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Novo Desenrola mira 82,8 milhões de inadimplentes e divide economistas sobre efeito na inflação
Publicado 17/05/2026 • 12:00 | Atualizado há 17 minutos
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Publicado 17/05/2026 • 12:00 | Atualizado há 17 minutos
KEY POINTS
Foto: Freepik
Endividamento
O número de brasileiros com o CPF registrado em cadastros de inadimplência chegou a 82,8 milhões em março, segundo a Serasa Experian. É nesse universo que o Novo Desenrola mira, com a promessa de reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias. O que os economistas ainda debatem é o tamanho do efeito que esse alívio pode provocar nos preços.
Ao diminuir o comprometimento da renda com o serviço da dívida, o programa amplia a capacidade de pagamento e a renda disponível das famílias. O passo seguinte, em tese, é o aumento do consumo e, com ele, a pressão sobre a inflação.
“Isso pode se traduzir em maior consumo ou na contratação de novos empréstimos, a depender do conservadorismo dos bancos”, afirma Alexandre Albuquerque, vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings.
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Antes mesmo de o Novo Desenrola entrar em operação plena, o mercado de crédito já opera em compasso de espera. Com a inadimplência em níveis recordes desde janeiro de 2025, as instituições financeiras adotaram postura mais cautelosa na concessão de crédito, especialmente em linhas de maior risco, como crédito pessoal.
Albuquerque ressalta um ponto que costuma passar despercebido no debate público. Embora o tomador deixe de constar como negativado após aderir ao programa, a dívida não desaparece. “Ela diminui, mas continua existindo”, afirma.
Esse detalhe importa porque limita o efeito prático do Desenrola sobre a capacidade de endividamento futuro das famílias, ao menos enquanto os bancos mantiverem a cautela atual.
Os dados disponíveis indicam que o consumo já começava a reagir antes mesmo do Desenrola. A renda disponível bruta das famílias cresceu 11,1% em março, após alta de 9,5% em fevereiro, segundo cálculos do Goldman Sachs.
Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do banco, atribui o resultado a uma postura creditícia e fiscal “altamente ativista”, que manteria o hiato do produto em território positivo, pressionaria a inflação de serviços e reduziria a eficácia da política monetária.
O próprio Comitê de Política Monetária destacou o risco no comunicado de abril, apontando como fator de alta “uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada, em função de um hiato do produto mais positivo”.
Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, vai na mesma direção. Para ele, o crescimento da renda já aponta para aumento do consumo, e o programa representa um complicador para o BC. “Acho o Desenrola ruim para o Banco Central, pois impacta a inflação”, resume.
Nem todos compartilham da mesma preocupação no curto prazo. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, avalia que outros fatores devem pesar mais na condução da política monetária do que o programa em si. “O Banco Central vai acompanhar e estimar os impactos, mas acreditamos que esse efeito tende a ser muito baixo”, afirma, citando o conflito no Irã, o câmbio e os preços de commodities como variáveis de maior influência imediata.
Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, aponta uma contradição de fundo. O governo busca estimular a economia por instrumentos fiscais e parafiscais, enquanto o BC tenta conter a inflação e as expectativas. Para ele, o resultado mais provável desse cabo de guerra é que os juros permaneçam elevados por mais tempo. “No fim, acho que teremos juros elevados por mais tempo, o que contraria o objetivo do Novo Desenrola”, diz.
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