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Entenda como a Venezuela pode movimentar bilhões para a indústria brasileira
Publicado 19/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 19/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A Venezuela tem potencial para se transformar novamente em um mercado bilionário para empresas brasileiras, mas a recuperação das relações econômicas dependerá da reconstrução do país e da criação de garantias para investidores. A avaliação é de Alexandre Pires, professor de Economia do Ibmec-SP, ao comentar a missão de empresários brasileiros que desembarcou em Caracas para avaliar novas oportunidades de negócios.
Segundo o economista, a grave crise econômica venezuelana interrompeu anos de esforços de aproximação comercial entre os dois países, mas a nova fase política abre espaço para a retomada das relações.
“A Venezuela é um grande importador de praticamente tudo. O que ela tem para exportar é petróleo. Alimentos, produtos farmacêuticos, automóveis, equipamentos e máquinas são amplamente importados, e o Brasil tem capacidade de competir nesses segmentos”, destacou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (18).
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Pires considera que o intercâmbio comercial entre os dois países está muito abaixo do seu potencial. Em 2025, as trocas comerciais somaram cerca de US$ 837 milhões (R$ 4,32 bilhões).
Para o professor, o volume atual representa apenas uma fração do que poderia ser movimentado entre duas economias vizinhas. “Oito centenas de milhões de dólares é uma ninharia. A Venezuela tem potencial para movimentar dezenas de bilhões de dólares em comércio com o Brasil”, afirmou.
Segundo ele, setores como alimentos, indústria farmacêutica, máquinas e equipamentos tendem a liderar a retomada dos negócios caso a recuperação econômica venezuelana avance.
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O especialista também vê oportunidades para empresas brasileiras ligadas à cadeia de petróleo e gás.
Embora considere improvável uma retomada imediata de grandes projetos conjuntos, Pires lembra que existe uma ampla rede de fornecedores especializados que pode se beneficiar da recuperação da indústria energética venezuelana.
“Existe toda uma indústria em torno do petróleo. Máquinas, equipamentos, perfuração de poços e serviços especializados. O Brasil possui muito conhecimento nessa área”, observou.
Ele ressalta, porém, que o petróleo venezuelano apresenta características semelhantes ao produzido em parte das reservas brasileiras, exigindo investimentos complexos em refino. “São projetos de maturação longa e que certamente estarão na mesa das negociações”, acrescentou.
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Apesar do potencial econômico, Pires afirma que a principal preocupação dos investidores continua sendo a segurança jurídica.
Segundo ele, experiências anteriores na América do Sul deixaram empresários cautelosos em relação a mudanças políticas que possam comprometer investimentos realizados no exterior.
“A grande questão é quais garantias serão dadas para evitar problemas como expropriações ou descumprimentos de contratos. Esse é o principal ponto de atenção para o Brasil”, explicou.
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O professor citou casos anteriores envolvendo investimentos brasileiros em países vizinhos que acabaram afetados por mudanças de governo e de política econômica.
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Seguir no GoogleNa avaliação de Pires, a atual presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, têm conduzido uma transição marcada por maior pragmatismo econômico.
Para ele, a postura adotada pelas novas lideranças tem sido bem recebida pelo setor privado.
“Eles estão aceitando essa nova realidade com bastante pragmatismo. Para os empresários, isso é uma situação positiva e favorece um momento de maior integração e aproximação”, avaliou.
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Ainda assim, o economista pondera que o avanço das relações econômicas dependerá também da posição dos Estados Unidos em relação à reinserção da Venezuela nos mercados internacionais.
Pires acredita que uma recuperação consistente da economia venezuelana poderá impulsionar fortemente a demanda por produtos brasileiros nos próximos anos.
“A Venezuela tem enorme potencial para absorver produtos da indústria brasileira. A grande esperança é que o país consiga levar adiante sua reconstrução”, concluiu.
Segundo ele, o desafio permanece relevante diante do êxodo provocado pela crise dos últimos anos, que levou entre 6 milhões e 7 milhões de venezuelanos a deixarem o país em busca de melhores condições de vida.
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