CNBC

CNBCBolsas de Nova York sobem com expectativa de juros estáveis; S&P 500 registra melhor semana desde abril

Raphael Coraccini

Petrobras estrangula pagamento de dividendos mesmo com lucros recordes

Publicado 07/08/2026 • 19:32 | Atualizado há 5 horas

Foto de Raphael Coraccini

Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

A distribuição dos dividendos da Petrobras não tem acompanhado o aumento dos lucros da petroleira. Impulsionada pelo preço do petróleo, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, o terceiro maior resultado trimestral nominal de sua história, segundo a Elos Ayta. Contudo, o pagamento dos dividendos foi proporcionalmente modesto. 

Durante a divulgação dos seus resultados na última quinta-feira (6), a companhia anunciou pagamento de R$ 17,4 bilhões a serem realizados entre outubro e novembro. O pagamento não está nem entre os maiores dos últimos anos. Desde 2020, a Petrobras pagou dividendos mais robustos por mais de 10 vezes, mesmo com lucros menores, com destaque para os anos de 2021 e 2022. No terceiro trimestre de 2022, a empresa pagou impressionantes R$ 111 bilhões em dividendos, o que a colocou como uma das maiores distribuidoras de proventos do planeta. 

Em 2026, a distribuição de dividendos está mais lenta que a da média dos últimos anos. Somando o anúncio dos segundo e primeiro trimestres, os pagamentos somam R$ 36,7 bilhões. Os pagamentos precisariam ser acelerados daqui em diante para alcançar a distribuição dos anos anteriores. Mas é possível que novos pagamentos simplesmente não aconteçam neste ano, considerando que a Petrobras não sinalizou pagamentos de dividendos extraordinários para 2026

Com a míngua gradual dos dividendos enquanto há uma disparada dos lucros, a perspectiva é a de que a Petrobras possa reforçar seu potencial de investimento, especialmente em áreas de menor know-how, o que sempre assusta os investidores. Tanto que o preço das ações despencaram nesta sexta, com perdas de quase 3% no pior momento do pregão. 

A preocupação aumenta quando a Petrobras cogita entrar em setores como o de distribuição de combustível, como já foi cogitado pela presidente, Magda Chambriard, isso por conta da possível queima de caixa nesse segmento em detrimento de maior distribuição. Mais do que aumentar os investimentos, preocupa uma mudança de paradigma na estatal, com pagamentos estruturalmente menores, ainda que isso custe dinheiro a menos para o caixa do governo, controlador e maior beneficiário dos proventos da estatal brasileira. 

Para quem é adepto do modelo desenvolvimentista, as notícias podem soar agradáveis, com a Petrobras reassumindo o poder de fomentar setores na economia brasileira e puxar o bonde de um processo de tentativa de reindustrialização do país, como aconteceu ao longo dos governos PT 1, 2, 3 e 4, interrompido pelos desdobramentos da Lava Jato, que levaram a uma queda abrupta dos lucros e um novo modelo de governança, que passou a privilegiar os pagamentos de proventos.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Raphael Coraccini