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FIEMG prevê impactos do tarifaço sobre exportações mineiras para os EUA

Publicado 14/07/2026 • 11:41 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • FIEMG alerta para a significativa desvantagem competitiva que os produtos mineiros enfrentarão em relação aos concorrentes internacionais em caso de efetivação do "tarifaço".
  • Estudo diz que, enquanto produto mineiro poderá ser taxado, concorrentes diretos que pagam alíquotas mais baixas ou estão totalmente isentos ganharão ampla vantagem de mercado.
  • Preocupação é redução de margens de lucro e perda de contratos estratégicos.

Os Estados Unidos decidem nesta quarta-feira (15) se vão confirmar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, apelidado de “Tarifaço”, que ameaça enfraquecer a posição de Minas Gerais como fornecedora global.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alerta que o maior risco não reside apenas na alta das alíquotas, que podem somar 37,5%, mas na severa desvantagem competitiva que os produtos mineiros enfrentarão em relação a concorrentes internacionais que receberão tratamento mais brando. O Palácio do Planalto trabalha com a forte possibilidade de as tarifas serem confirmadas.

Leia também: Às vésperas de decidir sobre tarifaço, EUA podem ampliar exceções à sobretaxa de 25% contra o Brasil

A avaliação pessimista ganhou força após declarações de Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, indicando que os dois países seguem distantes de um acordo comercial.

No entanto, diplomatas e negociadores brasileiros ainda buscam, de última hora, ampliar a lista de produtos isentos para mitigar o impacto econômico bilateral.

As barreiras em discussão decorrem de duas frentes de investigação de Washington. Em junho, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% especificamente sobre o Brasil por questões supostamente ligadas ao desmatamento ilegal, à pirataria e ao sistema Pix.

Além disso, os EUA propuseram uma taxa adicional de 12,5% para o Brasil e outras 59 nações por falhas no combate ao trabalho forçado, totalizando a cobrança cumulativa de 37,5%.

Leia também: Tarifas dos EUA elevam percepção de risco e reforçam necessidade de previsibilidade

O fantasma da desvantagem competitiva

O estudo do Centro Internacional de Negócios da FIEMG (CIN/FIEMG) aponta que a sobretaxa acumulada criará um abismo de preços. Enquanto o produto mineiro poderá ser taxado em até 37,5%, concorrentes diretos que pagam alíquotas de 10% ou 12,5%, ou que estão totalmente isentos, ganharão ampla vantagem de mercado.

Essa disparidade deve pressionar os exportadores do estado a reduzir margens de lucro ou perder contratos estratégicos.

A exposição mineira a essas tarifas está concentrada em uma pauta diversificada de bens industriais e matérias-primas.

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Os setores mais vulneráveis incluem ferro-gusa, pedras preciosas trabalhadas, disjuntores, sebo bovino, materiais refratários, mel natural, próteses, instrumentos médicos e ardósia.

O caso do ferro-gusa, insumo vital para a siderurgia americana, ilustra bem o cenário de desigualdade. Minas Gerais disputa o mercado dos EUA com Ucrânia, Canadá, Indonésia, Índia e África do Sul.

Se as taxas forem confirmadas, o ferro-gusa da Ucrânia entrará nos EUA com uma vantagem tarifária de até 37,5% em relação ao produto de Minas Gerais.

Impacto em equipamentos, mel e pedras preciosas

“A combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento”, diz Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG.

Ela destaca a urgência de negociação e regras claras para preservar os contratos vigentes.

O risco se estende ao setor de disjuntores, onde Minas compete com o México e países da União Europeia, que enfrentariam taxas de apenas 10%. Já no segmento de mel natural e pedras preciosas, a concorrência com países como Argentina, Vietnã e Austrália também será prejudicada, pois boa parte desses fornecedores não sofrerá a cobrança adicional de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil.

Leia também: Mais de 350 empresas e entidades podem ser prejudicadas caso tarifaço de 25% seja aprovado pelos EUA

FIEMG cobra urgência nas negociações

Diante do iminente anúncio, a FIEMG defende que o governo brasileiro intensifique a articulação diplomática com Washington.

A federação cobra clareza técnica sobre as regras de transição, prazos para o início das cobranças e se de fato haverá acumulação integral das alíquotas, visando proteger cargas que já estão em processo de embarque.

Mesmo que o Tarifaço seja chancelado neste dia 15, a indústria mineira monitora se haverá períodos de adaptação ou novas alterações nas listas de exceção de última hora. Até lá, as empresas exportadoras do estado operam sob forte clima de incerteza em relação aos custos e ao futuro de seus contratos no mercado norte-americano.

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