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“Reciprocidade não significa retaliação”, diz Alckmin; sobretaxa de 25% imposta por Trump entra em vigor na quarta (22)

Publicado 21/07/2026 • 21:00 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • Vice-presidente afirmou que o governo continuará negociando com os Estados Unidos e classificou a tarifa como “injusta”.
  • Governo avalia crédito, prorrogação do drawback e ajustes no Plano Brasil Soberano.
  • Ministro Márcio Elias Rosa disse que não há decisão sobre as propostas e que um novo cenário será conhecido após os anúncios americanos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (21), após uma reunião com representantes do setor produtivo, que a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser tratada como retaliação aos Estados Unidos.

Segundo Alckmin, o governo pretende manter as negociações com Washington e usar os instrumentos previstos em lei “no momento oportuno” e “da forma adequada”.

“A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho pode fazer com que os dois fiquem cegos. A reciprocidade é dizer: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou.

Alckmin classificou a tarifa americana como “injusta e totalmente descabida”. Ele destacou que os Estados Unidos registram superávit no comércio de bens e serviços com o Brasil e que a tarifa média brasileira sobre produtos americanos é de 3,1%.

“Dos dez produtos que eles mais exportam, sete têm tarifa zero”, disse.

Leia também: Abimaq rejeita retaliação de tarifas aos EUA e cobra crédito mais barato para indústria

Governo avalia crédito e prazo maior para exportadores

O vice-presidente afirmou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ouvir os setores afetados antes da definição das medidas.

Segundo Alckmin, os produtos atingidos pela Seção 301 representam cerca de 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, equivalentes a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Entre as demandas apresentadas pelas empresas estão a ampliação do acesso ao crédito, ajustes no Plano Brasil Soberano e a prorrogação dos prazos do drawback.

O drawback permite a suspensão ou isenção de tributos sobre insumos utilizados em produtos destinados à exportação. Com o cancelamento ou adiamento de pedidos, as empresas podem ser obrigadas a recolher esses impostos.

A proposta em análise é ampliar o prazo para que os produtos sejam destinados a outros mercados.

“Você pode dar mais seis meses ou mais um ano para recolocar esses produtos no mercado exterior”, afirmou Alckmin.

O governo também pretende reforçar a atuação da ApexBrasil na busca por novos destinos para os produtos brasileiros.

Novas medidas ainda não têm prazo

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O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo está elaborando um diagnóstico mais detalhado antes de anunciar novas medidas de apoio.

O levantamento cruzará os dados oficiais com as informações apresentadas pelas empresas sobre o impacto das tarifas na produção, nas exportações e no emprego. O quadro será levado ao presidente Lula, responsável pela decisão final.

“Não há uma data. Não será imediatamente, mas será no tempo certo”, afirmou.

O secretário-executivo disse que o governo acompanha dois momentos considerados decisivos: a possível divulgação, na sexta-feira, de uma tarifa adicional de 12,5% e a entrada em vigor da cobrança de 25% para bens em trânsito, prevista para o dia 29 de julho.

Segundo Elias Rosa, ainda não está claro se a eventual alíquota de 12,5% será cumulativa com os 25%.

“Nós só saberemos na sexta-feira. A partir daí, se desvenda um novo cenário”, afirmou.

Leia também: Tarifa de Trump acelera diversificação das exportações brasileiras, avalia professor da FGV

Negociação será retomada

Elias Rosa afirmou que o governo pretende retomar as negociações com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que prepara medidas para amenizar os efeitos sobre os setores atingidos.

“A medida tomada pelos Estados Unidos é indevida, injusta e descabida. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano e o custo”, disse.

O secretário-executivo também defendeu a diversificação dos mercados. Segundo ele, cerca de 2 mil empresas receberam apoio da ApexBrasil no último ano, e 74% já acessam outros destinos comerciais.

“Não significa que tenham substituído o mercado americano, mas já estão acessando outros mercados”, afirmou.

Elias Rosa disse ainda que viajará à Índia nas próximas semanas para ampliar o diálogo comercial e buscar oportunidades para os setores atingidos pelas tarifas.

“A negociação é possível e será retomada. Ao mesmo tempo, precisamos buscar novos parceiros para esses setores”, afirmou.

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