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Da TV aberta ao TikTok: como a Copa do Mundo mudou a mídia esportiva no Brasil

Publicado 17/05/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Taça da Copa do Mundo

Foto: Reuters

A Copa do Mundo ocupa um papel central na indústria midiática brasileira desde a consolidação da televisão como principal meio de comunicação de massa no país. O torneio funciona como um catalisador de audiência, publicidade e circulação de conteúdo em diferentes plataformas. Em anos de Mundial, emissoras abertas, canais esportivos, portais, rádios e redes sociais reorganizam grades, estratégias comerciais e operações jornalísticas para atender ao interesse do público. O evento também altera hábitos de consumo e redefine prioridades editoriais durante semanas.

A televisão aberta segue como a principal beneficiada pelo impacto comercial da Copa do Mundo. Globo, SBT e outras redes ampliam investimentos em transmissões, programas especiais e cobertura jornalística para disputar audiência e anunciantes. O torneio costuma elevar o valor das cotas publicitárias, especialmente em jogos da seleção brasileira. Marcas de diferentes setores aproveitam a visibilidade do evento para lançar campanhas nacionais, o que transforma a Copa em um dos períodos mais lucrativos para o mercado publicitário brasileiro.

Nos últimos anos, entretanto, o impacto da Copa passou a atingir de maneira mais intensa o ambiente digital. Plataformas de streaming, redes sociais e canais independentes começaram a disputar espaço com os veículos tradicionais. Durante a Copa de 2022, por exemplo, influenciadores esportivos e canais no YouTube registraram crescimento expressivo de audiência com transmissões alternativas, reacts e conteúdos em tempo real.

O crescimento das plataformas digitais também modificou o comportamento do público. Parte da audiência passou a acompanhar jogos enquanto comenta lances em redes sociais como X, Instagram e TikTok. Esse fenômeno ampliou o alcance do torneio e transformou a experiência coletiva da Copa em uma atividade simultânea entre televisão e internet. Emissoras passaram a integrar conteúdos multiplataforma para manter relevância diante de um consumidor mais fragmentado e acostumado à interação constante.

Além do aspecto comercial, a Copa influencia diretamente a produção jornalística. Redações deslocam equipes internacionais, ampliam cobertura ao vivo e criam conteúdos especiais sobre política, economia, comportamento e cultura relacionados ao torneio. O evento ultrapassa o campo esportivo e se transforma em pauta transversal. Questões como direitos humanos, gastos públicos, turismo e diplomacia costumam ganhar espaço paralelo à cobertura das partidas.

O impacto da Copa também afeta a programação de entretenimento. Novelas, realities e programas de auditório frequentemente adaptam horários por causa dos jogos. Em alguns casos, emissoras suspendem atrações temporariamente ou criam edições especiais ligadas ao clima do torneio. A estratégia busca evitar queda de audiência e aproveitar o engajamento nacional em torno do futebol. Historicamente, o Mundial provoca mudanças relevantes na dinâmica de consumo televisivo.

Outro fator importante está relacionado aos direitos de transmissão. A disputa entre empresas de mídia pelo torneio movimenta bilhões de reais e redefine relações comerciais no setor. Nos últimos ciclos, grupos como Globo, Cazé TV e plataformas digitais passaram a competir por diferentes formatos de exibição. O cenário demonstra uma mudança estrutural na indústria midiática brasileira, que deixou de depender exclusivamente da televisão aberta para distribuir grandes eventos esportivos.

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