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Política Brasileira

Ofensiva comercial dos EUA contra o Brasil reflete interesses de gigantes da tecnologia, diz Trevisan

Publicado 05/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Leonardo Trevisan afirma que a pressão americana está ligada à defesa dos interesses das grandes empresas de tecnologia, que tiveram papel relevante no apoio político ao presidente dos EUA.
  • Segundo o economista, o embate envolve principalmente regulação de plataformas digitais, remoção de conteúdos e controle sobre discursos de ódio e desinformação nas redes sociais.
  • Trevisan também aponta o Pix como alvo de interesse das empresas americanas, argumentando que o sistema brasileiro reduz o acesso privado a dados financeiros e de consumo dos usuários.

O governo brasileiro passou a avaliar que as recentes medidas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil contam com participação direta do presidente dos EUA, Donald Trump. A mudança de percepção ocorreu após o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros e de uma publicação de Trump ao lado do senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais. Com isso, o Palácio do Planalto considera mais difícil uma eventual reversão das ações americanas.

Na avaliação do economista e professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan, as medidas adotadas por Washington vão além de questões comerciais e refletem interesses ligados às grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, ele afirmou que o apoio recebido por Trump durante sua campanha por executivos do setor ajuda a explicar a postura atual do governo americano.

Trevisan afirmou que as gigantes de tecnologia buscam reagir a iniciativas adotadas por países como Brasil, Canadá e membros da União Europeia para ampliar a fiscalização sobre conteúdos publicados em plataformas digitais. “Hoje as eleições não se fazem em outro lugar a não ser no celular”, disse. Para o professor, o debate envolve poder político e influência das redes sociais no processo eleitoral.

O especialista também argumentou que a insatisfação das plataformas está relacionada ao aumento de decisões judiciais que determinaram a remoção de conteúdos considerados ofensivos ou ilegais. Segundo ele, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o número de ações judiciais contra redes sociais cresceu de forma significativa. “É disso que eles estão reclamando”, afirmou.

Trevisan também citou o Pix como um dos pontos centrais da disputa. Na avaliação dele, o sistema brasileiro de pagamentos reduziu o espaço de atuação de empresas privadas interessadas não apenas nas transações financeiras, mas também nos dados gerados pelos usuários. “O verdadeiro lucro do cartão de crédito não está no processo de pagamento, está na piscina de dados”, declarou.

Apesar do aumento das tensões, integrantes do governo brasileiro ainda apostam nas negociações diplomáticas para evitar a implementação de tarifas mais elevadas sobre produtos nacionais. Para Trevisan, as pressões americanas fazem parte de uma estratégia mais ampla voltada à defesa dos interesses das empresas de tecnologia e do setor financeiro dos Estados Unidos. “O que lhes interessa já está garantido. O restante é objeto de negociação”, disse.

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