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Inflação dos alimentos pode chegar a 10% com El Niño e alta dos fertilizantes

Publicado 10/05/2026 • 19:58 | Atualizado há 3 dias

KEY POINTS

  • Alimentos e bebidas representam 21,3% do IPCA e têm peso ainda maior no INPC.
  • Warren estima que El Niño forte pode adicionar até 2 pontos porcentuais ao IPCA no biênio.
  • Fertilizantes mais caros e clima adverso podem pressionar alimentos in natura, grãos e commodities.

Px Here

Inflação dos alimentos

A inflação dos alimentos pode chegar a 10% em 12 meses caso o El Niño ganhe força, os fertilizantes sigam pressionados e o câmbio se deprecie.

Para analistas, o grupo pode voltar a subir acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano e no próximo, o que ampliaria o desafio do Banco Central de levar a inflação à meta de 3%.

A pressão vem de uma combinação de fatores. Além da alta dos fertilizantes, provocada pelos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o escoamento do insumo, economistas citam o risco climático. Um El Niño forte em 2026, no período seco do Sudeste, poderia elevar os preços de alimentos e adicionar até 2 pontos percentuais ao IPCA no acumulado do biênio, segundo cenário extremo da Warren Investimentos.

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Alimentos têm peso relevante na inflação

Alimentação e bebidas é o grupo de maior peso no IPCA, com participação de 21,3%. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a cesta de famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, o peso sobe para 24,3%.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, clientes do agronegócio já demonstram preocupação com os fertilizantes. “Eles já estão tentando travar preços em patamar mais alto. Uma parte diminui em lucro, e a outra é repassada. Teremos alimentos mais caros pela frente porque não tem como fugir da alta desse insumo.”

Choque pode chegar rápido a alguns itens

Estudo da Warren aponta que carnes, carnes e peixes industrializados, aves e ovos, leite e derivados, panificados, óleos e gorduras estão entre os itens com maior peso e repasse mais rápido em caso de alta do petróleo, com transmissão em até um mês.

Também há impacto sobre cereais, leguminosas e alimentação fora de casa, com repasse entre dois e quatro meses. Farinhas, féculas, massas, bebidas e infusões tendem a sentir o choque em prazo mais longo, de cinco meses ou mais.

Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren, o impacto total dos preços sensíveis à alta do petróleo no IPCA pode chegar a 1,7 ponto porcentual até 2027. A pressão ocorre tanto pelo custo de transporte, especialmente no leite, quanto pelo encarecimento dos fertilizantes.

“Alimentos in natura capturam o efeito de fertilizantes mais caros de forma rápida. Mas na parte de grãos e commodities, dependendo de quanto a safra 2026/2027 encarecer devido ao choque, o impacto pode ser mais significativo em 2027”, afirmou.

Risco maior pode vir em 2027

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, vê mais preocupação com a dinâmica dos alimentos no próximo ano. Nas estimativas dele, o IPCA de alimentação e bebidas deve passar de 5,4% em 2026 para cerca de 5% em 2027, mas com riscos para cima.

“Esse ano teremos uma pressão sazonal normal de alimentos, mas esse combo que pode afetar 2027 é mais preocupante, com o efeito adicional de fertilizantes que vamos precisar acompanhar, porque depende do andamento da guerra”, disse Vale.

Caso o El Niño seja forte, coincida com déficit hídrico na fase crítica do milho da segunda safra, entre abril e junho, e venha acompanhado de depreciação cambial, o impacto mensal na inflação pode ficar entre 0,39 e 0,49 ponto porcentual, estima o economista. Nesse cenário, a inflação de alimentos acumulada em 12 meses pode chegar a 10% ainda este ano.

“Ainda não é o cenário mais provável, mas tem uma possibilidade não trivial”, afirmou Vale.

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El Niño pode pressionar alimentos frescos

Luis Otávio de Souza Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, afirma que anos de formação do El Niño registraram inflação anual média de alimentos de 11,6%, ante 6,1% em períodos sem o fenômeno.

“Culturas de safra curta, como legumes, verduras, frutas, podem ser impactadas. E aí teremos sim uma inflação maior de alimentos no segundo semestre”, disse.

Segundo ele, se o El Niño começar em junho, o impacto nos preços tende a se concentrar neste ano. Se o início ocorrer em agosto, os efeitos sobre alimentos in natura podem aparecer mais em 2027.

Nas estimativas da G5, a inflação dos alimentos no domicílio deve avançar de 5% neste ano para 7% no próximo.

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