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Pesquisa inédita expõe o maior erro do turismo com o viajante 60+
Publicado 13/05/2026 • 08:15 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 13/05/2026 • 08:15 | Atualizado há 50 minutos
Divulgação
Ana Carolina Kuwabara, fundadora do Expo Forum de Turismo 60+
Uma pesquisa inédita do Data8 deve surpreender os profissionais que atuam no mercado de produtos e serviços voltados ao viajante brasileiro com 60 anos ou mais. Realizado com apoio do Ministério do Turismo, o estudo foi divulgado durante o 2026 Expo Fórum de Turismo 60+, realizada nesta semana.
Foram entrevistadas 1.012 pessoas de diferentes regiões e classes sociais do País e concluiu-se que três em cada quatro viajantes 60+ sentem que os roteiros e destinos turísticos não são pensados para sua idade.
Isso significa que há uma fortuna sendo deixada sobre a mesa. A chamada Economia Prateada é movida por um contingente que acumula maturidade, recursos e autonomia para gastar conforme suas preferências. Hoje, o potencial de consumo desse público é de mais de R$1,5 trilhão e deve atingir R$3,8 trilhões em 2044.
Em 2050, o Brasil será a sexta nação mais velha do mundo, com a população 60+ ocupando parcela crescente e decisiva do mercado consumidor, inclusive no turismo.
Para 61% dos entrevistados na pesquisa “Turismo 60+: o Brasil que viaja depois dos 60 anos", o turismo ideal combina três elementos: liberdade para escolher o próprio ritmo, segurança real e conforto físico genuíno.
Não se trata de lazer ocasional, mas de uma forma de exercer a independência conquistada, buscar novas experiências e viver com liberdade esta fase da vida.
Eles preferem manhãs livres, a possibilidade de almoçar no hotel ou explorar a cidade e uma programação sem pressa. Querem saber que o destino é seguro, mas sem abrir mão do controle sobre as próprias escolhas. Valorizam cama confortável, boa iluminação, silêncio e café da manhã incluído. Nada de glamour ostentatório. O foco está na funcionalidade pensada para quem não tolera mais improvisos.
O viajante brasileiro 60+ viaja com frequência. Segundo a pesquisa, 78% fazem pelo menos duas viagens por ano. Também têm poder de compra relevante: 47% gastam mais de R$ 10 mil por ano em viagens, e 25% ultrapassam R$ 20 mil.
Entre os viajantes das classes AB, predomina a preferência pelo pagamento parcelado no cartão de crédito. Na classe C, a hospedagem em resorts all inclusive aparece com destaque.
Outro dado importante: 87% dos entrevistados têm flexibilidade de datas, o que ajuda a ocupar hotéis fora da alta temporada. E esse público já está digitalizado: 48% usam aplicativos, plataformas e até inteligência artificial para pesquisar e planejar suas viagens.
No entanto, apesar de dominar a tecnologia, a conversão da venda não é automática (leia mais em).
Acima dos 60 anos, o comportamento digital avança até o penúltimo clique. Antes de concluir a compra, 66% preferem contar com uma opção de contato direto com o vendedor ou com o apoio de um familiar mais jovem para reduzir incertezas. “Agências e hotéis, por exemplo, precisam oferecer carrinho de compra compartilhado em seus sites. Muitas vezes, o viajante tem medo de clicar sozinho e confirmar. Ele quer mostrar para um filho, um neto, pedir ajuda de quem está longe. Aí ele diz: ‘entra lá na minha compra, vê se está tudo certo e clica para mim’”, alerta Adriana de Queiroz, sócia do Data8 e especialista em longevidade.
A pesquisa também revela diferenças importantes de gênero. As mulheres acima de 60 anos viajam mais do que os homens. Entre eles, 76% viajam com o cônjuge. Entre elas, 60% também viajam em grupos de amigas, com filhas ou netos. No destino, as mulheres demonstram maior interesse por descobertas, aprendizado e experiências culturais, preferência apontada por 89% das entrevistadas. Já os homens valorizam mais silêncio e tranquilidade: 25%, ante 15% entre as mulheres.
Para atrair o turista da economia prateada, o estudo indica alguns caminhos:
O turismo 60+ oferece muitas oportunidades para quem entender primeiro como esse público quer viajar. Há espaço para desenvolver diferenciais competitivos voltados a consumidores que pagam bem, viajam com frequência e ainda esperam por empresas capazes de compreendê-los de verdade. No fim, o maior erro do setor talvez não seja ignorar esse viajante, mas presumir que já sabe o que ele deseja.
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