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Agro

Otávio Lopes: agro está menos preparado para riscos que mais preocupam o setor

Publicado 09/06/2026 • 19:48 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Estudo da EY aponta mudanças climáticas como o risco de maior preocupação para o agro em 2026.
  • Otávio Lopes diz que eventos extremos exigem respostas mais rápidas das empresas do setor.
  • Dependência de fertilizantes e concentração de mercados ampliam exposição do agro a riscos geopolíticos.

As mudanças climáticas e a instabilidade geopolítica estão entre os riscos mais relevantes para o agronegócio brasileiro, mas também aparecem como áreas em que as empresas do setor ainda têm baixo nível de preparação. A avaliação é de Otávio Lopes, sócio-líder de Agro da EY para a América Latina e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Lopes comentou o estudo Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro 2026, desenvolvido pela EY com lideranças do setor no Brasil. O levantamento mapeia os principais temas que impactam o agro e avalia o grau de prontidão das empresas para enfrentá-los.

Segundo ele, os riscos climáticos apareceram no topo da lista nas duas últimas edições da pesquisa. A diferença, agora, é que o estudo passou a medir também o nível de preparação das organizações.

“O que a gente vê é que as empresas vêm em um processo de preparação para lidar com esses cenários de riscos climáticos, eventos extremos”, disse.

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Clima exige resposta rápida

Lopes afirmou que o agronegócio brasileiro já adota práticas importantes para reduzir a exposição ao clima, como adequação genética, manejo e uso do zoneamento agrícola de risco climático. Ainda assim, parte das variáveis segue fora do controle das empresas.

Ele citou regiões com alta recorrência de perdas na safra de soja, como o Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, há uma safra perdida a cada quatro, e o Paraná, com uma a cada seis.

“O agronegócio está exposto a elas”, afirmou, ao citar geadas, chuva no período errado e excesso de chuva. “Essa variação é que traz uma necessidade de uma resposta talvez mais rápida, que talvez seja o déficit de preparo que ainda exista.”

No curto prazo, o Notável disse que a prática mais viável para reduzir riscos é seguir o zoneamento agrícola de risco climático. Isso inclui respeitar recomendações sobre quando plantar, quando colher e qual variedade usar para cada tipo de solo e microrregião.

“Isso reduz a sua exposição ao risco. E, com a redução de exposição ao risco, você consegue melhor se enquadrar, por exemplo, no seguro agrícola”, afirmou.

Segundo Lopes, desvios em relação ao zoneamento têm contribuído para reduzir a cobertura de seguro agrícola em algumas áreas.

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Geopolítica ganha peso no agro

Outro ponto de preocupação é a geopolítica. Lopes afirmou que, na pesquisa de 2022, fatores geopolíticos ainda não tinham a relevância observada hoje.

O Notável disse que o recorte do novo estudo foi feito antes de alguns eventos recentes que aumentaram a percepção de risco, como tensões no Oriente Médio, discussões sobre o Estreito de Ormuz, impactos sobre fertilizantes e tarifas impostas pelos Estados Unidos.

“Talvez se esse risco fosse medido agora, ele tivesse impacto muito mais alto na nossa escala”, disse.

Para Lopes, a baixa preparação do setor está ligada à dependência de insumos estratégicos, especialmente fertilizantes, e à concentração de mercados compradores.

“A gente ainda tem uma dependência muito grande de fornecimento, por exemplo, no caso de fertilizantes”, afirmou. “Se a gente quer ser o celeiro do mundo e depende de fertilizantes vindo de uma região só, isso demonstra um risco altíssimo.”

Na ponta das exportações, o Notável citou a concentração de produtos e destinos como outro fator de vulnerabilidade.

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“Quando a gente está vendendo, concentração de mercados e concentração em produtos também oferecem um risco extremo para a gente”, disse.

Tecnologia, dados e logística

Apesar dos riscos, Lopes afirmou que o agro brasileiro tem feito parte relevante do dever de casa, especialmente em manejo agrícola e sustentabilidade.

Para ele, o país precisa dar mais transparência ao mercado sobre suas práticas produtivas.

“A forma como a gente roda um agronegócio sustentável é um exemplo. Acho que a gente precisa mostrar isso, dar mais transparência para o mercado sobre as nossas práticas agrícolas”, afirmou.

O Notável disse que, para lidar melhor com riscos geopolíticos e climáticos, as empresas precisarão se tornar mais ágeis. Isso deve exigir mais tecnologia, inteligência de dados e revisão da estrutura logística.

“Na questão de geopolítica, a gente precisa fazer um dever de casa de tornar as organizações mais ágeis para que elas possam navegar nesse mercado turbulento”, disse.

Lopes também defendeu maior presença internacional das companhias brasileiras do setor.

“No comércio exterior, a gente precisa de mais empresas multinacionais brasileiras no agronegócio”, afirmou.

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