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TIMES | CNBC LAWINFRA: Juros altos pesam mais que reeleição de Lula no setor elétrico, afirma Sérgio Leverdi

Publicado 29/10/2026 • 17:27 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Sérgio Leverdi avalia que queda das elétricas reflete a alta dos juros esperados, e não mudanças nos contratos de concessão.
  • CEO do Lawinfra afirma que a continuidade regulatória favorece o setor, mas financiamentos mais caros reduzem a atratividade.
  • Leilão de transmissão de sexta-feira (30) será teste do apetite de investidores por projetos de longo prazo, segundo Leverdi.

A alta dos juros esperados, e não uma mudança nas regras dos contratos, explica a forte queda das ações de empresas elétricas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou Sérgio Leverdi, CEO do Lawinfra, em entrevista ao quadro TIMES | CNBC LAWINFRA, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (29). Para o especialista, o mercado retirou rapidamente o prêmio que havia incorporado às cotações diante da expectativa de alternância de governo.

“Houve um ajuste na expectativa, não nos contratos. O mercado deu de prêmio em outubro 10% de aumento para essas empresas quando se esperava que haveria uma troca de governo. E depois, quando isso não aconteceu, tirou todo esse prêmio em um dia”, afirmou Leverdi. Segundo ele, as elétricas sofreram perdas médias de cerca de 30% na sessão posterior à eleição.

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O executivo explicou que, embora as concessionárias operem com receitas reguladas e contratos de longo prazo, os juros projetados afetam o valor econômico desses compromissos. “O mercado percebeu que esse contrato deixou de ter o mesmo valor por conta dos juros altos que se presumem que virão ou que continuarão aumentando”, disse.

Continuidade regulatória e custo de financiamento

Na análise de Leverdi, a reeleição não representa, por si só, uma ameaça jurídica ao setor elétrico. Ele citou a reforma conduzida pelo governo, a abertura gradual do mercado livre para consumidores até 2028 e a agenda de leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “É boa, porque há uma continuidade”, afirmou.

O CEO destacou que rupturas regulatórias costumam surgir por medidas provisórias, alterações legislativas durante a tramitação de projetos ou decisões judiciais que interrompam licitações. “A princípio, não é esse o cenário que nós temos visto nesses últimos dias”, avaliou.

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O principal entrave, segundo ele, está na natureza intensiva em capital dos empreendimentos. “Quando você vai construir redes de transmissão ou usinas termoelétricas, você tem um prazo de três a cinco anos e coloca bilhões de capital nesse período, esperando por décadas para receber esse dinheiro de volta”, explicou. Com financiamento mais caro, o retorno esperado dos projetos fica pressionado.

Leilão de transmissão testa interesse do mercado

O leilão de transmissão previsto para sexta-feira (30), com investimentos próximos de R$ 9 bilhões, será um termômetro para o setor, segundo Leverdi. O certame envolve sete linhas em sete estados e mais de 1.800 quilômetros de extensão, conforme os números apresentados pelo entrevistado.

“Risco jurídico nenhum, porque o edital já está consolidado, já foi revisto pelo TCU”, afirmou, ao mencionar a análise do Tribunal de Contas da União. Para ele, o deságio oferecido pelos participantes será o principal indicador: descontos expressivos mostrariam disposição de investir em contratos estáveis, enquanto propostas próximas aos valores de referência poderiam refletir o impacto da piora das condições financeiras.

Política fiscal e leilão de baterias no radar

Até o fim do ano, Leverdi recomenda atenção à política fiscal, à composição do Ministério de Minas e Energia, à coordenação com a Aneel e às consultas públicas sobre os efeitos da reforma tributária nos contratos do setor. “Primeiro olhamos para a Fazenda, porque nós esperamos que a política fiscal venha a favorecer a diminuição dos juros”, disse.

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Outro evento relevante será o leilão de baterias previsto para dezembro. Para o executivo, a combinação entre previsibilidade das regras e condições de financiamento determinará a disposição dos investidores. “Segurança jurídica é infraestrutura. […] Nós precisamos agora não só olhar para a segurança jurídica, que aparentemente está mantida, mas também para o custo do capital, para o tamanho dos juros”, concluiu.

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