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Líbano teme virar bode expiatório da geopolítica após anúncio do acordo entre EUA e Irã
Publicado 16/06/2026 • 12:17 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 16/06/2026 • 12:17 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Bandeira do Líbano
O acordo entre Estados Unidos e Irã que pretende acabar com a guerra entre Israel e Hezbollah deixa muitas questões sobre o Líbano sem respostas, ao não mencionar a retirada israelense do território do país vizinho, nem ordenar que Teerã interrompa seu apoio ao movimento xiita.
Sob pressão dos Estados Unidos, as autoridades libanesas negociaram com Israel para alcançar um acordo separado que encerre as hostilidades. Mas Beirute parece ter ficado à margem com o anúncio sobre o conflito regional.
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O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito regional em 2 de março ao lançar foguetes contra Israel para vingar a morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos ataques israelense-americanos que desencadearam as hostilidades.
Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre que, segundo Beirute, matou mais de 3.700 pessoas e provocou o deslocamento de mais de um milhão de moradores.
Os detalhes do memorando de entendimento para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro no Oriente Médio não foram divulgados, mas Irã e Paquistão, país que atua como mediador entre as partes, anunciaram que o pacto inclui o Líbano.
Uma fonte oficial disse à AFP que “o Líbano não foi informado sobre os termos do acordo, nem a duração do cessar-fogo”.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, agradeceu a Washington e Teerã pela “insistência em incluir (…) uma cláusula essencial e vinculante sobre o fim da agressão israelense contra todo o Líbano”.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reafirmou nesta terça-feira que “talvez a questão mais importante” do acordo com Washington seja “a declaração de um fim imediato e permanente da guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano”.
Araghchi enfatizou que “pôr fim à guerra no Líbano é parte inseparável do fim completo da guerra”.
“Qualquer ataque militar por parte do regime sionista contra o Líbano, de agora em diante, e a ocupação contínua de territórios libaneses a partir de agora serão considerados uma violação do memorando de entendimento”, acrescentou o ministro iraniano.
O Hezbollah não reivindicou, nas últimas horas, nenhum novo confronto com Israel.
As informações que circulam sobre o pacto não mencionam nada sobre uma retirada israelense do sul do Líbano. O ministro da Defesa do Estado hebreu, Israel Katz, afirmou na segunda-feira que suas tropas permaneceriam por tempo indeterminado no país vizinho.
Karim Bitar, professor de Oriente Médio na Universidade Sciences Po de Paris, observou que “o acordo não parece envolver Israel, o que, no momento, significa que não é parte” do pacto.
As forças israelenses controlam uma faixa de território libanês ao longo de sua fronteira.
“Dezenas de milhares de soldados israelenses estão no sul do Líbano”, onde ocupam posições fixas, segundo Bitar.
“É a maior invasão desde sua retirada em 2000”, acrescentou em referência à saída anterior de Israel, após 20 anos de ocupação.
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Seguir no GoogleO Hezbollah afirma que enviou reforços ao sul do rio Litani, 20 quilômetros ao norte da fronteira com Israel, após o início da guerra.
Com o acordo de 2024 que acabou com um conflito anterior, o Hezbollah deveria retirar seus combatentes da área.
Washington pressionou o Líbano a desarmar o Hezbollah, mas o memorando de entendimento não faz referência aos combatentes.
“O Irã parece não ter se comprometido a acabar com seu apoio e financiamento ao Hezbollah”, segundo Bitar.
O especialista militar Riad Kahwaji declarou que “o Hezbollah não aceitará abrir mão das armas e a crise se prolongará”.
Ele antecipa que isso pode levar à instabilidade política e, inclusive, distúrbios, “especialmente agora que o Hezbollah considera que, por meio do Irã, saiu vitorioso com este acordo”.
Líbano e Israel iniciaram negociações diretas em Washington desde abril para acabar com as hostilidades e desvincular o Líbano da guerra regional.
Uma nova rodada de conversações está programada para este mês.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou na segunda-feira que seu país intensificará os “esforços” nas negociações em Washington “para assegurar a plena retirada israelense”.
“O Líbano pode se ver novamente como bode expiatório que paga o preço tanto da inexperiência americana, do cinismo iraniano e da soberba israelense”, advertiu Bitar.
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