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Crise no STF: insegurança jurídica já afasta investidor estrangeiro do Brasil, diz economista Jason Vieira

Publicado 08/09/2026 • 18:05 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Jason Vieira afirma que a possibilidade de alternância de poder virou um “trade” no mercado diante das preocupações com o cenário fiscal.
  • Renda fixa segue como principal destino dos recursos em meio à proximidade das eleições e à busca por segurança.
  • Economista projeta corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom, seguido por uma pausa.

A insegurança jurídica se tornou um dos principais fatores de preocupação para investidores estrangeiros no Brasil e já contribuiu para a saída de parte do capital externo do país, avaliou Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Vieira afirmou que os desdobramentos envolvendo o Banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal reforçam uma percepção de fragilidade das regras, com potencial para afetar decisões de investimento de longo prazo.

“A segurança jurídica talvez seja o maior fator para o investidor estrangeiro agora, porque, nessa percepção deles, o dinheiro fica fragilizado no país”, afirmou.

Segundo o economista, investidores passam a avaliar não apenas questões políticas ou eleitorais, mas a previsibilidade das decisões judiciais e o risco de mudanças de entendimento que atinjam negócios já realizados.

“De vez em quando, no Brasil, sequer o passado é certo. Nós temos uma incerteza em relação ao passado aqui no Brasil e que afetou investimentos estrangeiros”, disse.

Leia também: OAB-SP e 25 entidades cobram apuração pública da crise no STF e defendem ampla reforma do Judiciário

Eleição virou um “trade” para o mercado

Vieira afirmou que, no curto prazo, a corrida presidencial ganhou peso crescente na formação dos preços dos ativos brasileiros.

Segundo ele, investidores passaram a trabalhar com a possibilidade de uma mudança de governo e seus potenciais efeitos sobre a política fiscal.

“A alternância de poder começa a se tornar um trade no mercado, dada a proximidade da eleição”, afirmou.

Na avaliação do economista, discursos do governo sobre gastos e dívida pública aumentaram a preocupação com a trajetória fiscal e ajudaram a ampliar o peso do cenário eleitoral nas decisões de investimento.

Uma eventual mudança de governo, segundo Vieira, poderia levar o mercado a antecipar um fechamento da curva de juros e tornar investimentos de maior risco mais atraentes.

Já a continuidade do atual governo, diante das sinalizações fiscais que ele identifica, tenderia a manter pressão sobre os vencimentos mais longos dos juros.

Renda fixa segue como preferência

Nesse ambiente, Vieira afirmou que clientes da Lev Intelligence têm buscado mais segurança nas alocações.

“O Brasil, no atual momento que estamos passando, principalmente em períodos eleitorais, acaba tendo a renda fixa como principal mote de investimentos”, disse.

Segundo ele, uma eventual redução das taxas de juros poderia mudar essa composição e aumentar a atratividade da renda variável.

“Se houver uma alternância de poder, a perspectiva é que voltem os investimentos para renda variável e para investimentos mais arriscados, até porque a renda fixa vai ficar menos atraente”, afirmou.

Vieira ressaltou, porém, que o cenário dependerá tanto do resultado eleitoral quanto da evolução da percepção sobre segurança jurídica no país.

Crise no STF pode afetar investimento de longo prazo

Para Vieira, a crise envolvendo o Supremo ganha relevância econômica quando passa a levantar dúvidas sobre a estabilidade das regras para empresas e investidores.

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O economista afirmou que parte do capital estrangeiro já reduziu exposição ao Brasil diante desse tipo de preocupação.

“Muitos investidores estrangeiros temem colocar dinheiro no Brasil por conta da insegurança jurídica que isso traz”, disse.

Segundo ele, o impacto de longo prazo dependerá da evolução política e institucional após a eleição.

Vieira citou episódios anteriores de intervenção em setores regulados como exemplos de decisões capazes de produzir efeitos duradouros sobre a percepção de risco do país.

Copom deve cortar 0,25 ponto e depois pausar, projeta

No cenário de juros, Vieira espera que o Comitê de Política Monetária faça mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic.

“O Copom deve cortar pelo menos mais 0,25 ponto percentual”, afirmou.

Segundo ele, indicadores de atividade começaram a responder ao nível elevado dos juros, inclusive em segmentos como serviços.

Apesar disso, a composição da inflação ainda exige cautela.

“O qualitativo dessas inflações ainda não permite uma aventura por parte do Banco Central de simplesmente disparar a cortar juros”, disse.

A projeção da Lev Intelligence é de que o próximo IPCA registre queda de cerca de 0,27%, influenciada pelo bônus de Itaipu. Vieira ressaltou, porém, que esse efeito tende a ser revertido no mês seguinte.

Para o economista, o cenário aponta para um corte moderado seguido de interrupção do ciclo.

“Provavelmente vai ser o último corte da autoridade monetária agora nesse 0,25 e, provavelmente, uma pausa”, afirmou.

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Fed deve manter juros, mas alta segue no radar

Nos Estados Unidos, Vieira avalia que o Federal Reserve enfrenta uma combinação difícil de inflação persistente, pressões sobre energia e mercado de trabalho ainda aquecido.

A expectativa principal, segundo ele, é de manutenção dos juros na próxima reunião.

“A perspectiva, pelo menos agora, é de que não haja uma elevação de juros”, disse.

Vieira, contudo, não descarta um novo aperto monetário ainda neste ano.

“Nada indica que não vai haver uma elevação de juros. Existe a perspectiva de que este ano, pelo menos na última reunião, o Fed tenha que subir pelo menos 0,25 ponto percentual”, afirmou.

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