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Capital Sustentável: Descoberta de petróleo no Amapá pode ampliar reservas do Brasil em 55%, diz Carlo Pereira
Publicado 19/08/2026 • 21:42 | Atualizado há 36 minutos
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Publicado 19/08/2026 • 21:42 | Atualizado há 36 minutos
KEY POINTS
A descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, Amapá, pode representar um acréscimo de 55% às reservas comprovadas brasileiras, segundo Carlo Pereira, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, embora ainda seja necessário determinar o volume efetivamente disponível e o custo de exploração. Para ele, a confirmação muda a percepção sobre o potencial da região, mas uma eventual produção comercial ainda poderá levar de seis a oito anos.
No quadro Capital Sustentável desta quarta-feira (19), Carlo explicou que a principal mudança neste momento é a confirmação da presença de petróleo. “Primeiro, a gente não sabia se tinha ou se não tinha. Essa era a questão. Tem ou não tem? Tem. Quanto tem e a que custo? A gente ainda não sabe”, afirmou.
Segundo Carlo, o mercado recebeu a descoberta com otimismo diante do potencial de expansão das reservas nacionais. “No caso de reservas comprovadas no Brasil, a gente está falando basicamente de 12 bilhões de barris provados”, disse. Pelos cálculos mencionados pelo especialista, esse volume corresponderia a aproximadamente 12 anos das necessidades brasileiras.
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“E o que analistas dizem? Que essa descoberta pode agregar aproximadamente 55% a essas reservas que a gente tem”, destacou. Carlo ponderou, entretanto, que será necessário esperar pela comprovação desse potencial e que “a produção em si vai levar aí seis, oito anos, mais ou menos, se a gente for numa velocidade adequada”.
O processo de licenciamento é outro componente importante para transformar a descoberta no Amapá em produção. Ele considera que exigências ambientais rigorosas podem proteger também os investidores, desde que sejam acompanhadas de previsibilidade e segurança jurídica.
“O risco ambiental pode levar a um risco financeiro. Por isso, seguir uma exigência ambiental que seja bastante severa acaba, na verdade, protegendo os investidores”, explicou. Ao mesmo tempo, ele relatou ter percebido, durante suas visitas ao Amapá, uma insatisfação da população local com a demora no licenciamento.
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Existe “uma mágoa do povo amapaense no sentido da demora com essa licença”, explica Carlo. Ele acrescentou que a expectativa local também está relacionada aos recursos que uma futura produção poderá gerar: “A gente sabe o quanto o povo amapaense precisa, por que não, desses valores de royalties que virão do petróleo”.
Para o especialista, portanto, rigor ambiental e agilidade não precisam ser objetivos incompatíveis. “Se a gente vai ter um rigor ambiental muito grande, não tem problema. A gente só tem que ter ali uma velocidade adequada e uma segurança jurídica”, afirmou.
Ele citou ainda o nível de exigência adotado durante o processo conduzido pelo Ibama, lembrando uma simulação realizada como parte do licenciamento. Segundo ele, o exercício envolveu “dezenas de navios” e “centenas de pessoas”, em um “rigor jamais visto”.
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“Vamos ter o rigor, mas a gente tem que ter a segurança jurídica de que isso não vai voltar para a mesa num processo que vai levar mais um tempo”, disse. Para Carlo, essa previsibilidade é necessária tanto para os investidores quanto para que “o povo amapaense possa então usufruir dessa riqueza natural”.
A descoberta também abre uma discussão sobre como transformar uma eventual riqueza petrolífera em ganhos econômicos e sociais para o Amapá, evitando a chamada “maldição dos recursos naturais”.
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Siga o Times | CNBC“A maldição não está no recurso em si, mas na governança”, diz Carlo. Na avaliação dele, o Brasil avançou em seu arcabouço regulatório para administrar os recursos provenientes da exploração petrolífera.
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No âmbito federal, Carlo lembrou que existe direcionamento de recursos para áreas como educação e saúde. Já no caso dos royalties destinados a estados e municípios, ressaltou a importância de estabelecer uma boa gestão. “Aí não tem um direcionamento efetivo do que pode ser feito. Então, para isso, tem que ter uma governança adequada”, explicou.
O especialista também citou a possibilidade de contrapartidas associadas à atuação das empresas. “Tem toda ali uma licença social para operar, que pode ser revertida, claro, em contrapartidas adequadas por parte dessas empresas”, afirmou.
Sobre o Amapá, Carlo disse ter acompanhado o planejamento estadual e avaliou positivamente a preparação para administrar os possíveis impactos da atividade. “Eu vi todo o planejamento do governo do estado e me parece bastante adequado”, disse, mencionando aspectos ambientais, territoriais e sociais.
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“Tenho certeza que esses valores advindos do petróleo vão ajudar, sim, a desenvolver aquela região”, afirmou.
Carlo também rejeitou a ideia de que explorar novas reservas de petróleo seja necessariamente incompatível com a transição energética brasileira e com os compromissos climáticos do país.
“Todo mundo pergunta o tempo todo: ‘Não há uma contradição em falar em transição energética, em falar em Acordo de Paris e COP30, e falar em petróleo?’ Não há”, afirmou.
Segundo ele, alternativas energéticas ainda não possuem escala ou infraestrutura suficiente para substituir imediatamente o petróleo em todas as atividades. “O parque industrial, ou também aqui os nossos veículos, não estão adequados para isso. A gente não tem o volume de produção”, explicou.
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Carlo Pereira lembra ainda que as reservas brasileiras são finitas e que o país foi, até recentemente, importador líquido de petróleo e derivados. Por isso, defendeu que os recursos provenientes da nova fronteira sejam tratados de forma estratégica.
“A gente tem que ter seriedade com esse recurso. A gente tem que entender que precisa desse recurso para também fazer uma transição energética, climática, adequada e justa”, afirmou. Para ele, essa transição precisa ser também “justa com essa população que tem essa riqueza em seu solo”.
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