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Investigação revela uso de terras de Ronaldinho para inflar ativos do Banco Master
Publicado 05/02/2026 • 17:16 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 05/02/2026 • 17:16 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Terrenos vinculados ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados como garantia em uma operação que resultou na captação de R$ 330 milhões por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) associados ao Banco Master, dentro de um conjunto de transações agora investigadas por suspeitas de fraude.
Segundo apurações do MPF e do Banco Central, os recursos teriam sido redirecionados a fundos ligados ao próprio grupo financeiro, inflando artificialmente ativos. A defesa do ex-atleta afirma que ele desconhecia a emissão dos títulos e que o negócio imobiliário foi cancelado.
As investigações indicam que o Banco Master atuava por meio do Fundo City 02 — veículo no qual era o único cotista — para conceder empréstimos a empresas. Na sequência, essas companhias transferiam a maior parte dos recursos para fundos geridos pela Reag Investimentos, instituição que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central.
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Uma parte relevante dessas operações tinha início com a emissão de CRIs, títulos bastante utilizados no mercado de capitais. Esses papéis são estruturados a partir de créditos do setor imobiliário, como financiamentos ou receitas futuras de aluguel, que são agrupados e transformados em instrumentos de renda fixa.
Na prática, o mecanismo permite antecipar recursos para projetos imobiliários. As empresas recebem o capital imediatamente para viabilizar obras, enquanto os investidores que compram os CRIs são remunerados com juros ao longo do tempo.
Em agosto de 2023, a Base Securitizadora — citada nas investigações envolvendo o Banco Master — estruturou uma emissão de R$ 330 milhões em CRIs em favor da S&J Consultoria. Como garantia, foram apresentadas notas comerciais vinculadas ao desenvolvimento de áreas em Porto Alegre, entre elas dois terrenos registrados em nome de Ronaldinho Gaúcho.
Segundo advogados do ex-jogador e de outros sócios envolvidos no projeto, a operação imobiliária não avançou. A defesa de Ronaldinho afirma que houve tentativas de negociação, iniciadas em 2021, com as empresas União do Lago e Melk, mas que as tratativas foram interrompidas por entraves como ausência de licenças ambientais e débitos de IPTU.
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O advogado de Darci Garcia da Rocha, apontado como sócio no empreendimento original, também declarou desconhecer tanto a emissão dos CRIs quanto o destino dos recursos captados. Já Maurício Haeffner, que representa interesses ligados ao grupo do ex-atleta, afirmou que as parcerias não prosperaram por divergências comerciais e que não houve aportes relevantes nos terrenos envolvidos.
Relatório do Banco Central indica que diversas empresas adotaram um padrão semelhante de atuação: após captar recursos por meio da emissão de CRIs ou outros instrumentos financeiros, os valores eram realocados em fundos vinculados ao Master e à Reag, em vez de serem aplicados em obras ou projetos imobiliários.
No sistema financeiro, o volume de ativos é um dos principais indicadores de solidez e capacidade de alavancagem. Ao registrar esses títulos como parte do patrimônio de seus fundos, o grupo elevava artificialmente seus números, apresentando ao mercado e aos reguladores uma estrutura patrimonial mais robusta do que a sustentada por ativos reais ou de alta qualidade.
Para os investigadores, o objetivo da estratégia seria fortalecer os indicadores do Banco Master, ampliando sua atratividade junto a investidores e reforçando sua imagem de solidez, ainda que os recursos circulassem internamente, sem impacto concreto na economia. Nesse contexto, os terrenos funcionariam apenas como elemento formal para viabilizar a captação.
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Enquanto os CRIs eram negociados no mercado financeiro e inflavam os balanços da instituição, as áreas permaneciam sem obras ou qualquer tipo de desenvolvimento.
As empresas citadas nas apurações são alvo de investigações da Polícia Federal e foram atingidas por mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o magistrado, o volume total de CRIs emitidos pela Base Securitizadora sob suspeita alcança aproximadamente R$ 1 bilhão.
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