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Intercâmbio para adultos: o mercado 50+ da Economia Prateada
Publicado 24/08/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
Divulgação
Denis Buzzi Boehm, Country Manager da EF
Rosana Sara viu a filha embarcar para um ano de estudos em Florença. Assim que a filha voltou, tomou a decisão que vinha adiando: "Quando ela retornou, eu tive esse clique. Agora sou eu que vou. Já fiz tanta coisa por tanta gente, que decidi que tinha chegado a hora de fazer alguma coisa por mim", conta. Aprender italiano era um sonho antigo e assim, aos 64 anos, a paulistana foi passar uma temporada de estudos em Trastevere, em Roma. O programa terminaria em junho, mas ela gostou tanto que prorrogou até setembro.
É uma história de realização pessoal, mas repare no que a sustenta: Rosana chegou à maturidade com tempo, autonomia e capacidade financeira para transformar um sonho antigo em decisão de compra.
A Economia Prateada, como já mostrei na estreia desta coluna, é essa combinação de capital, tempo e critério convertida em poder de consumo. E onde há poder de consumo, há oportunidade de negócio.
A EF Intercâmbios, por onde Rosana contratou a temporada em Roma, não divulga matrículas por idade, mas descreve um cliente distinto do intercambista tradicional: "São estudantes que chegam com objetivos mais definidos e buscam uma experiência que combine aprendizado, vivência cultural e autonomia", diz Denis Buzzi Boehm, country manager da EF no Brasil. O público 50+, na leitura dele, incorporou o estudo no exterior aos projetos de vida.
Os números internos descrevem a composição do perfil 50+ da própria EF. Nessa base, as mulheres passaram de 56% em 2025 para 61,73% em 2026. Boehm as vê impulsionadas por "projetos pessoais que, por diferentes razões, foram adiados ao longo da trajetória profissional ou familiar". Sobre os destinos preferidos, Malta saltou de 20% para 29,14%, à frente de Nova York, Manchester e Roma. Programas com duração de quatro semanas concentram 29,56% das matrículas, mas há também experiências mais curtas ou mais longas. Cada cliente encaixa a viagem na rotina que já tem.
A EF oferece programas de 2 a 52 semanas, turmas reduzidas e atividades atreladas à gastronomia, à história e ao bem-estar fora da classe. “Para esse público, o intercâmbio vai além da sala de aula", resume Boehm.
Já a STB vende o programa Silver Foxes, para maiores de 40. A CI oferece o Live & Learn 40+, e a EC mantém em Malta um programa exclusivo para maiores de 50. Juntas, as quatro empresas mostram que o intercâmbio para o público maduro já constitui um nicho reconhecível: uma oportunidade de negócio com nome e passaporte.
No mercado amplo de educação internacional, o setor movimentou R$ 7 bilhões em 2025, alta nominal de 27,3%, segundo a Belta, associação brasileira das agências de intercâmbio. Ainda não há abertura pública desse valor por idade.
Nelson Nogueira, advogado de 55 anos, de São Paulo, estuda inglês em Manchester, em programa de cinco meses. A temporada ficou de pé porque uma equipe toca o escritório no Brasil e ele acompanha à distância. Montar essa estrutura de suporte levou décadas de carreira.
A maioria dos brasileiros chega à maturidade sem esse lastro. Em 2026, o salário mínimo, que também define o piso dos benefícios do INSS, é de R$ 1.621. Na base de dados de 2018 analisada pela FGV Social, pessoas com 65 anos ou mais compunham 17,44% dos 5% mais ricos e 1,67% dos 5% mais pobres. Nenhum mercado premium serve à média; serve a quem acumulou. Mas, numa população de 33 milhões de pessoas 60+, a caminho de 75 milhões em 2070, até uma minoria é uma multidão ávida por consumo.
Os dados disponíveis ainda não permitem medir o peso do aluno 50+ nas matrículas ou no faturamento do setor. Mas programas com nome próprio em diferentes empresas do setor mostram que esse cliente entrou no radar. O intercâmbio já converte tempo, recursos e objetivos definidos em demanda. Dificilmente será o único setor a fazê-lo.
Na próxima coluna, vamos conversar com Mônica Vargas, superintendente de Parcerias e Mercado do CIEE, que analisa a demanda e a oferta de vagas para estagiários 50+ e as oportunidades que empresas de olho na Economia Prateada vêm abraçando.
Gilmara Espino é mestre em gestão, palestrante e professora de MBA. Presidente da GPeS Comunicamos Saúde e colunista de Economia Prateada do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC. linkedin.com/in/gilmaraespino
Sim. Grandes agências brasileiras e escolas internacionais mantêm programas para o público 40+/50+, como o Silver Foxes (STB), o Live & Learn 40+ (CI) e o EC Escapes Malta, para maiores de 50, além dos programas da EF Intercâmbios, com duração flexível de 2 a 52 semanas, turmas reduzidas e atividades culturais.
Nos dados internos da EF de 2026, quatro semanas concentram 29,56% das matrículas do público 50+. Há também experiências de duas, três, seis, até 52 semanas.
O mercado amplo de educação internacional movimentou R$ 7 bilhões em 2025, crescimento nominal de 27,3% sobre os R$ 5,5 bilhões de 2024, segundo a Pesquisa Nacional Selo Belta. Não há divulgação pública consolidada do faturamento por faixa etária.
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