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Fim da escala 6×1 avança no Senado e pode mudar jornada de trabalho no país, diz economista

Publicado 19/08/2026 • 11:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas avançou no Senado e deve passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
  • A mudança, que mantém a previsão de salário sem redução, pode afetar custos das empresas, produtividade e mercado de trabalho, mas também trazer ganhos de qualidade de vida e reduzir a rotatividade de funcionários.
  • Para Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence e especialista em mercado de trabalho, os efeitos da medida dependerão das características de cada setor.

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas avançou no Senado e deve passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A mudança, que mantém a previsão de salário sem redução, pode afetar custos das empresas, produtividade e mercado de trabalho, mas também trazer ganhos de qualidade de vida e reduzir a rotatividade de funcionários. Para Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence e especialista em mercado de trabalho, os efeitos da medida dependerão das características de cada setor.

Segundo o economista, atividades com maior nível de formalização podem ter mais dificuldade para absorver a redução das horas trabalhadas sem contratar novos funcionários. No setor aéreo, por exemplo, a necessidade de recompor a força de trabalho pode elevar os custos e, eventualmente, pressionar os preços. “Devemos ver um aumento do número de trabalhadores e, consequentemente, um aumento no repasse de preços”, afirmou.

Já em setores como alojamento e alimentação, que apresentam maior rotatividade, o impacto pode ocorrer de outra forma. Imaizumi avalia que algumas empresas podem recorrer à informalidade para manter a operação, especialmente nos períodos de maior movimento.

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Produtividade pode compensar parte do impacto

Um dos principais pontos da discussão é a capacidade de as empresas aumentarem a produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas. Segundo o cálculo apresentado por Imaizumi, seria necessário um ganho de produtividade de aproximadamente 1,4% para compensar a redução da jornada.

O número considera o impacto direto da diminuição das horas, mas não incorpora possíveis efeitos de segunda ordem. Entre eles estão a redução da rotatividade, do absenteísmo e uma eventual maior participação feminina no mercado de trabalho. “São efeitos positivos de segunda ordem que acabamos não colocando na discussão porque estamos olhando para as principais variáveis macroeconômicas”, explicou.

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A avaliação é que, se a redução da jornada melhorar as condições de trabalho e diminuir a saída de funcionários, parte dos custos de adaptação das empresas pode ser compensada por uma força de trabalho mais estável e produtiva.

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Mudança pode influenciar entrada de jovens

Outro possível efeito está na relação dos jovens com o mercado de trabalho. Segundo Imaizumi, para trabalhadores da geração Z, fatores como a qualidade de vida e condições de trabalho podem influenciar tanto quanto a remuneração. “Eles não estão olhando somente para salário. Obviamente, é uma das variáveis mais importantes, mas também buscam mais qualidade de vida”, afirmou.

Na avaliação do economista, uma jornada menor pode tornar o mercado formal mais atrativo para parte dessa população e influenciar as escolhas profissionais das novas gerações.

Para Imaizumi, ainda é necessário observar como esses diferentes efeitos vão se combinar antes de determinar o resultado líquido para a economia. “A pergunta de R$ 1 milhão, vamos dizer assim, é justamente qual será o impacto líquido total na economia como um todo.”

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