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Cenário eleitoral já pesa no Ibovespa e atrai capital estrangeiro, diz economista-chefe da Way Investimentos
Publicado 08/09/2026 • 22:01 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 08/09/2026 • 22:01 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A disputa eleitoral já exerce forte influência sobre o Ibovespa e contribui para a volta de investidores estrangeiros ao mercado brasileiro, afirmou Alexandre Espírito-Santo, economista-chefe da Way Investimentos. Em entrevista nesta terça-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que a mudança nas pesquisas presidenciais passou a ser incorporada diretamente aos preços dos ativos.
“Totalmente”, respondeu Alexandre ao ser questionado pela âncora Christiane Pelajo se o cenário eleitoral já estava pesando significativamente sobre o Ibovespa. Segundo ele, a mudança ocorreu rapidamente depois de um período de forte deterioração do mercado.
O economista destacou que as pesquisas passaram a mostrar uma trajetória de melhora de Flávio Bolsonaro, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta perda de apoio popular. Na avaliação de Alexandre, embora o cenário permaneça indefinido, esse movimento passou a alimentar expectativas dos investidores.
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“Há uma tendência de melhora do Flávio porque ele está numa curva ascendente, enquanto o incumbente, o atual presidente, está numa curva descendente”, afirmou.
Além das eleições, a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus desdobramentos na Polícia Federal entrou no radar dos investidores. Para Alexandre, o conflito transmite uma mensagem negativa sobre o Brasil, ainda que o funcionamento das instituições seja um contraponto importante.
“Eu acho que vem com maus olhos. Isso é uma sinalização ruim que nós damos para o mundo. Tem um aspecto importante de que as instituições estão funcionando, mas, sem dúvida, essa briga interna […] é muito ruim, na minha visão, sob qualquer ótica”, afirmou.
Segundo o economista, o problema ultrapassa a esfera institucional porque começa a ser associado pelos agentes financeiros à própria disputa política.
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“Minha visão é que a gente não pode ter uma crise que vem ali do Poder Judiciário que acabe impactando nos mercados financeiros. Isso é ruim”, ressaltou.
Alexandre avaliou que investidores passaram a relacionar os diferentes lados do conflito no Judiciário a campos políticos antagônicos. Com a corrida presidencial mais apertada, essa leitura também acaba incorporada às decisões de investimento.
O economista lembrou que, poucas semanas antes, o Ibovespa havia chegado perto de apagar os ganhos acumulados no ano. O movimento ocorreu depois de vendas expressivas realizadas por investidores estrangeiros, que retiraram parte significativa dos recursos anteriormente direcionados ao Brasil.
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Segundo Alexandre, o cenário começou a mudar à medida que as pesquisas eleitorais passaram a indicar uma disputa mais equilibrada.
“De uma hora para outra, tudo isso muda, porque voltou o dinheiro estrangeiro, muito suportado por essa melhora nas pesquisas, e até, como eu mencionei, por esse imbróglio lá no Supremo”, explicou.
A eleição brasileira, entretanto, não é a única razão para o retorno desses recursos. Alexandre afirmou que existem motivos relacionados aos próprios Estados Unidos que podem levar investidores globais a aumentar a diversificação em mercados emergentes.
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“De fato, existem, sim, razões para os investidores estrangeiros estarem considerando uma realocação como fizeram lá no início do ano”, afirmou.
Entre os fatores externos, Alexandre citou as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e a preocupação com a inflação americana.
“A situação de inflação nos Estados Unidos é muito preocupante, extremamente preocupante”, destacou. Segundo ele, o mercado trabalha com probabilidade superior a 50% de aumento dos juros pelo Federal Reserve na próxima reunião.
Uma política monetária mais apertada poderia afetar as bolsas americanas, que estão próximas das máximas históricas e foram impulsionadas principalmente pelas grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial.
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Outro fator é o petróleo. “O preço do petróleo voltou hoje a flertar com US$ 100, o Brent. E isso bate muito fortemente na inflação”, explicou Alexandre. Para ele, há possibilidade de a política monetária americana ficar ainda mais restritiva, prejudicando o mercado acionário dos Estados Unidos.
Por isso, mesmo que o quadro eleitoral brasileiro volte a mudar, o economista considera possível que o fluxo estrangeiro para o Brasil continue, impulsionado também pela necessidade de diversificação das carteiras internacionais.
Apesar da melhora recente dos ativos brasileiros, Alexandre afirmou que a situação fiscal continua sendo uma questão central para os investidores.
“Os mercados querem uma mudança na situação, no panorama fiscal. Eles querem uma nova âncora fiscal”, afirmou. Segundo ele, o atual arcabouço fiscal não conseguiu conquistar respaldo suficiente dos agentes financeiros.
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Na avaliação do economista, uma mudança nessa área é necessária para permitir que o Banco Central reduza os juros de maneira sustentável, apoiado pelas condições macroeconômicas e não apenas por pressão política.
“O mercado deseja uma mudança de âncora fiscal para que a gente possa ver o nosso Banco Central reduzir o juro, mas reduzir o juro não no porrete, não na vontade, e sim com as devidas condições macroeconômicas”, explicou.
Alexandre também chamou atenção para a trajetória da dívida pública. Segundo os números citados por ele durante a entrevista, a relação dívida-PIB passou de 72% no início do atual mandato para cerca de 82%, caminhando para 83%.
“Os investidores estrangeiros, e nós também, desejamos uma mudança de âncora fiscal. Isso é condição sine qua non para que a gente possa reduzir de forma sustentável a taxa de juros”, concluiu.
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