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Fechamento do Estreito de Ormuz pode levar petróleo Brent a US$ 100, diz especialista
Publicado 28/02/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 28/02/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
O ataque militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguido pela resposta iraniana e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, elevou as preocupações sobre impactos no mercado global de petróleo, na segurança energética e na economia mundial.
A tensão ocorre em um momento considerado crítico para o comércio internacional de energia. A passagem marítima do Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo e também por parte significativa do transporte de gás natural liquefeito (GNL), essencial para países da Europa e da Ásia.
Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho iraniano, ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel atingiram 24 províncias do Irã, deixando ao menos 201 mortos e 747 feridos. Mais de 220 equipes de resgate atuam nas áreas afetadas.
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Para o economista e consultor financeiro André Mirsky, o principal fator que definirá os impactos econômicos será a duração do conflito.
Ele afirma que existem diferentes cenários possíveis. Em um cenário mais curto, com ataques limitados e objetivos militares específicos, o mercado poderia absorver o choque rapidamente.
Nesse caso, o fornecimento global de petróleo e gás não seria significativamente afetado, já que os mercados já começaram a precificar o risco e existem estoques disponíveis. Segundo Mirsky, o próprio governo iraniano teria deslocado parte de suas reservas para petroleiros fora do país para evitar interrupções imediatas no fornecimento.
Em um segundo cenário, porém, o conflito poderia se ampliar para outros países do Oriente Médio, provocando instabilidade prolongada na região. A abertura e o fechamento intermitente do Estreito de Ormuz aumentariam a volatilidade dos mercados.
“O mercado odeia instabilidade”, afirmou o economista. Segundo ele, nesse contexto o preço do petróleo tipo Brent poderia subir de cerca de US$ 72 por barril para aproximadamente US$ 80 no curto prazo, podendo chegar perto de US$ 100 caso o conflito se prolongue.
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Se a crise persistir, os efeitos podem se espalhar para a economia global. O aumento do preço do petróleo tende a pressionar o custo da energia, elevar a inflação e afetar políticas monetárias.
Nesse cenário, bancos centrais poderiam interromper ou adiar cortes nas taxas de juros, enquanto moedas consideradas mais seguras e ativos de proteção, como ouro e dólar, tendem a se valorizar.
O economista também aponta que investidores estrangeiros poderiam reduzir exposição a mercados emergentes, como o do Brasil, em busca de ativos considerados mais seguros.
Uma possível resposta para conter a disparada dos preços seria o aumento da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
No entanto, especialistas alertam que ampliar a produção não resolve necessariamente o problema se o petróleo não puder ser transportado.
Isso porque grande parte da exportação de petróleo da região depende justamente da passagem pelo Estreito de Ormuz, que possui cerca de 40 quilômetros de largura e está ao alcance de minas navais e mísseis.
Mesmo sem um bloqueio total, o simples aumento do risco na navegação pode elevar custos de transporte, seguros marítimos e fretes internacionais.
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Para Edgar Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o fechamento do Estreito de Ormuz representa uma ameaça direta à segurança energética global.
Segundo ele, embora existam estoques suficientes para evitar falta imediata de petróleo, um conflito prolongado poderia provocar efeitos mais duradouros.
“O mercado precifica a incerteza”, afirmou. “O nível de incerteza nesse momento é muito elevado.”
Ele lembra que países como a China ampliaram significativamente seus estoques estratégicos de petróleo nos últimos anos, o que pode ajudar o mundo a absorver interrupções temporárias no fornecimento.
Ainda assim, o maior risco seria um “efeito cascata”: uma escalada militar envolvendo outros países da região e, em seguida, impactos econômicos globais.
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Na avaliação do especialista, o conflito pode se prolongar, já que os objetivos estratégicos dos Estados Unidos incluem pressionar por mudanças no regime iraniano, algo que dificilmente seria aceito pelo governo de Teerã.
Nesse contexto, o Irã poderia tentar aumentar a pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados ampliando a instabilidade regional.
Caso o conflito se arraste, especialistas alertam que as consequências podem atingir não apenas o setor energético, mas também o crescimento econômico global.
Mesmo países distantes do Oriente Médio poderiam sofrer efeitos indiretos por meio da inflação, da volatilidade nos mercados financeiros e da desaceleração da atividade econômica mundial.
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