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Gonet chama acusações sobre caso Master de ‘estapafúrdias’; conselho do MPF vai analisar caso em 25/09

Publicado 16/09/2026 • 16:11 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Paulo Gonet classificou como “estapafúrdias” as acusações de que deveria ser afastado da atuação relacionada ao caso Master.
  • Procurador-geral afirmou que encontrou Daniel Vorcaro uma única vez, durante evento realizado em Londres em 2024.
  • Conselho Superior do MPF marcou para 25 de setembro a análise das menções ao PGR encontradas no celular do ex-banqueiro.

Reprodução / TV Justiça

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, classificou como “estapafúrdias” as acusações apresentadas pelo partido Novo para questionar sua atuação no caso Master e afirmou não manter qualquer relação de amizade com Daniel Vorcaro. As declarações constam de uma manifestação encaminhada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), que analisa as menções ao PGR encontradas no celular do ex-banqueiro.

O colegiado marcou para 25 de setembro a sessão que discutirá o caso. As referências a Gonet apareceram em relatório produzido pela Polícia Federal (PF), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do Valor.

Formado por integrantes do topo da carreira do MPF, o Conselho Superior exerce funções administrativas e tem entre suas atribuições analisar eventual denúncia contra o procurador-geral da República, chefe do Ministério Público da União.

Leia também: Caso Master: Paulo Gonet confirma encontro com Daniel Vorcaro em Londres, mas nega relação de amizade com ex-banqueiro

A manifestação de Gonet foi encaminhada ao subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, responsável pelo procedimento que examinará sua conduta.

Gonet cita autoridades presentes em evento

Ao responder aos questionamentos, Gonet detalhou o encontro com Vorcaro ocorrido em Londres, em 2024. O evento foi promovido pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico e reuniu diversas autoridades.

O PGR mencionou a presença dos ministros do STF Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do ex-presidente Michel Temer e de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Justiça.

Leia também: Gonet afasta vínculo com Vorcaro e diz em plenário do STF que ligação entre os dois foi ‘brevíssima e banal’

Também foram citados o advogado-geral da União, Jorge Messias; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves.

“Foram realizadas intervenções das autoridades convidadas em painéis ao longo dos dias do encontro. Houve também momentos de convívio dos presentes. Somente aí, estive, e juntamente com diversos outros convidados, com o Sr. Daniel Vorcaro”, afirmou Gonet.

Segundo o procurador-geral, aquele foi seu único encontro pessoal com o ex-banqueiro. “Foi em tal contexto único que me encontrei pessoalmente com ele (única vez até então e até hoje)”, frisou.

Leia também: Quem é Paulo Gonet, procurador-geral da República envolvido nos desdobramentos do STF?

PGR diz que não havia informações sobre irregularidades

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Gonet argumentou ainda que, naquele momento, não tinha conhecimento de suspeitas envolvendo Vorcaro ou o Banco Master. Segundo ele, o empresário era conhecido por manter relações com personalidades dos meios político, empresarial e jurídico.

“Nada parecido me havia chegado ao conhecimento. O que se tinha era a figura de um empresário muito bem relacionado com diversas personalidades do mundo político, empresarial e jurídico, a quem fui apresentado e com quem estive, sempre com outros convidados, sem haver entabulado nenhuma conversa de ordem profissional”, declarou.

O procurador-geral também detalhou como recebeu o convite para participar do encontro. “O convite me foi formulado pelo Grupo e veio a ser formalizado pelo editor da revista jurídica virtual Consultor Jurídico, o Sr. Marcio Chaer, responsável técnico do evento”, explicou.

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Gonet relatou que foi convidado para participar do painel “O papel do Judiciário para a estabilidade democrática”, em um momento marcado pelas respostas à tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, outras autoridades também fariam apresentações sobre temas jurídicos da atualidade, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair participaria de uma discussão sobre o cenário político mundial.

O PGR acrescentou que o Banco Master não aparecia como patrocinador do encontro. “Até então, era, para mim, apenas uma instituição financeira em atividade aparentemente regular”, ressaltou.

A manifestação enviada ao Conselho Superior tem mais detalhes do que a declaração feita por Gonet na terça-feira (15), durante julgamento no plenário do STF, quando admitiu ter encontrado Vorcaro em 2024.

‘Não há base para especular’

Em sua defesa ao Conselho Superior, Gonet também rejeitou a possibilidade de suspeição ou impedimento que pudesse afastá-lo das investigações relacionadas ao Banco Master.

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Segundo o procurador-geral, “não há base para especular com hipótese de suspeição ou impedimento indutora ao meu afastamento da atuação finalística nas investigações envolvendo o Banco Master”.

“Por questão lógica, já que a especulada suspeição projetaria efeitos sobre a minha atuação nos feitos respectivos, posso afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, afirmou.

Gonet encaminhou ao colegiado uma manifestação escrita de 37 páginas. O procedimento para que prestasse esclarecimentos foi aberto pelo próprio Conselho Superior depois da divulgação do relatório da PF que o menciona. Posteriormente, uma representação do partido Novo foi incorporada ao procedimento, que tramita sob sigilo.

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