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Setor calçadista projeta queda de 7% nas exportações após confirmação de tarifaço; ‘penaliza brasileiros e americanos’

Publicado 16/07/2026 • 13:08 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) se manifestou, por nota, em resposta à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
  • A entidade relata preocupação, e estima queda média de 7,1%, ao final de 2026, para as exportações totais de calçados.
  • A média representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior.

Unsplash.

Tarifas dos EUA pressionam indústria calçadista e afetam projeções para 2025 e 2026.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) se manifestou, por nota, em resposta à nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A entidade relata preocupação, e estima queda média de 7,1%, ao final de 2026, para as exportações totais de calçados. O que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior.

Com o anúncio de nova tarifa sobre os calçados destinados aos Estados Unidos, principal destino do setor no exterior, e a consequente perda de competitividade tarifária frente produtos de outras origens naquele mercado, a Abicalçados revisou sua projeção para o ano. Após a queda da tarifa adicional de 40% em fevereiro deste ano, a projeção indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao final de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano.

Segundo a entidade, o setor calçadista não foi incluído na relação de produtos contemplados pelas exceções previstas na medida, apesar das manifestações apresentadas por entidades, empresas, importadores e varejistas dos Estados Unidos. A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A medida foi publicada no dia 15 de julho passará a ser aplicada a partir de 22 de julho de 2026.

A Abicalçados afirmou que também se manifestaram contrariamente à aplicação da tarifa sobre os calçados brasileiros representantes da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC Bernardo Footwear e Dillard’s Inc.

De acordo com o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, a decisão representa um retrocesso para uma relação comercial. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países.” explica.

Leia também: Tarifaço: com vestuário sobretaxado, setor têxtil fala em impacto em toda cadeia produtiva e nos postos de trabalho

Leia a nota na íntegra

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifesta preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, incluindo os calçados. A medida foi publicada no dia 15 de julho e passa a ser aplicada a partir de 22 de julho de 2026.

A decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Apesar das manifestações apresentadas por entidades, empresas, importadores e varejistas dos Estados Unidos, o setor calçadista não foi incluído na relação de produtos contemplados pelas exceções previstas na medida.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a decisão representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países.” explica.

Desde a publicação da proposta de medida, em 1º de junho, a Abicalçados atuou de forma técnica e institucional, em articulação com o Governo Federal, por meio do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC); Ministério das Relações Exteriores (MRE); e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), no que contou com o apoio técnico e institucional disponibilizado por meio de consultoria norte-americana; bem como com representantes da cadeia calçadista norte-americana. 

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No dia 7 de julho, a gerente de Relacionamento e Negócios da entidade, Letícia Sperb Masselli, participou da audiência pública promovida pelo USTR, em Washington, na qual apresentou argumentos técnicos consistentes sobre os impactos de uma eventual nova tarifa, tanto para a indústria calçadista brasileira quanto para o varejo e o consumo nos Estados Unidos, defendendo a exclusão dos calçados brasileiros da medida.

Também se manifestaram contrariamente à aplicação da tarifa sobre os calçados brasileiros representantes da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC Bernardo Footwear e Dillard’s Inc.

Argumentos levados à USTR
Durante a audiência, a Abicalçados destacou que o Brasil exerce um papel complementar e estratégico na cadeia de abastecimento dos Estados Unidos, atendendo segmentos que demandam maior flexibilidade produtiva, diversidade de modelos, prazos reduzidos de entrega,  e maior capacidade de resposta ao mercado.

Outro argumento apresentado foi que o calçado brasileiro representa uma alternativa estratégica para diversificar o fornecimento atualmente concentrado na Ásia, em um mercado estruturalmente dependente de importações. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno.

Para o executivo da entidade “o diferencial tarifário que se amplia entre o calçado exportado pelo Brasil e demais países exportadores reforçará a concentração das compras norte-americanas em origens já dominantes, especialmente asiáticas, em sentido contrário aos interesses dos Estados Unidos de diversificação, resiliência e segurança das cadeias de suprimentos”.

A Abicalçados entende que a aplicação de uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não contribui para enfrentar os temas objeto da investigação e reafirma que o diálogo técnico e diplomático continua sendo o caminho mais adequado para a construção de soluções que preservem as relações comerciais entre os dois países.

A entidade seguirá atuando junto ao Governo Federal, às autoridades norte-americanas e às entidades parceiras nos Estados Unidos para buscar alternativas que minimizem os efeitos da medida, preservem o fluxo comercial e fortaleçam a competitividade da indústria calçadista brasileira.

Revisão de expectativas
A projeção da Abicalçados, após a queda da tarifa adicional de 40% em fevereiro deste ano, indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao final de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano.

Com o anúncio de nova tarifa adicional sobre o calçado brasileiro destinado aos Estados Unidos, principal destino do setor no exterior, e a consequente perda de competitividade tarifária frente produtos de outras origens naquele mercado, a Abicalçados revisou sua projeção para o ano. A entidade estima queda média de 7,1%, ao final de 2026, para as exportações totais de calçados. O que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior.

Leia mais: Brasil irá reagir à nova tarifa dos EUA com Lei da Reciprocidade, diz Planalto

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