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Fundação FHC diz que Janja “desconhece a história de Ruth Cardoso” ao afirmar que é a primeira-dama a trabalhar

Publicado 14/07/2026 • 17:27 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Janja afirmou que vai diariamente ao Palácio do Planalto, participa de reuniões e viaja a trabalho.
  • Ruth Cardoso criou e presidiu o Conselho do Programa Comunidade Solidária entre 1995 e 2002.
  • A primeira-dama também classificou como “misoginia pura” as críticas sobre gastos em viagens internacionais.

Fernando Frazão/Agência Brasil

O diretor-geral da Fundação FHC, Sergio Fausto, rebateu nesta terça-feira (14) a declaração da primeira-dama Janja de que o Brasil nunca havia tido uma primeira-dama que “trabalhasse efetivamente”.

“A fala da primeira-dama revela tal desconhecimento da história que não merece comentário”, afirmou Fausto ao UOL. A reação ocorre diante do histórico de atuação da antropóloga Ruth Cardoso, primeira-dama durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002.

Em entrevista, Janja afirmou que a sociedade e a imprensa não estavam acostumadas com uma primeira-dama que mantivesse uma rotina de trabalho no governo.

“A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente. Quase todo dia eu vou para o Planalto, faço reunião, tenho agenda, viajo a trabalho. A sociedade brasileira, de modo geral, e a imprensa também não estavam acostumadas com isso”, declarou ao programa Frente a Frente, parceria entre Folha de S.Paulo e UOL.

Janja tem uma equipe no Palácio do Planalto e passou a divulgar sua agenda de compromissos. Segundo a primeira-dama, uma norma interna foi elaborada há cerca de dois anos para regulamentar sua atuação e ampliar a transparência.

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Janja cita Ruth e fala em preconceito de classe

Durante a entrevista, Janja comparou sua trajetória à de Ruth Cardoso e afirmou que a formação acadêmica da antropóloga influenciava a maneira como ela era percebida pela sociedade.

“Não se esqueça que dona Ruth era uma doutora de uma universidade importante brasileira e que isso conta muito”, disse.

A primeira-dama também afirmou acreditar que parte das críticas dirigidas a ela é motivada por “preconceito de classe”.

A primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, durante a cerimônia de lançamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18 da ONU, durante o G20 Social no Rio de Janeir.
A primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, durante a cerimônia de lançamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18 da ONU, durante o G20 Social no Rio de Janeir.
A primeira-dama Janja Lula da Silva | Foto: Estadão Conteúdo

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“Não venho de uma família rica, venho de uma família pobre, fiz universidade pública, fiz universidade trabalhando, fui trabalhar fora, ralei para caramba. Não tenho mestrado e nem doutorado porque não foi essa minha opção de vida”, declarou.

Atuação de Ruth Cardoso

Antropóloga, professora universitária e pesquisadora, Ruth Cardoso criou o Programa Comunidade Solidária e presidiu o conselho da iniciativa entre 1995 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O programa articulava organizações não governamentais, universidades, empresas e diferentes níveis de governo para desenvolver projetos sociais e fortalecer a participação da sociedade civil.

Ruth Cardoso atuou no combate à pobreza e exclusão social no Brasil | Foto: Fundação FHC

Entre as iniciativas ligadas ao Comunidade Solidária estavam projetos de alfabetização, capacitação profissional, apoio ao artesanato e aproximação entre universidades e comunidades. A proposta buscava substituir práticas assistencialistas por ações de desenvolvimento social realizadas em parceria com a sociedade civil.

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Críticas sobre gastos em viagens

Janja também classificou como “misoginia pura” as críticas que a descrevem como “gastadeira” por causa de suas viagens internacionais durante o governo do presidente Lula.

Segundo ela, a realização de viagens antes da chegada de Lula ocorre por necessidades relacionadas à organização das agendas. A primeira-dama afirmou ainda que procura ficar hospedada em embaixadas brasileiras e viaja em classe executiva por razões de segurança e pelo cumprimento de normas.

“Eu respondo com o trabalho que faço, sei o que estou fazendo e como estou fazendo. Essa questão da gastadeira é exemplo da misoginia pura que surfa nas redes sociais”, afirmou.

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