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Acordo com a Paramount pode mudar Hollywood; entenda o que está em jogo

Publicado 28/09/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Paramount terá de ampliar os investimentos em produções nos Estados Unidos durante os cinco anos do acordo.
  • Os estúdios da Paramount em Los Angeles e da Warner Bros. em Burbank não poderão ser vendidos ou fechados.
  • A fusão pode gerar cortes de custos e cerca de 4.500 demissões na região de Los Angeles, segundo estimativa citada no acordo.
Acordo com a Paramount pode mudar Hollywood; entenda o que está em jogo

Foto: unsplash

Acordo com a Paramount pode mudar Hollywood; entenda o que está em jogo

O acordo entre a Paramount Skydance e o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, além de outros procuradores-gerais estaduais, eliminou o principal obstáculo para a fusão da empresa com a Warner Bros. Discovery. O entendimento ainda precisa da aprovação de um juiz e estabelece uma série de compromissos que podem afetar a indústria cinematográfica de Hollywood nos próximos cinco anos.

Um dos principais efeitos está relacionado à produção nos Estados Unidos. A empresa resultante da fusão deverá investir pelo menos US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,537 bilhão) adicionais por ano na produção doméstica. Ao longo do período de cinco anos, o valor chega a aproximadamente US$ 1,5 bilhão (R$ 7,69 bilhões).

Leia também: Paramount fecha acordo com estados americanos e avança em processo de aquisição da Warner Bros. Discovery

Segundo o Los Angeles Times, atualmente apenas cerca de 5% da produção global da Paramount acontece nos Estados Unidos. Por isso, as novas exigências podem representar uma ampliação significativa da atividade no país.

Paramount pode aumentar produção nos EUA

O valor destinado à produção pode crescer caso novas medidas de incentivo fiscal avancem nos Estados Unidos. Se o governo federal aprovar um incentivo fiscal para filmes e televisão, a Paramount deverá elevar sua produção doméstica para 20% nos dois primeiros anos do acordo e para 30% nos três anos seguintes.

A exigência poderá chegar a 40% se Califórnia ou Nova York aprovarem um crédito tributário sem limite que inclua despesas como mão de obra das equipes e salários de atores e diretores.

Existe um movimento bipartidário nos Estados Unidos para ampliar os incentivos federais ao setor, e o presidente Donald Trump já indicou apoio à iniciativa. Na Califórnia, porém, a criação de um benefício sem limite enfrenta mais dificuldades, depois do esforço realizado no ano passado para ampliar o limite anual e os critérios de elegibilidade.

Estúdios da Califórnia serão mantidos

O acordo também protege dois importantes complexos de produção. A empresa resultante da fusão não poderá vender ou fechar o estúdio da Paramount na Melrose Avenue, em Los Angeles, nem o complexo da Warner Bros. em Burbank. Os dois locais deverão continuar funcionando de maneira consistente com as práticas anteriores.

A proteção ocorre em um momento de dificuldades para a indústria audiovisual da região. Entre 14 e 20 de setembro de 2026, Los Angeles registrou 182 dias de filmagem autorizados, contra 233 na mesma semana de 2025. A redução foi de 22%.

Ainda assim, os investimentos previstos não significam que a Califórnia será a única beneficiada. Estados como Nova Jersey, Nova York e Texas também ampliaram suas estruturas de produção, enquanto a Califórnia perdeu participação de mercado.

Leia também: FCC aprova fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery

Paramount enfrenta risco de cortes de empregos

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Embora o acordo estabeleça novos investimentos, a integração das duas empresas pode provocar cortes de empregos. A Paramount informou a Wall Street que pretende reduzir custos em US$ 6 bilhões (R$ 30,76 bilhões).

Um relatório econômico recente do Condado de Los Angeles estimou que a fusão poderia resultar na perda de aproximadamente 4.500 empregos. Durante as negociações, a Paramount chegou a ameaçar deixar a Califórnia e transferir suas operações para o Texas ou Tennessee.

Após o acordo, porém, o CEO David Ellison afirmou que a empresa resultante da fusão terá sede em Los Angeles. Ele também declarou que a companhia pretende continuar ligada à indústria cinematográfica da cidade.

Sindicatos estão divididos

Os sindicatos de Hollywood adotaram posições diferentes diante do acordo. O Directors Guild of America e a International Alliance of Theatrical Stage Employees defenderam uma solução negociada, argumentando que o impasse aumentava a incerteza econômica do setor.

O Writers Guild of America, por outro lado, afirmou que continua considerando que a fusão poderá prejudicar os roteiristas e a indústria.

Mesmo assim, o WGA chegou a um acordo com a Paramount em seu processo. A empresa pagará US$ 17,5 milhões (R$ 89,72 milhões) ao fundo de saúde do sindicato e os honorários advocatícios. Também prometeu não demitir roteiristas da CBS News Broadcast durante cinco anos.

Acordo ainda depende de aprovação

Bonta afirmou que o acordo não representa apoio à fusão. Segundo ele, algumas pessoas poderiam preferir outro resultado, mas a negociação permitiu encerrar a disputa fora dos tribunais.

Leia também: Tom Cruise apoia acordo da Paramount para comprar a Warner Bros.

O procurador-geral também não conseguiu todas as mudanças estruturais que defendia inicialmente. Por outro lado, a implementação do acordo terá acompanhamento de um monitor independente.

Com isso, a fusão entra em uma nova etapa. A operação ainda depende da aprovação judicial, enquanto a Paramount terá de cumprir compromissos de investimento e produção durante cinco anos. Para Hollywood, o acordo combina a promessa de ampliar a produção nos Estados Unidos com a possibilidade de cortes de custos e perda de empregos após a integração das duas empresas.

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