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Ouro perde força no curto prazo, mas segue como proteção em meio a tensões geopolíticas
Publicado 27/05/2026 • 06:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 27/05/2026 • 06:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O ouro subiu mais de 30% em um ano, mas perdeu força nos últimos dias. Agora, o metal opera em meio à cautela do mercado, que acompanha os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Para falar sobre o tema, conversamos com o economista e sócio da Don Investimentos, Thiago Calestini.
“Essa é uma pergunta que muita gente tem feito”, afirmou Calestini, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao comentar se o ouro estaria “perdendo brilho”. Segundo ele, o metal continua sendo um dos principais ativos defensivos do mercado e costuma se valorizar em períodos de tensão geopolítica. Ainda assim, o movimento recente foi de queda.
O economista explicou que o ouro passou por uma valorização muito intensa no fim de 2025 e início de 2026. Agora, o mercado ainda estaria absorvendo a desmontagem de posições acumuladas naquele período. “Os investidores ficaram receosos com a concentração desses contratos em poucos players. Havia medo de uma venda coordenada, que pudesse gerar perdas relevantes e comprometer a percepção do ouro como ativo de proteção”, disse.
Sobre o conflito entre Irã e Estados Unidos, Calestini afirmou que o cenário segue indefinido. “Aqui na Don, a gente até brinca chamando de ‘conflito de Schrödinger’. Quando parece que ele acabou, volta de novo”, afirmou.
Na avaliação dele, um eventual encerramento da guerra tende a reduzir a pressão positiva sobre o ouro. “Com a descompressão do risco, as bolsas globais provavelmente voltariam a performar melhor do que o metal”, disse. Nesse cenário, o ouro poderia perder os níveis atuais de preço, próximos de US$ 4.300 a US$ 4.400 por onça.
Por outro lado, caso o conflito se prolongue, o metal pode voltar a ganhar força. Segundo Calestini, a principal consequência econômica da guerra seria a pressão inflacionária causada pela alta do petróleo. “O ouro também funciona como proteção contra inflação. Então, se o mercado enxergar um período mais longo de preços elevados e inflação persistente, ele pode voltar a ser uma excelente proteção para as carteiras”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCO economista também destacou que o ouro ganhou um peso geopolítico adicional nos últimos anos, especialmente diante da perda de previsibilidade da política econômica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Segundo ele, diversos bancos centrais passaram a aumentar gradualmente suas reservas em ouro e reduzir exposição a ativos denominados em dólar.
“O dinheiro gosta de previsibilidade. Quando o governo americano gera mais incerteza, os investidores procuram ativos que historicamente preservam valor. E o ouro tem esse histórico há séculos”, afirmou.
Calestini ressaltou ainda que o ouro possui uma característica transnacional. “Ninguém é dono do ouro. Diferentemente do dólar, ele não depende diretamente da política econômica de um país específico”, disse.
Ao comentar a comparação entre ouro e criptomoedas como reserva de valor, o economista afirmou que o principal obstáculo para a substituição ainda é a falta de histórico e de previsibilidade das moedas digitais.
Segundo ele, o ouro mantém relações econômicas mais compreensíveis com outros ativos e com o próprio dólar. Já o Bitcoin, apesar da popularidade crescente, ainda seria um ativo difícil de modelar do ponto de vista econômico. “Nós, economistas, ainda não conseguimos traçar relações tão claras entre as criptomoedas e os demais ativos financeiros”, concluiu.
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