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‘Master paraguaio’: banco com número de clientes equivalente a 60% da população adulta do Paraguai deixou milhões sem acesso a dinheiro
Publicado 05/11/2026 • 14:34 | Atualizado há 35 minutos
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Divulgação
Crise do Ueno Bank, no Paraguai, levou à suspensão temporária de resgates em 13 fundos de investimento e preocupa comerciantes na fronteira com o Bras
A crise do Ueno Bank, conhecido como “Master paraguaio”, atingiu uma instituição presente na vida financeira de uma parcela expressiva do país. Com cerca de 3 milhões de clientes — número equivalente a 60% da população adulta paraguaia —, o banco deixou correntistas sem acesso normal ao dinheiro após a intervenção do Banco Central, anunciada em 3 de novembro. Saques e transferências foram bloqueados, e clientes procuraram agências fechadas em busca de informações.
O alcance do Ueno ajuda a explicar a dimensão do impacto. Em junho, a instituição informava processar mais de 3 milhões de transações diárias. Era também a maior emissora de cartões de crédito do Paraguai.
Sua presença no comércio era particularmente relevante: segundo a associação paraguaia de importadores e varejistas, dois terços das transações eletrônicas das grandes redes varejistas eram realizadas por meio de contas do banco. A entidade alertou para o risco de paralisação parcial das atividades após a interrupção dos serviços.
Os números do balanço também mostram o tamanho da operação. Em junho, o Ueno divulgava depósitos de 17,3 trilhões de guaranis e uma carteira de crédito próxima de 15 trilhões de guaranis, equivalente a 13,3 bilhões de reais. Esses valores representam, respectivamente, dinheiro mantido pelos depositantes e empréstimos concedidos pelo banco; não correspondem ao prejuízo provocado pelo escândalo.
Leia também: ‘Master paraguaio’: após escândalo financeiro, presidente Santiago Peña renuncia ao cargo
O efeito imediato é a dificuldade de usar recursos que já estavam nas contas. Clientes relataram problemas para consultar saldos, fazer pagamentos e movimentar dinheiro. A indisponibilidade levou correntistas a protestar diante de agências e prédios públicos, cobrando a devolução dos valores.
A interrupção também afeta quem depende do banco para receber. Mais de 32 mil aposentados utilizavam o Ueno para o pagamento de benefícios. O instituto previdenciário informou que transferiria esses beneficiários para outra instituição e que as aposentadorias seriam pagas normalmente.
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Siga o Times | CNBCNo comércio, a dificuldade alcança os dois lados da operação: consumidores ficam impedidos de movimentar os saldos, enquanto estabelecimentos que dependiam das contas do Ueno enfrentam obstáculos nos recebimentos. A participação do banco nos pagamentos eletrônicos amplia a repercussão para além dos poupadores.
O mecanismo paraguaio de garantia de depósitos protege até 228,3 milhões de guaranis, aproximadamente US$ 38 mil, por depositante. Pelas estimativas das autoridades, cerca de 97% dos depositantes têm seus saldos integralmente dentro desse limite.
Em 4 de novembro, o Banco Central anunciou uma antecipação de até 40 salários mínimos por cliente, com previsão de início em até 24 horas e conclusão dessa etapa em até cinco dias úteis. Valores superiores à cobertura dependerão da recuperação dos ativos durante o processo de resolução. A proteção, portanto, não representa acesso imediato à totalidade dos recursos.
Além das contas individuais, o Ueno administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em dinheiro público, incluindo cerca de US$ 380 milhões do sistema estatal de previdência e saúde. A exposição acrescenta à preocupação dos correntistas a necessidade de recuperação de recursos destinados a serviços e benefícios públicos.
A crise levou à suspensão temporária de resgates em 13 fundos de investimento, administrados por cinco instituições. Também foram restringidos novos aportes e distribuições em dinheiro enquanto os investimentos vinculados ao Ueno passam por avaliação.
Segundo o regulador, cada fundo possui patrimônio próprio, separado do banco e da administradora. A suspensão não significa liquidação dos fundos nem perda automática de todo o investimento. A retomada das operações depende do cumprimento das exigências de avaliação e da comunicação de cada administradora aos clientes.
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