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Receita e PF miram grupo que movimentou R$ 1 bilhão na cadeia do dendê

Publicado 17/09/2026 • 10:59 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Operação Termidor investiga grupos empresariais que movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026.
  • Justiça determinou nove prisões, 25 buscas e o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões.
  • Investigação apura comércio ilegal de dendê, lavagem de dinheiro e possível participação de servidores da segurança pública.
Frutos de dendê

Achim Halfmann/Pixabay

Frutos de dendê; Operação Termidor investiga grupos empresariais suspeitos de atuar no comércio ilegal do fruto no Pará e de movimentar cerca de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026.

A Operação Termidor, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Receita Federal e pela Polícia Federal, investiga grupos empresariais suspeitos de atuar no comércio ilegal de dendê no Pará. A apuração também envolve suspeitas de furto, receptação, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Segundo a Receita, as empresas investigadas movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026.

Ao todo, são cumpridos 9 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão no Pará e em São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 153 milhões em bens e valores e suspendeu, por tempo indeterminado, as atividades de 11 empresas.

Os investigadores apontam ainda indícios de que recursos de origem legal e ilegal eram misturados nos negócios ligados ao dendê. A apuração também menciona possível participação de servidores da área de segurança pública do Pará.

Infográfico da Receita Federal sobre a Operação Termidor, com suspeitas de furto de dendê, lavagem de dinheiro e movimentação de R$ 1 bilhão.
Infográfico da Receita Federal resume os principais pontos da Operação Termidor, que investiga grupos suspeitos de atuar no furto e no comércio ilegal de dendê, na lavagem de dinheiro e na movimentação de cerca de R$ 1 bilhão. Receita Federal/Divulgação

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Operação cumpre mandados no Pará e em São Paulo

As buscas são realizadas em Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, no Pará, além de Indaiatuba, em São Paulo. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará.

A ação reúne equipes da Receita e da Polícia Federal. Participam 13 auditores-fiscais e analistas-tributários.

O material apreendido, incluindo documentos e equipamentos, será cruzado com dados fiscais e bancários para aprofundar a investigação.

Receita aponta movimentações incompatíveis

Os levantamentos fiscais identificaram movimentações financeiras superiores ao faturamento declarado pelas empresas investigadas.

Também foram encontrados pagamentos frequentes a fornecedores e beneficiários sem relação aparente com o setor do dendê, além de diferenças entre a capacidade econômica declarada pelos investigados e os valores efetivamente movimentados.

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Outra irregularidade apontada foi a comercialização de mercadorias sem o correspondente registro de entrada nos estoques.

Entre 2023 e 2026, as empresas movimentaram cerca de R$ 1 bilhão. Parte da origem e do destino desse dinheiro, segundo a Receita, não tinha comprovação documental e contábil.

Os investigadores também encontraram sinais de lavagem de dinheiro, como empresas abertas em nome de terceiros e patrimônio registrado em nome de outras pessoas.

Investigação começou com a “guerra do dendê”

A origem da apuração está na chamada “guerra do dendê”, registrada principalmente em Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia.

A região concentra produção intensiva de dendê e abriga comunidades indígenas e quilombolas.

Nesse contexto, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura criminosa armada dedicada ao furto, à receptação e à venda ilegal do fruto. O grupo também é suspeito de lavar o dinheiro obtido com essas atividades.

Justiça bloqueou R$ 153 milhões

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e R$ dos investigados, no valor de cerca de R$ 153 milhões.

As atividades econômicas de 11 empresas também foram suspensas por tempo indeterminado.

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