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Swarovski aos 130 anos: reposicionamento, controle e a construção de desejo em escala global
Publicado 17/04/2026 • 06:38 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 17/04/2026 • 06:38 | Atualizado há 2 meses
Wikimedia Commons
A empresa adotou uma linguagem estética mais contemporânea, mantendo elementos clássicos, mas com uma abordagem renovada.
Aos 130 anos, a Swarovski não está celebrando apenas sua história. Está operando um reposicionamento. Com receita estimada entre €1,6 e €1,8 bilhão anuais e presença em mais de 2.300 lojas no mundo, a marca conduz, desde 2020, uma transformação estrutural que combina herança, controle e atualização cultural.
O movimento começa pela gestão. Mesmo sendo uma empresa familiar fundada em 1895 e ainda controlada pela quinta geração da família Swarovski, a marca avançou na profissionalização da operação com a entrada de Alexis Nasard (ex-Heineken) como CEO e, pela primeira vez na história, a criação de uma diretoria criativa global. O nome escolhido foi Giovanna Engelbert.
Vinda da Vogue Italia e com forte atuação no universo editorial e de styling para marcas como Prada, Fendi e Chanel, Engelbert assume a Swarovski em 2020 com um papel claro: reposicionar a marca.
A partir daí, as mudanças são estruturais:
Não é estética. É estratégia. A Swarovski passa a operar menos como marca de produto e mais como marca de imagem e presença.
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Esse movimento se reflete diretamente na operação. A marca reduziu canais de venda, fechou pontos pouco estratégicos e passou a priorizar lojas próprias e experiências mais controladas. O objetivo: aumentar margem, elevar ticket médio e qualificar o público.
É uma lógica clara de luxo contemporâneo: menos volume, mais valor. Segundo a Bain & Company, o mercado global de luxo ultrapassa €1,5 trilhão, com crescimento sustentado principalmente por novas gerações de consumidores mais conectadas à cultura do que à tradição. A Swarovski responde a isso com precisão.
A exposição “Masters of Light – Hollywood”, apresentada em Los Angeles, marca esse momento. Mais do que retrospectiva, funciona como reposicionamento.
Ao ocupar Hollywood um dos maiores centros globais de imagem e narrativa, a marca reforça sua presença em um circuito cultural de alta visibilidade. Peças icônicas, como o vestido de Marilyn Monroe, deixam de ser arquivo e passam a operar como ativos de marca. Não é memória. É permanência.
A colaboração com Ariana Grande aprofunda essa estratégia. Com mais de 380 milhões de seguidores, a artista não atua apenas como rosto de campanha, mas como vetor de distribuição cultural.
A coleção, com estética mais leve, orgânica e próxima de um imaginário contemporâneo, dialoga diretamente com uma nova lógica de consumo onde luxo se conecta com identidade visual, redes sociais e replicação de imagem. Aqui, o produto é apenas parte do sistema.
Sob a direção de Giovanna Engelbert, a Swarovski passa a operar em dois níveis simultâneos:
Essa articulação é o que sustenta relevância. Segundo a McKinsey, marcas com consistência cultural capturam mais valor ao longo do tempo especialmente entre consumidores mais jovens. A Swarovski se posiciona exatamente nesse ponto.
No Brasil, esse movimento encontra um mercado em expansão. O setor de luxo movimenta entre R$ 70 bilhões e R$ 90 bilhões anuais, segundo Bain e Euromonitor, com crescimento sustentado pelo consumo local. Marcas que operam com coerência entre produto, imagem e experiência ampliam vantagem competitiva.
Foi nesse contexto que recebi, nos estúdios do Times Brasil - licenciado exclusivo CNBC, Flavia Borghi, Head de Marketing LATAM da Swarovski, para aprofundar essa estratégia e falar sobre os 130 anos da marca. A entrevista completa está disponível no nosso canal.
A Swarovski não está reinventando seu produto. Está reorganizando sua presença. E, ao fazer isso, mostra com clareza o que sustenta uma marca no mercado de luxo contemporâneo: controle de imagem, consistência e capacidade de circular culturalmente em escala. Aos 130 anos, o ativo central não é tempo. É presença.
Entrevistei a Head de Marketing Latam da Swarovski nos estúdios do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC e essa entrevista você assiste aqui.
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