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Quatro dicas para usar a IA no currículo e não cair na armadilha da ‘perfeição artificial’
Publicado 27/07/2026 • 05:00 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 27/07/2026 • 05:00 | Atualizado há 54 minutos
KEY POINTS
Especialista recomenda usar a IA para organizar a experiência, não para inflar competências
No Brasil, 39% dos profissionais já usam ou pretendem usar inteligência artificial para personalizar seus currículos, segundo dados do LinkedIn. Esse recurso cada vez mais comum, porém, vem provocando um efeito colateral que acende o alerta no mercado de trabalho, currículos perfeitos demais, que prometem mais do que a experiência real do candidato comporta.
Os sinais mais comuns são competências infladas, descrições genéricas e responsabilidades desalinhadas do histórico do profissional. Essas inconsistências costumam vir à tona na entrevista, um dos momentos mais críticos da seleção, comprometendo a credibilidade do candidato de forma imediata.
Segundo Bárbara Gonçalves, gerente de recrutamento e seleção do ManpowerGroup Brasil, a inteligência artificial é ótima para organizar e dar clareza a uma trajetória, mas trabalha com o que recebe. Para ela, se o profissional pede um currículo mais impressionante do que a realidade permite, leva à mesa do recrutador uma promessa difícil de sustentar.
Para ajudar os profissionais a usar a tecnologia de forma equilibrada, a especialista reuniu quatro orientações práticas.
Leia também: Oracle usa expertise no domínio de dados corporativos para virar o jogo da era dos agentes de IA empresariais
Ferramentas de inteligência artificial ajudam a estruturar informações, melhorar a redação e dar destaque a realizações. O cuidado, segundo a especialista, é não aceitar de forma automática sugestões do algoritmo que acrescentem responsabilidades, competências ou resultados fora da trajetória real do profissional. A ferramenta deve partir do que a pessoa efetivamente fez, e não preencher lacunas com suposições para tornar o histórico mais robusto.
Uma das maiores utilidades da tecnologia é adaptar o currículo às exigências de cada oportunidade, identificando termos da descrição da vaga para sugerir ajustes voltados aos sistemas de triagem automatizada. Segundo Bárbara, essa personalização deve ficar restrita às competências que o profissional de fato domina.
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Siga o Times | CNBCCitar metodologias como Scrum ou OKR sem conhecimento prático, ou registrar um idioma como fluente apenas para pontuar nos filtros, transforma uma vantagem na triagem em fragilidade nas etapas seguintes do processo seletivo.
Modelos gerados por inteligência artificial costumam recorrer a frases amplas e clichês, o que torna os currículos parecidos entre si. Para se destacar, o caminho é complementar o texto com dados, projetos e entregas palpáveis, como redução de custos, ganho de produtividade ou crescimento de vendas.
“A diferença está no detalhamento. Em vez de liderei a equipe de vendas, é possível registrar liderei equipe de oito pessoas e elevei a receita da região em 18% em um ano. Assim, fica clara a dimensão e o impacto na mesma frase”, destaca Bárbara.
Currículos bem elaborados que não correspondem à forma como o candidato se comporta nas etapas seguintes têm se tornado mais frequentes com a popularização da inteligência artificial. O descompasso fica evidente quando o vocabulário técnico do texto desaparece na conversa, quando o profissional não consegue detalhar um projeto que listou ou hesita ao explicar uma responsabilidade descrita.
A mesma exigência de coerência vale para o perfil no LinkedIn, que precisa contar a mesma história do currículo. Como regra prática, uma experiência que não pode ser explicada com segurança em uma entrevista provavelmente não deveria constar no documento.
No fim, segundo a especialista, a construção de um bom currículo depende menos da tecnologia e mais da honestidade da informação. “A IA pode deixar o currículo mais competitivo, mas a contratação continua baseada em confiança. O que mais pesa na avaliação é a coerência entre o que está escrito e o que o profissional realmente entrega”, conclui Bárbara.
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