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Aluguel ou fabricação nacional? As estratégias para popularizar a moto elétrica no Brasil

Publicado 10/06/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Auper anunciou investimento de R$ 500 milhões em fábrica na cidade de Joinville (SC) para fabricar 20 mil veículos em 2027.
  • Já a Vammo aposta no aluguel de veículos para entregadores e quer chegar a 15 mil motos em São Paulo até o fim do ano.
  • Companhias apostam em tecnologia nativa para ganhar terreno diante das fabricantes tradicionais.
Moto elétrica

Divulgação

A presença de motos elétricas no país ainda é uma fração da de modelos a combustão em 2026, mas já representa um salto em relação a 2025. De acordo com a Fenabrave, foram mais de 210 mil motos convencionais emplacadas em abril, contra 2,7 mil modelos elétricos e híbridos somados.

No entanto, esse mercado vem ganhando tração no Brasil. Na comparação com o mesmo período de 2025, o emplacamento de modelos eletrificados subiu 389%.

Ainda incipiente, o setor elétrico sob duas rodas já chama a atenção de empresas que apostam na economia de combustível e na preocupação crescente da população com o meio ambiente para tornar esses veículos mais populares. Os modelos de negócios, porém, vão além do uso individual.

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Montadora aposta em produto 100% brasileiro

A aposta da Auper é na verticalização dos processos dentro do Brasil, ao contrário do movimento mais comum, que é importar tecnologia da China. A empresa, fundada pelos brasileiros Silvio Rotili Filho e Alan Callegaro e pelo americano David Ofori-Amoah, anunciou R$ 500 milhões em investimentos em uma fábrica própria na cidade de Joinville (SC).

O primeiro modelo feito foi chamado de Edição de Fundador. A moto tem motor de 98 cv e autonomia de 160 quilômetros, e teve tiragem limitada. O preço de entrada é de R$ 49.900. O executivo aponta que pretende crescer sem cortar caminhos, mas projeta a produção de 20 mil veículos na fábrica própria em 2027 e 50 mil em 2028.

O cofundador da empresa, Silvio Rotili Filho, explica que a opção visou garantir mais soberania e depender menos da inconstância da política externa.

“A gente considera muito perigoso economicamente para o país depender 100% de tecnologia e produtos de mercados externos. Nosso objetivo é fazer com que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima para se tornar um exportador de tecnologia, como a Embraer e a WEG”, afirmou.

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Vamos apostar no aluguel

Em um outro modelo de negócios, a Vammo aposta no aluguel de motos elétricas e quer atingir um outro público: os entregadores.

Um levantamento da Machine destaca o crescimento do uso de veículos elétricos por entregadores que atuam em plataformas de delivery. Apesar de ainda não ter chegado a 1% do total da frota, o número cresceu 10 vezes em um ano: de 0,02% para 0,2% em abril de 2026.

Atuando em 16 cidades da Grande São Paulo, a Vammo possui cerca de 7 mil motos em circulação. A plataforma também conta com mais de 700 estações de recarga, que são essenciais para o funcionamento da operação.

O CEO e cofundador da empresa, Jack Sarvary, aponta que a aposta no aluguel, e não na venda dos veículos, aconteceu pela necessidade de um investimento menor por parte do motociclista.

“Nosso público sempre foi o entregador, então, para convencê-los a aderir ao elétrico, não podíamos pedir para eles fazerem um investimento em um veículo novo. Então optamos pelo aluguel com um preço mais em conta”, afirmou. Outra peculiaridade do modelo é que o motociclista não carrega a bateria, mas sim troca o equipamento. O executivo explica que isso também foi uma escolha da companhia, já que o trabalhador não poderia ficar parado esperando a bateria ser carregada.

Hoje a empresa trabalha com planos que partem de R$ 159 por semana, além de um acréscimo de R$ 0,24 por quilômetro rodado.

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Questionado sobre uma possível entrada no varejo no futuro, Sarvary não descartou a possibilidade, mas afirmou que, no momento, a empresa quer crescer no modelo atual, que está dando certo.

Hoje a empresa aponta que 80% dos clientes são pessoas que trabalham com a moto, e 20% as usam para trajetos no dia a dia.

Atualmente a empresa recebeu um aporte de R$ 75 milhões da EXT Capital, que pode chegar a R$ 170 milhões até o final do ano, para aumentar a sua frota. O executivo aponta que o desejo é chegar a 15 mil veículos em São Paulo até o final do ano.

Desafios brasileiros

A realidade das motos elétricas no país precisa levar em conta não só o consumidor que a utiliza como transporte familiar, mas também os entregadores. De acordo com o Ipea, há 322 mil motociclistas que trabalham com entregas no Brasil.

O desafio das ruas brasileiras foi central na estratégia das duas companhias para desenvolver produtos específicos para o país. A Auper investiu em um sistema antirroubo nativo para os seus veículos por conta do alto número de roubos de motos no país, enquanto a Vammo apostou em um aplicativo facilitado para o entregador.

“O sistema antirroubo que desenvolvemos foi pensado especificamente para que o condutor não precise mais ter medo de ser assaltado, elevando o nível de segurança em um setor que, historicamente, permaneceu estagnado”, afirmou Rotili.

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