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Golpes na internet: quase um terço dos usuários relata tentativas de fraude
Publicado 05/09/2026 • 08:30 | Atualizado há 14 minutos
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Publicado 05/09/2026 • 08:30 | Atualizado há 14 minutos
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Foto: Canva
Golpes na internet: quase um terço dos usuários relata tentativas de fraude
Cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, o equivalente a 32% dos usuários de internet, relatam ter sofrido tentativas de golpes envolvendo seus dados pessoais.
O levantamento foi divulgado na última segunda-feira (31), em São Paulo, durante o 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, para mostrar os principais riscos enfrentados pela população no ambiente digital. Segundo a pesquisa, 20% dos usuários afirmam ter sido vítimas efetivas das fraudes.
Os dados fazem parte da terceira edição da pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
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De acordo com a Agência Brasil, o levantamento ouviu 2,5 mil usuários de internet com 16 anos ou mais em dezembro de 2025, por meio de entrevistas online. Esta foi a primeira vez que o estudo perguntou diretamente aos participantes se haviam identificado tentativas de golpes ou se tinham sido vítimas das fraudes.
Os aplicativos de mensagem aparecem como o principal canal usado nas tentativas de fraude. Eles foram citados por 84% dos usuários que relataram abordagens.
Na sequência aparecem as ligações telefônicas, mencionadas por 79% dos entrevistados. Sites ou aplicativos falsos e mensagens SMS foram citados por 71% cada. Emails aparecem com 69% e redes sociais com 67%.
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A pesquisa também identificou diferenças relacionadas ao dispositivo usado para acessar a internet. Pessoas que utilizam apenas o celular relataram mais tentativas de golpes por meio de sites ou aplicativos falsos do que aquelas que também utilizam computadores.
Para Winston Oyadomari, um dos coordenadores da pesquisa, as limitações do próprio dispositivo podem aumentar a vulnerabilidade do usuário em determinadas situações.
Os prejuízos provocados pelas fraudes não se limitam ao dinheiro ou ao acesso a contas bancárias. O levantamento chama atenção também para o roubo de credenciais e para a tomada de controle de contas pessoais.
Um dos riscos é a perda de acesso ao e-mail utilizado em serviços públicos, como o Gov.br. Com isso, o usuário pode enfrentar dificuldades para acessar serviços de governo, assistência e outras políticas públicas.
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As tentativas de golpe também provocaram efeitos emocionais entre os participantes. Estresse e mal-estar foram algumas das reações relatadas pelos usuários, com impactos que, segundo os pesquisadores, podem atingir também familiares.
O nível de escolaridade também aparece como um fator importante na pesquisa. Usuários com menor escolaridade relataram com maior frequência as diferentes situações relacionadas a golpes.
Segundo Oyadomari, isso não significa que pessoas com menor escolaridade estejam necessariamente mais expostas às tentativas. O levantamento indica, porém, que os impactos podem ser maiores nesse grupo.
O resultado reforça a necessidade de ampliar não apenas as medidas de proteção de dados, mas também as habilidades digitais da população. Para os pesquisadores, saber reconhecer riscos e utilizar ferramentas digitais de forma segura é parte importante da prevenção contra fraudes.
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A pesquisa também investigou, pela primeira vez, a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa sob a perspectiva da privacidade.
O uso para trabalho ou estudo foi citado por 73% dos usuários dessas plataformas. Preferências e gostos pessoais, como filmes e músicas, aparecem em seguida, com 58%.
Sentimentos e emoções foram compartilhados por 54% dos usuários. Dados de saúde, como sintomas e exames, foram mencionados por 52%, enquanto 50% disseram utilizar fotos próprias ou de pessoas conhecidas nas ferramentas.
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Siga o Times | CNBCFinanças pessoais foram citadas por 41% e informações como nome, endereço, data de nascimento ou CPF por 37%. Mesmo com o uso frequente dessas tecnologias, 66% dos usuários de inteligência artificial disseram estar preocupados ou muito preocupados com a forma como as empresas responsáveis pelas ferramentas utilizam seus dados. A preocupação foi maior entre pessoas com nível mais alto de escolaridade, chegando a 72%.
A pesquisa também analisou o comportamento das empresas brasileiras. Entre as organizações participantes, 69% afirmaram armazenar dados pessoais de clientes ou usuários.
A biometria foi o tipo de informação mais armazenado, citada por 31% das empresas. Dados de saúde aparecem em seguida, com 26%. Entre as organizações que guardam informações pessoais, 9% disseram armazenar dados de menores de 18 anos.
A adoção de estruturas formais de governança e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) apresentou estabilidade.
Segundo o levantamento, 40% das empresas realizam reuniões específicas sobre proteção de dados. Outras 32% contrataram consultorias ou assessorias especializadas e 20% mantêm uma área ou funcionários dedicados ao tema. Apenas 16% nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados, o DPO.
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Entre as principais medidas adotadas estão alterações em contratos vigentes, citadas por 30% das empresas, criação de políticas para o uso de dados de funcionários, com 29%, e desenvolvimento de políticas de privacidade, com 28%.
No setor público, houve avanço na criação de áreas ou responsáveis pela privacidade, principalmente nas administrações municipais.
A proporção de órgãos públicos com alguma estrutura dedicada ao tema passou de 36% em 2023 para 42% em 2025. Entre as prefeituras com até 10 mil habitantes, o percentual subiu de 31% para 37%.
Entre os órgãos federais e estaduais, a presença dessas estruturas é maior no Ministério Público, com 100%, no Judiciário, com 94%, e no Legislativo, com 83%. No Executivo, o índice chega a 74%.
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Também aumentou a presença de políticas de segurança da informação nos estabelecimentos públicos de saúde. O percentual passou de 24% para 28% e alcançou 54% nos hospitais públicos com mais de 50 leitos.
Outro avanço ocorreu na capacitação dos funcionários. A parcela de instituições públicas que oferecem treinamentos em segurança da informação dobrou, passando de 16% em 2023 para 32% em 2025.
As escolas públicas também registraram avanço na adoção de políticas de proteção de dados e segurança da informação. A proporção de instituições com documentos que estabelecem essas diretrizes passou de 37% em 2020 para 54% em 2025.
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Entre os gestores de escolas públicas que não utilizavam programas, sistemas ou plataformas digitais na gestão escolar, 39% apontaram a preocupação com privacidade e proteção de dados como um dos principais obstáculos para a adoção dessas ferramentas.
A segurança também aparece como motivo para evitar recursos digitais educacionais. Um quarto dos gestores citou esse fator, enquanto 16% mencionaram o risco de vazamento ou roubo de dados dos alunos e 15% apontaram a falta de clareza sobre o tratamento dessas informações nos termos de uso.
Apesar dos desafios, 73% dos gestores disseram ter recebido orientações da rede de ensino sobre o tratamento de dados de alunos e profissionais. Além disso, 46% das instituições realizaram debates ou palestras sobre o tema em 2025, ante 32% em 2023.
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Empresas e órgãos públicos também precisam adotar medidas de governança, transparência e segurança para reduzir os riscos de golpes e garantir o uso responsável das informações pessoais.
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