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Recuperação judicial no agro não significa quebra, mas cenário exige atenção
Publicado 19/08/2026 • 17:44 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/08/2026 • 17:44 | Atualizado há 1 hora
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A disparada dos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais revela dificuldades financeiras em parte do agronegócio, mas não significa que essas empresas estejam quebrando, segundo Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito Empresarial e do Agronegócio. Para ele, o instrumento deve ser entendido como uma forma de reorganização diante de um cenário que combina diferentes fatores econômicos, climáticos e de crédito.
Em entrevista nesta quarta-feira (19) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Moraes ressaltou que o avanço dos pedidos precisa ser colocado em perspectiva. “Primeiramente, é importante nós deixarmos claro que se trata de uma crise financeira que acomete um número relevante de produtores rurais, mas que não se trata de empresas quebrando. A recuperação judicial é um instrumento de reorganização”, explicou.
Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais passaram de 470 somente no primeiro trimestre de 2026, uma alta de quase 22% em relação ao mesmo período de 2025.
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Segundo Moraes, não existe uma única explicação para as dificuldades enfrentadas pelo setor. O quadro exige observar simultaneamente diferentes elementos capazes de pressionar a situação financeira dos produtores.
“A conjuntura demanda a análise de fatores diversos que influenciam nesse momento em que nós estamos”, afirmou. O especialista lembrou ainda que o crescimento das recuperações judiciais não começou neste ano: “Em 2025, em meados de 2025, então segundo e terceiro trimestres, nós tivemos indicadores com níveis de pedidos de recuperação judicial maiores do que os que foram enfrentados no primeiro trimestre deste ano.”
Entre os elementos que ajudam a explicar o cenário estão as condições climáticas e a avaliação de risco para a concessão de financiamento. “Clima, risco, avaliação de crédito, concessão de crédito também compõem esse momento de crise, relativamente uma crise financeira enfrentada por alguns produtores de algumas regiões”, pontuou Moraes.
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Siga o Times | CNBCPara o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, Moraes avalia que o agronegócio pode seguir por três caminhos, dependendo principalmente das condições de crédito, dos resultados da produção e do comportamento do clima.
“O acompanhamento de alguns indicadores é fundamental para que o mercado atravesse este momento”, afirmou. No cenário mais favorável, haveria maior concessão de crédito e cumprimento dos objetivos das safras, colheitas e da pecuária, reduzindo a percepção de risco das instituições financeiras.
“Isso naturalmente haveria uma concessão maior de crédito com a redução de risco para os bancos”, explicou.
Um segundo cenário seria intermediário, com a continuidade de problemas concentrados em determinados segmentos. “Algumas empresas e alguns setores poderiam atravessar ainda alguma certa dificuldade, envolvendo inclusive alterações climáticas”, avaliou.
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O terceiro cenário traçado por Moraes é mais adverso e considera a possibilidade de o agronegócio, de maneira mais ampla, não alcançar as metas estabelecidas para o período.
Nesse caso, dois elementos ganhariam peso: a dificuldade de pagamento de financiamentos anteriores e novos problemas climáticos. Segundo Moraes, esse quadro poderia ocorrer principalmente diante da “inadimplência em relação a créditos anteriormente obtidos” e de acontecimentos climáticos capazes de interferir diretamente na produção.
A evolução dessas variáveis será, portanto, determinante para definir se o atual avanço das recuperações judiciais ficará concentrado em determinados produtores e regiões ou se as dificuldades financeiras do agronegócio ganharão maior dimensão entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.
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