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Política fiscal de Lula pode levar Brasil à estagflação, alerta ex-diretor do BC
Publicado 31/10/2026 • 20:05 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 31/10/2026 • 20:05 | Atualizado há 42 minutos
KEY POINTS
A política fiscal do governo Lula pode levar o Brasil a um cenário de inflação elevada e crescimento econômico fraco caso não sejam adotadas medidas concretas para controlar os gastos públicos. O alerta é de Sérgio Goldenstein, mestre em Economia, ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central e sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia.
Para o economista, a forte reação negativa do mercado à reeleição de Lula não tem motivação ideológica, mas reflete a desconfiança dos investidores sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas.
“A questão não é ideológica, mas sim a percepção majoritária de que o desequilíbrio das contas públicas não será enfrentado de forma consistente”, afirma Goldenstein.
A avaliação ocorre após uma semana de perdas históricas no mercado brasileiro. O Ibovespa caiu 18,12% nos cinco pregões posteriores à eleição, enquanto as empresas listadas na Bolsa perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado. No mesmo período, o dólar disparou 9,04%, encerrando a sexta-feira (30) a R$ 5,44.
Segundo Goldenstein, a deterioração dos ativos brasileiros foi provocada pelo aumento da percepção de risco fiscal, agravada pela expansão dos gastos públicos e por declarações recentes de Lula que, na avaliação do economista, minimizam a necessidade de ajustes.
O principal temor é que a dívida pública continue crescendo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o tamanho da economia.
“Há uma grande desconfiança dos investidores com relação à política econômica”, afirma.
Goldenstein também considera insuficiente a sinalização do ministro Durigan de que o governo pretende perseguir o centro da meta fiscal, objetivo estabelecido para o resultado das contas públicas.
Segundo ele, cumprir o centro da meta deveria ser uma diretriz desde a criação das regras fiscais. Além disso, o economista avalia que o esforço anunciado não seria suficiente para estabilizar a dívida brasileira.
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Siga o Times | CNBC“Entregar o piso é uma espécie de ‘contabilidade criativa'”, critica.
Para Goldenstein, as exceções criadas nas regras fiscais também enfraquecem sua credibilidade. A recuperação da confiança dependeria da escolha de uma equipe econômica respeitada e, principalmente, de medidas efetivas para controlar as despesas.
“O que poderia acalmar o mercado seria a escolha de uma equipe econômica conceituada e, principalmente, a adoção de medidas fiscais sólidas e críveis, e não palavras ao vento”, afirma.
A disparada das taxas dos títulos prefixados do Tesouro Nacional, que registraram o maior salto diário desde 2005, também preocupa o economista.
Segundo Goldenstein, o movimento revela que investidores passaram a exigir juros maiores para financiar a dívida pública, diante do temor de deterioração das contas do governo. Ao mesmo tempo, a pressão sobre o dólar e as expectativas de inflação reduz o espaço para novos cortes da taxa básica de juros, a Selic.
Para a população, os efeitos podem aparecer no encarecimento do crédito, na alta dos preços e na perda de poder de compra. Empresas também podem enfrentar dificuldades para investir e contratar, contribuindo para uma desaceleração mais intensa da economia.
O cenário mais preocupante, segundo Goldenstein, é o de estagflação, quando a inflação permanece elevada mesmo com a economia estagnada ou crescendo pouco.
“Se a opção for pelo negacionismo econômico, sem o enfrentamento do desequilíbrio fiscal, caminharíamos a passos largos para um cenário de estagflação. Já vimos esse filme no governo Dilma e o final não é bonito”, alerta.
Para o economista, a saída depende de uma mudança concreta na condução da política fiscal, e não apenas de declarações para tranquilizar os investidores.
“As eleições já passaram. Vamos torcer para que o bom senso prevaleça”, conclui.
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