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Mercado de carbono pode virar ativo de competitividade para o Brasil, diz diretor da ECCON Yuri Rugai Marinho

Publicado 04/11/2026 • 17:18 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Diretor da ECCON Soluções Ambientais afirma que regulação iniciada em 2024 tende a ampliar peso econômico do carbono no país.
  • Brasil busca conectar mercado doméstico à China e à União Europeia e se posicionar como exportador de créditos.
  • Especialista defende integrar carbono, biodiversidade, água e acesso a crédito para fortalecer a remuneração por serviços ambientais.

O avanço da regulação do mercado de carbono pode transformar ativos ambientais em uma nova frente de competitividade para empresas e para a economia brasileira, avaliou Yuri Rugai Marinho, diretor da ECCON Soluções Ambientais, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, o mercado ainda é jovem, volátil e sensível à geopolítica, mas entrou em uma nova etapa com a criação do sistema regulado brasileiro em 2024.

“O mercado de carbono, às vezes, tropeça, às vezes anda devagar, mas, ao mesmo tempo, ele sempre foi voluntário. A partir de 2024, no Brasil, começou a ser regulado”, afirmou.

Na avaliação de Rugai Marinho, a tendência é que o mercado brasileiro se conecte cada vez mais a mecanismos internacionais e a outros instrumentos ambientais e financeiros.

Brasil busca integração com grandes mercados

O executivo afirmou que o Brasil tenta ampliar a conexão de seu mercado de carbono com outras grandes economias.

“O Brasil quer fazer uma grande parceria com a China, vai ser um dos maiores mercados, quer fazer parceria com a União Europeia, está tentando ser um exportador de crédito de carbono”, disse.

Segundo ele, a experiência brasileira em outros setores mostra que o país tem capacidade para construir sistemas regulatórios complexos.

“A gente conseguiu regular o nosso mercado de energia, a gente conseguiu regular o nosso agro e eu acho que a gente vai conseguir também regular o nosso mercado de carbono”, afirmou.

Carbono não deve ficar isolado

Para Rugai Marinho, o fortalecimento desse mercado dependerá de uma integração maior com outros ativos ambientais.

“Eu entendo que a gente precisa vincular isso com outros ativos, não só crédito de carbono, mas colocar também biodiversidade, colocar uma remuneração por água, outras formas de remuneração a esses serviços ambientais”, afirmou.

O executivo também defendeu que empresas com práticas ambientais consideradas mais responsáveis possam ter vantagens no acesso ao financiamento.

“Se você tem uma unidade produtiva responsável, o seu acesso ao crédito no banco é um pouco mais barato”, exemplificou.

Segundo ele, combinar esses instrumentos pode aumentar a escala e a solidez do mercado.

Acordos internacionais já influenciam investimentos

Rugai Marinho afirmou que as negociações climáticas internacionais já produzem efeitos concretos sobre investimentos e políticas públicas no Brasil.

Ele citou as discussões recentes sobre o volume de recursos necessário para financiar a transição climática global, que passaram por referências de US$ 100 bilhões, US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões por ano, com uma ambição de chegar a US$ 1,3 trilhão anuais.

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Segundo o executivo, parte dessa agenda se reflete no Brasil por meio de iniciativas como o Eco Invest Brasil.

“Já foram cinco leilões no Brasil, que alocaram um pouco mais de R$ 100 bilhões para soluções de impacto positivo em clima, meio ambiente e biodiversidade”, afirmou.

Ele também apontou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões como resultado direto dos compromissos internacionais assumidos pelo país.

Clima deixa de ser apenas pauta política

Na avaliação de Rugai Marinho, a questão climática tende a se afastar progressivamente da disputa exclusivamente ideológica e ganhar peso econômico.

“A agenda ambiental e a pauta do clima, pouco a pouco, estão indo não exatamente para o centro, mas para uma discussão apolítica”, afirmou.

O executivo relacionou essa mudança à dependência da atividade econômica em relação aos recursos naturais.

No caso brasileiro, citou especialmente o agronegócio e sua exposição à disponibilidade de água e às condições climáticas.

“Os recursos naturais e a estabilidade climática são um pressuposto para uma economia com ritmo, uma economia saudável”, disse.

Eventos extremos ampliam pressão econômica

Rugai Marinho afirmou que o aumento da frequência de eventos climáticos extremos tende a acelerar a busca por mecanismos de mitigação e adaptação.

“Antigamente a gente tinha um a cada dez anos, passou para um a cada cinco anos, a gente já está vivendo alguns por ano”, disse.

Segundo ele, os impactos já chegam aos preços dos alimentos e à inflação.

“Essa insegurança climática, essa dificuldade de produzir, reflete em altos preços, reflete em uma insatisfação”, afirmou.

Para o executivo, esse cenário tende a aumentar a importância econômica de mecanismos que remunerem redução de emissões, preservação da biodiversidade e uso sustentável de recursos naturais.

“Eu entendo que vai passar a ser uma necessidade cada vez maior”, disse.

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