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NVIDIA postou mensagem misteriosa no X e o mercado de laptops nunca mais vai ser o mesmo
Publicado 31/05/2026 • 12:00 | Atualizado há 20 minutos
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Publicado 31/05/2026 • 12:00 | Atualizado há 20 minutos
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Três empresas, uma mensagem: as coordenadas apontavam para Taipé, mas o destino era o mercado de laptops
Na sexta-feira (29), os perfis oficiais da NVIDIA, da Microsoft e da Arm no X publicaram exatamente a mesma mensagem, com um intervalo de horas entre si, como se tivessem combinado o timing com a precisão de quem ensaia uma coreografia: "A new era of PC. 25.0528, 121.5990."

Só isso. Nenhum produto, nenhum nome de chip, nenhuma data explícita. Apenas uma frase em inglês e dois números.
Jogados no Google Maps, esses números apontam direto para o Taipei Music Center, o auditório onde Jensen Huang, o CEO da NVIDIA de jaqueta de couro e dicção de pregador, faz seu keynote da GTC Taipei na segunda-feira (1º), um dia antes de a Computex 2026 abrir oficialmente as portas para os 1.500 expositores que transformam a cidade numa das semanas mais movimentadas do calendário da tecnologia global.
🔍 Taipé é a capital de Taiwan, a ilha que fabrica a maior parte dos chips avançados do mundo, graças à TSMC, a empresa que coloca no silício os projetos da NVIDIA, da Apple e de praticamente todo gigante da tecnologia. A Computex, realizada anualmente na cidade, é a maior feira de hardware de PC do planeta e o palco onde as grandes empresas costumam anunciar o que vai chegar às lojas nos próximos meses.
O que as coordenadas escondiam era o N1X, o primeiro chip da NVIDIA projetado especificamente para laptops Windows, construído em parceria com a MediaTek, com CPU ARM de 20 núcleos, GPU Blackwell com 6.144 núcleos CUDA e até 128 GB de memória unificada.
Este será o chip que vai botar a NVIDIA dentro da bolsa das pessoas pela primeira vez em décadas de domínio nos servidores.
O N1X é construído num processo de 3 nanômetros da TSMC e combina dois chiplets numa arquitetura 2.5D: um die de CPU desenvolvido pela MediaTek e um die de GPU baseado na arquitetura Blackwell, conectados a 300 GB/s de largura de banda bidirecional pela interconexão NVLink C2C da própria NVIDIA.
🔍 Die é o nome dado à pastilha de silício onde os transistores são gravados. Quando um chip combina dois dies em um único pacote, como faz o N1X, significa que duas peças de silício distintas, cada uma otimizada para uma função diferente, trabalham juntas como se fossem uma só, com velocidade de comunicação muito superior à de chips separados em uma mesma placa.
O resultado é um chip com 20 núcleos ARM numa configuração híbrida, dez de alto desempenho e dez de eficiência, com uma GPU de 6.144 núcleos CUDA, o mesmo número de shaders do RTX 5070 desktop, e até 128 GB de memória LPDDR5X unificada entre CPU e GPU.
A palavra que muda tudo nessa lista de especificações é "CUDA". Não é qualquer sigla técnica: é o ecossistema de software que a NVIDIA construiu ao longo de vinte anos e que hoje é o idioma nativo de praticamente toda pesquisa em inteligência artificial do mundo.
Com CUDA nativo em um laptop, pesquisadores e desenvolvedores que hoje dependem de GPUs em nuvem para cargas de inferência sérias poderão rodar tudo isso localmente, em hardware portátil, pela primeira vez.
Antes mesmo de Jensen Huang subir ao microfone, Dell, Lenovo, ASUS e MSI já se organizam para lançar os primeiros laptops com o N1X.
A Lenovo foi a mais indiscreta: seu sistema interno de autenticação foi flagrado referenciando um "NVIDIA N1x Portal", confirmando que a empresa trabalha ativamente na plataforma. A Dell tem um XPS embargado com o chip pronto. A ASUS postou um teaser do ProArt que não deixa dúvida.
E a Lenovo Legion 7 aparece listada com um adaptador de 245 watts em registros de carregadores vazados, o que sugere que a versão gamer do N1X não vai economizar na voltagem.
🔍 O chip tem um irmão mais novo, chamado simplesmente de N1, voltado para laptops mais finos e baratos, enquanto o N1X mira o topo da prateleira. A distinção é parecida com o que a Qualcomm faz com seu Snapdragon X2 Elite e X2 Plus, que chegaram ao mercado no início de 2026 como a segunda geração do esforço da empresa para dominar o Windows on ARM. A diferença é que o Qualcomm não tem CUDA.
A Qualcomm foi pioneira no Windows on ARM com o Snapdragon X Elite e depois o X2 Elite, numa aposta que não gerou a ruptura que a empresa esperava, mas estabeleceu uma alternativa real aos processadores x86 da AMD e da Intel.
A empresa convenceu a Microsoft a investir em compatibilidade, arrumou as arestas dos drivers ao longo de dois anos, construiu um mercado que antes não existia e agora vê a NVIDIA aparecer com a infraestrutura de software mais valiosa do setor e dizer, sem cerimônia: "Obrigado pelo trabalho, vamos entrar".
Os drivers gráficos da Qualcomm sempre foram um ponto fraco para aplicações mais exigentes e para jogos. A NVIDIA chega com décadas de maturidade de driver. Não é exatamente uma disputa de igual para igual.
O chefe da divisão Windows e Surface da Microsoft, Pavan Davuluri, já adiantou que "algo novo está chegando para desenvolvedores" e deixou claro que não se trata de uma nova versão do sistema operacional. Tudo aponta para hardware, possivelmente um Surface com N1X, o que seria a movida mais ousada da linha Surface em anos.
O anúncio formal acontece na segunda-feira (1º), às 11h, no horário de Taipé. Os primeiros laptops com N1X de Dell, Lenovo, ASUS e MSI devem chegar ao mercado antes do fim de 2026, com disponibilidade mais ampla no início de 2027.
O que as coordenadas 25.0528, 121.5990 apontavam, no fundo, não era só para um auditório em Taipé. Era para o momento em que a NVIDIA decidiu que dominar os servidores que alimentam a internet não era suficiente. Estamos aguardando a próxima jogada do jaquetinha.
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