquinas e equipamentos, especialmente na região do Vale do Itajaí, além de parte da agroindústria.
No caso da carne suína, Bittencourt afirmou que grandes empresas podem tentar reorganizar a produção e abastecer os Estados Unidos a partir de outras unidades, o que tende a reduzir o impacto.
Bittencourt afirmou que medidas como as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano podem ajudar empresas cuja exposição ao mercado americano representa uma parcela menor do faturamento.
Nesses casos, o crédito pode financiar capital de giro, adaptação de produtos e busca por novos destinos.
Para companhias altamente dependentes das exportações aos Estados Unidos, porém, a avaliação é mais negativa.
“Algumas empresas vão deixar de existir. Não tem muito o que fazer nesses casos”, disse.
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Siga o Times | CNBCSegundo o economista, a rodada anterior de tarifas já levou empresas catarinenses à recuperação judicial, à inadimplência e ao encerramento de atividades.
“Para os casos de maior vulnerabilidade, a solução é reduzir a lista de produtos tarifados e ampliar as isenções”, afirmou.
Bittencourt defendeu uma atuação conjunta entre diplomacia pública e empresarial para tentar reduzir o alcance das tarifas.
Na avaliação dele, uma resposta baseada em retaliação pode agravar o conflito comercial.
“O caminho é a diplomacia. Precisamos de um esforço adicional”, disse.
O economista afirmou que a negociação deve ser sustentada por argumentos técnicos e buscar a retirada gradual de setores da lista de produtos atingidos.
“Qualquer retaliação agora pode ser muito negativa. A expectativa é reduzir o número de setores tarifados e ampliar a lista de isenções”, afirmou.
A Fiesc mantém uma área de internacionalização voltada à identificação de destinos alternativos para os produtos catarinenses.
Segundo Bittencourt, cerca de 500 empresas foram atendidas neste ano em ações relacionadas à expansão internacional.
O economista ponderou, no entanto, que a busca por novos mercados não substitui imediatamente os Estados Unidos, especialmente nos setores com produtos customizados.
A entidade também negocia com o governo de Santa Catarina medidas como devolução mais rápida de créditos de exportação, postergação de tributos e novas linhas de financiamento.
“Estamos trabalhando diretamente com o governo para fazer um diagnóstico mais preciso e, depois, definir as medidas”, afirmou.
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