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Entrelinhas de Mercado: Turbi mira 500 pontos de retirada em SP e aposta em IA para aluguel de carros, diz CEO Daniel Prado
Publicado 21/07/2026 • 21:54 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 21/07/2026 • 21:54 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
A Turbi quer praticamente dobrar a rede de pontos de retirada em São Paulo e usar inteligência artificial para ampliar a eficiência no aluguel de veículos, afirmou Daniel Prado, CEO e cofundador da empresa.
Em entrevista ao Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Prado disse que a companhia tem hoje cerca de 300 pontos de retirada na capital paulista e pretende encerrar o ano com quase 500.
“A nossa meta em São Paulo é ter um carro da Turbi a menos de 500 metros de qualquer pessoa na região metropolitana de São Paulo”, afirmou.
Fundada em 2016, a Turbi atua como locadora de veículos com jornada 100% digital. O cliente pode alugar por hora, por diária ou fazer assinatura, além de combinar os diferentes modelos de uso.
Segundo Prado, a principal inovação da Turbi no início era permitir que o cliente destravasse o carro pelo aplicativo. Hoje, essa tecnologia deixou de ser o maior diferencial e deu lugar à capilaridade.
“No passado, o principal diferencial era conseguir abrir o carro pelo app. Hoje eu diria que o nosso principal diferencial é capilaridade”, afirmou.
Para o executivo, a proximidade entre o veículo e o cliente reduz a fricção do aluguel tradicional, que exige deslocamento até uma loja, espera e devolução em horários específicos.
Na Turbi, os pontos funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Segundo Prado, o cliente também paga apenas pelo período utilizado.
“Alugou três diárias, teve um imprevisto e ficou três diárias e meia, você não vai pagar quatro diárias”, disse.
Leia também: Entrelinhas de Mercado: CI&T aposta em inteligência artificial como apostou na internet há 30 anos
Prado afirmou que a tese da empresa continua baseada na ideia de que o uso do carro tende a ganhar espaço sobre a posse, especialmente em grandes cidades.
“Ter um carro em São Paulo é ineficiente. Noventa por cento do tempo o carro está parado”, afirmou.
Segundo ele, custos como IPVA, seguro, estacionamento, manutenção e juros altos tornam a posse de um veículo cada vez menos racional para parte dos consumidores.
O executivo também disse que a Turbi tem avançado em regiões mais periféricas de São Paulo, onde há carência de mobilidade e o custo de deslocamento por aplicativos pode ser alto.
“Um cliente que mora mais distante da região central, para pegar um Uber e vir até o Itaim ou o Centro, pode gastar R$ 100 para ir e voltar. Se pegar uma Turbi por duas horas, pode pagar R$ 30 ou R$ 40”, afirmou.
A Turbi tem cerca de 320 funcionários, e aproximadamente 25% da equipe atua em tecnologia, segundo Prado.
A empresa já usa inteligência artificial no atendimento ao cliente, em chatbot, no primeiro contato com interessados em veículos seminovos e em processos internos de operação.
Uma das aplicações proprietárias é a identificação de danos nos carros. O cliente tira fotos ao retirar e devolver o veículo, e a IA compara as imagens para identificar eventuais avarias.
“Antes eu tinha um time de pessoas que analisava manualmente cada uma dessas fotos. São 40 mil, 50 mil fotos por semana”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCA companhia também usa IA para definir quando um carro precisa ser lavado, com base no padrão de uso.
Segundo Prado, o objetivo é reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do cliente.
Outra frente de desenvolvimento é a precificação personalizada de seguro e caução com base em dados de telemetria.
Prado disse que a Turbi coleta dados dos veículos desde 2017 e recebe informações a cada 15 a 30 segundos.
Com esses dados, a empresa busca diferenciar usuários de menor e maior risco.
“Eu consigo ajustar o preço do seguro ou da caução baseado no perfil de uso daquele cliente”, afirmou. “Eu beneficio o usuário que cuida do carro e dirige bem e cobro uma caução maior daquele usuário que tem maior probabilidade de sinistro.”
A empresa também prepara uma interface de gamificação e programa de fidelidade para transformar bom comportamento de uso em pontuação, cashback ou benefícios.
Prado afirmou que os robotáxis são inevitáveis, embora a chegada ao Brasil ainda dependa mais de regulação do que de tecnologia.
“Não sei se vai demorar três, cinco ou dez anos, mas mais de dez anos não vai demorar”, disse.
O executivo afirmou que a Turbi vê o avanço dos veículos autônomos como uma oportunidade. Para ele, o mercado terá dois pilares: a tecnologia de direção autônoma e a gestão do ativo.
“A Turbi é especialista em gerir o ativo”, afirmou.
Segundo Prado, a companhia quer ser parceira de empresas estrangeiras que pretendam desenvolver veículos autônomos no Brasil, oferecendo conhecimento em compra, manutenção, lavagem, desmobilização e dados de uso nas cidades.
Leia também: Entrelinhas de Mercado: Fundador da Stefanini diz que IA ainda não mudou o ponteiro das empresas
A Turbi acaba de fazer sua primeira compra de carros chineses, disse Prado.
Hoje, segundo ele, esses veículos ainda representam 0% da frota da empresa, mas devem atingir entre 15% e 20% nos próximos 12 meses.
“Carro chinês é uma realidade. Não acho que os carros chineses vão dominar completamente o mercado brasileiro, mas tendem a crescer em market share”, afirmou.
Para Prado, a chegada de novas montadoras chinesas ao Brasil aumenta a concorrência e amplia alternativas para locadoras.
“Vamos ser um pouco chineses no futuro, sem dúvida nenhuma”, concluiu.
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