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Kátia Abreu: plano da China reforça oportunidades para proteína brasileira, mas exige ganhos de competitividade
Publicado 09/07/2026 • 16:19 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 09/07/2026 • 16:19 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A estratégia da China para ampliar sua segurança alimentar não reduz o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos, mas aumenta a necessidade de elevar a competitividade e a qualidade da produção nacional. A avaliação é da ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, em sua participação no quadro “Momento Agro” desta quinta-feira (9).
“O Brasil não precisa ficar apavorado com o novo plano quinquenal chinês. Precisa ficar atento. A China planeja no longo prazo, executa seus projetos e cabe a nós aproveitar as oportunidades que surgem com essas mudanças”, afirmou.
Segundo Kátia Abreu, os planos quinquenais fazem parte da estratégia de desenvolvimento da China há cerca de 70 anos e são tratados como políticas de Estado, com metas, orçamento e acompanhamento permanente.
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Ela lembra que o presidente Xi Jinping transformou a segurança alimentar em uma das principais prioridades do atual planejamento, reforçando o tema de forma recorrente em seus discursos.
Apesar do objetivo de ampliar a produção doméstica, a ex-ministra afirma que a China continuará dependente de grandes exportadores agrícolas, principalmente em produtos que exigem grandes extensões de terra, como soja e carne bovina.
“A China produz hoje mais alimentos do que o Brasil, mas consome praticamente tudo. Ela tem apenas 8% das terras agricultáveis do planeta e cerca de 6% da água doce, enquanto o Brasil reúne condições naturais extraordinárias para expandir sua produção”, explicou.
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Segundo ela, o governo chinês pretende elevar a produção agrícola de aproximadamente 714 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030, além de aumentar para 85% a autossuficiência na produção de sementes.
Ao mesmo tempo, o país criou um sistema de cotas para importação de carnes, administrado pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), que prevê tarifas adicionais para compras realizadas acima dos volumes estabelecidos.
Na avaliação de Kátia Abreu, a menor necessidade relativa de importações fará com que os chineses se tornem compradores ainda mais seletivos.
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“À medida que a China reduzir parte das compras externas, ela ficará mais exigente. Vai escolher a melhor soja, a melhor carne, os produtos produzidos com mais tecnologia e menor interferência química. Cabe ao Brasil melhorar continuamente sua performance”, destacou.
Ela acrescenta que alternativas como proteínas produzidas em laboratório ainda enfrentam resistência dos consumidores e dificilmente substituirão, no curto prazo, a carne bovina natural.
“Depois desse movimento global de valorização dos alimentos naturais, não será simples substituir carne por proteínas sintéticas. Ainda existem muitas controvérsias em torno dessa tecnologia”, afirmou.
A ex-ministra destaca que o maior potencial para o Brasil está justamente no crescimento do consumo chinês.
Segundo ela, cada chinês consome cerca de 8 quilos de carne bovina por ano, enquanto o americano consome aproximadamente 40 quilos e o brasileiro cerca de 25 quilos.
“Se cada chinês aumentar apenas dois quilos por ano no consumo de carne, a demanda adicional será gigantesca. Imagine se esse consumo dobrar. O mundo inteiro terá de ampliar sua produção para atender esse mercado”, observou.
Ela faz comparação semelhante com o café, lembrando que o consumo ainda é muito baixo na China.
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“O chinês ainda bebe poucas xícaras de café por ano. Se esse hábito crescer de forma consistente, a produção mundial dificilmente será suficiente para atender essa demanda. O Brasil tem oportunidades enormes pela frente, desde que continue investindo em produtividade, qualidade e competitividade”, concluiu.
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