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Armani prepara venda de 15% e negociações com LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica
Publicado 28/09/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/09/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Armani se prepara para avançar em uma das maiores mudanças de sua história. O grupo italiano deverá iniciar, nas próximas semanas, negociações formais com LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica para discutir a venda de uma participação inicial de 15% na companhia.
As informações fazem parte de uma apuração do Financial Times, que ouviu pessoas próximas à Armani e aos três grupos apontados por Giorgio Armani como potenciais investidores.
O estilista, que durante décadas protegeu a independência da empresa, determinou em testamento que seus herdeiros vendessem uma participação inicial de 15% no prazo de 18 meses após sua morte, em setembro de 2025.
A estrutura da operação ainda não está definida. Uma das possibilidades discutidas é dividir a participação entre mais de um investidor, abrindo espaço para a entrada simultânea de diferentes grupos no capital da Armani.
Leia também: Bernard Arnault, CEO da LVMH, cria conta no X para desmentir briga entre herdeiros
O CEO Giuseppe Marsocci afirmou neste domingo (27) que os 15% não precisam necessariamente ficar nas mãos de um único comprador e que ainda não há uma decisão sobre o formato da transação.
LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica chegam às negociações em posições bastante diferentes.
L’Oréal e EssilorLuxottica já mantêm relações comerciais de longa data com a Armani e têm interesse direto na preservação desses negócios.
A L’Oréal é responsável pela operação de beleza da marca, em uma parceria válida até 2050. Já a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, mantém contrato para produção e distribuição dos óculos Armani até 2038.
A proximidade ajuda a explicar por que os dois grupos foram incluídos entre os compradores preferenciais definidos pelo estilista.
No caso da L’Oréal, a prioridade estaria na proteção do negócio de perfumes e cosméticos. Embora o grupo francês já tenha realizado investimentos em empresas de moda, como a Jacquemus, sua atuação permanece concentrada principalmente na indústria da beleza.
A EssilorLuxottica, por sua vez, vem direcionando parte relevante de sua estratégia para tecnologia médica e para a expansão nos Estados Unidos, o que reduziria o interesse em assumir uma posição de controle em uma casa de moda.
A LVMH aparece como o potencial investidor com maior experiência direta na administração de marcas de luxo, mas a Armani também apresenta características diferentes das principais maisons do conglomerado francês.
Parte relevante das vendas do grupo italiano está concentrada em moda e em faixas de preço inferiores às praticadas pelas principais marcas da LVMH. Já os acessórios, segmento de margens mais elevadas no setor, ainda têm participação menor nos negócios da Armani.
Ainda assim, a LVMH demonstrou interesse em participar do processo, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões.
Uma das alternativas consideradas prevê que os 15% sejam divididos entre LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica. O desenho permitiria que os três grupos ocupassem uma posição no capital da companhia sem que nenhum deles precisasse assumir, neste primeiro momento, sozinho uma participação relevante.
Uma pessoa próxima às negociações resumiu a situação ao Financial Times afirmando que, embora nenhum dos grupos demonstre disposição para realizar imediatamente um investimento de grande porte, também há interesse em não ficar de fora do processo.
As conversas formais estavam inicialmente previstas para começar em junho, mas foram adiadas enquanto a Armani reorganizava sua estrutura interna. A expectativa agora é que avancem entre o fim de setembro e o início de outubro.
O preço deverá ser um dos principais pontos das negociações.
Pessoas próximas à companhia mencionam uma avaliação de aproximadamente € 10 bilhões para a Armani. Do outro lado da mesa, potenciais investidores trabalham com números consideravelmente menores, entre € 3 bilhões e € 7 bilhões, segundo a apuração.
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Siga o Times | CNBCA diferença evidencia a complexidade para se chegar a um acordo.
Além das marcas Giorgio Armani e Emporio Armani e da linha de alta-costura Armani Privé, o grupo reúne negócios de hotelaria, restaurantes e decoração, além das operações licenciadas de beleza e óculos.
O valor da empresa, portanto, não depende apenas das vendas registradas diretamente pela divisão de moda, mas também da força global da marca e de sua capacidade de gerar receitas em diferentes categorias.
Se nenhum dos compradores preferenciais, ou outro investidor considerado adequado, chegar a um acordo com a Armani, o testamento prevê uma abertura de capital como alternativa.
As negociações avançam em um momento de desaceleração da companhia e de parte do mercado global de luxo.
A receita da Armani caiu 2,8% em 2025, para € 2,19 bilhões, depois de já ter recuado cerca de 5% no ano anterior.
Apesar da queda nas vendas, a rentabilidade melhorou. O Ebitda avançou 3,2%, para € 153 milhões, favorecido por medidas de redução de custos e pelo desempenho mais forte da Armani Privé.
O cenário aumenta a pressão sobre a nova gestão para encontrar fontes adicionais de crescimento em um setor marcado por consumidores mais seletivos e menor ritmo de expansão.
Uma das apostas da companhia está nos acessórios, categoria tradicionalmente associada a margens mais altas no mercado de luxo.
Marsocci vem trabalhando em uma nova estratégia para aprimorar o posicionamento das marcas e ampliar a presença do grupo nessas categorias.
O plano está sendo desenvolvido com o apoio do Boston Consulting Group e inclui uma revisão da própria estrutura da companhia.
Na frente criativa, a Armani contratou neste mês Dario Vitale para comandar a Emporio Armani e os acessórios Giorgio Armani.
Vitale ganhou projeção no mercado após participar do crescimento da Miu Miu, marca do grupo Prada que ampliou sua relevância principalmente entre consumidores mais jovens.
Na Armani, terá a missão de renovar a Emporio, responsável por quase um terço da receita anual do grupo, e dar à marca uma identidade mais clara, sem romper com os códigos construídos por Giorgio Armani ao longo de décadas.
As mudanças também chegaram à administração da companhia.
Marsocci, veterano da Armani, foi promovido a CEO um mês após a morte de Giorgio Armani.
O conselho de administração, até então presidido pelo estilista e formado em grande parte por familiares e pessoas próximas, também passou por uma reformulação.
Entre os novos nomes estão Marco Bizzarri, ex-chefe da Gucci, e Federico Marchetti, fundador da Yoox. Leo Dell’Orco, um dos executivos mais próximos de Armani durante décadas, assumiu a presidência do conselho.
A reorganização busca transformar uma companhia construída durante 50 anos em torno de seu fundador em uma estrutura capaz de preservar sua identidade e, ao mesmo tempo, encontrar novas avenidas de crescimento.
A venda dos primeiros 15% será um dos principais testes dessa transição. Mais do que definir quem entrará no capital da Armani, as negociações poderão determinar até que ponto uma das últimas grandes casas independentes do luxo europeu conseguirá preservar essa condição na era pós-Giorgio Armani.
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