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EXCLUSIVO: MSP Estúdios cresce 15% em 2026 e projeta expansão de 60% em três anos

Publicado 11/10/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A MSP Estúdios reúne cerca de 8 mil produtos licenciados, distribuídos em 14 categorias e produzidos por 270 parceiros; o ecossistema cresceu 15% em 2026.
  • Os contratos duram em média dois anos, com garantia mínima de 75% a 80% do faturamento estimado, royalties por categoria e verba de marketing.
  • Cristina Leme, diretora de licenciamento da MSP Estúdios, afirma que a expansão internacional ainda é “extremamente embrionária” e que a prioridade é consolidar o conteúdo audiovisual antes de um plano para produtos licenciados.

Montagem

A MSP Estúdios, empresa de Maurício de Souza, reúne cerca de 8 mil produtos licenciados no Brasil, distribuídos em 14 categorias e produzidos por uma rede de 270 parceiros. Com esse portfólio, o ecossistema da companhia cresceu 15% em 2026, na comparação com 2025, e projeta avançar 60% nos próximos três anos.

Os números foram apresentados por Cristina Leme, diretora de licenciamento da MSP Estúdios, em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. A executiva ressalva que os índices se referem ao ecossistema da empresa como um todo, e não apenas à área de licenciamento.

A seleção de parceiros começa pelo mapeamento das lacunas do portfólio: quais categorias já estão cobertas e quais ainda precisam de produtos. Entre os segmentos atendidos estão confecção, acessórios, calçados, brinquedos, papelaria, alimentos, higiene pessoal, experiências ao vivo e publicações.

Cada gerente de produto identifica os principais fabricantes de sua categoria. A análise considera saúde financeira, qualidade, capacidade de desenvolver produtos e alcance da distribuição, seja regional ou nacional. A preferência é pelos líderes de cada segmento.

“Se por algum motivo a gente não fecha uma negociação com esses líderes, a gente busca pares, competidores desses líderes”.

Como funcionam os contratos de licenciamento

MSP Estúdios

Os contratos partem de uma estimativa do faturamento anual que o parceiro deverá obter com os produtos licenciados. Sobre esse valor incide um percentual de royalties, que varia de acordo com a categoria.

Confecção, brinquedos e papelaria têm percentuais mais altos, enquanto alimentos e determinadas linhas de higiene pessoal, como fraldas, seguem condições diferenciadas.

A partir da estimativa de receita, a MSP estabelece uma garantia mínima, valor que o licenciado se compromete a pagar durante o período contratual. Como o primeiro ano costuma ser menos previsível, a empresa não utiliza necessariamente 100% do faturamento projetado como base de cálculo.

“A gente costuma trabalhar numa base de 75%, 80% dessa estimativa, e isso é o que vai no contrato como garantia mínima”.

O pagamento da garantia mínima pode ser mensal, trimestral ou semestral. Os licenciados, por sua vez, reportam os royalties mensalmente. Se as vendas superarem a projeção, o valor pago aumenta proporcionalmente.

Ao final do contrato, é feito um encontro de contas para verificar se a garantia mínima foi atingida. Os acordos também incluem uma parcela destinada a investimentos em marketing.

O prazo médio dos contratos é de dois anos, com renovação automática quando a parceria apresenta bons resultados. Há exceções, como a fabricante de fraldas Softis, que mantém um relacionamento mais longo com a empresa.

Com passagens de 14 anos pela diretoria de licenciamento da Disney e de dez anos pela Universal Studios, Cristina afirma que os modelos contratuais das grandes empresas do setor são semelhantes.

“Entre as empresas, é um copia e cola”, diz. Segundo ela, garantias mínimas, royalties, verbas de marketing, quantidade de amostras e processos de aprovação de produtos seguem estruturas parecidas, assim como as taxas aplicadas às categorias.

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Licenciamento como estratégia de diferenciação

Para Cristina, o licenciamento atende a duas necessidades das indústrias: ampliar o acesso ao varejo e diferenciar produtos em mercados concorridos.

O primeiro desafio é o cadastro de novos itens nas redes varejistas. Cada produto exige um código EAN, o que pode dificultar a entrada de novidades nas prateleiras.

O licenciamento oferece uma alternativa ao associar um produto a personagens conhecidos. “Quando você entra com o licenciamento, como no caso de uma goiabada, ela não é a goiabada da marca X, mas a goiabada do Chico Bento ou da Turma da Mônica”, afirma.

O segundo objetivo é evitar que o produto seja percebido como mais uma opção genérica. “Você sair do genérico, sair da vala comum”.

De acordo com a executiva, o varejo aceita, em média, um acréscimo de 20% a 25% no preço de produtos licenciados em relação aos genéricos. Parte dos parceiros, porém, ultrapassa essa faixa.

“Fica caracterizado que o produto licenciado é um produto muito mais caro, e na verdade ele não precisaria ser”.

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A MSP acompanha o preço de custo, o valor de venda ao varejista e o preço final ao consumidor. A empresa cita multiplicadores de três vezes para brinquedos e de duas vezes para confecção.

Quando identifica preços acima do que considera razoável, a companhia conversa com o parceiro e defende estratégias de aumento de volume, ampliação da distribuição e maior presença dos produtos no mercado.

“Você pode acabar queimando as duas marcas”, alerta Cristina, ao se referir ao risco de preços excessivos prejudicarem tanto a marca licenciada quanto a do fabricante.

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Investimento e risco na escolha das propriedades

O licenciado assume os custos de desenvolvimento, produção, estoque, força de vendas e marketing, além da responsabilidade financeira pela operação. Por isso, a escolha da propriedade intelectual é um fator central para reduzir riscos.

Cristina cita o cenário de empresas brasileiras em recuperação judicial para destacar a importância de selecionar personagens com potencial de permanência no mercado. Na avaliação dela, a quantidade de licenças disponíveis e o oportunismo em torno de algumas propriedades tornam a decisão mais complexa.

O risco é especialmente relevante em categorias que exigem moldes específicos para a fabricação de produtos. “Um molde, um tooling, é caríssimo. Você paga às vezes 300, 400 mil reais para fazer uma cabeça de um personagem, de um boneco”.

Nesse contexto, contratos de maior duração ajudam a distribuir o investimento ao longo do tempo. “Senão o seu investimento acaba não diluindo e isso vira um prejuízo”, diz.

A executiva considera que propriedades duradouras, conhecidas no setor como evergreen, oferecem maior previsibilidade para a indústria e o varejo. Ela cita Disney, Warner, Mattel, Nickelodeon e a própria MSP como exemplos de marcas com expectativa de continuidade.

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Conexão brasileira como diferencial

Cristina aponta três fatores que, em sua avaliação, diferenciam a MSP das grandes licenciadoras globais: a consistência na construção das marcas, a preservação das características originais dos personagens e a conexão emocional com o público brasileiro.

“As nossas marcas, os nossos personagens, eles têm zero de rejeição”, afirma.

A diretora compara a Turma da Mônica ao Mickey, personagem da Disney. Para ela, embora o Mickey seja conhecido internacionalmente, os personagens brasileiros têm uma relação mais próxima com a experiência cotidiana do público local.

“Ele é incontestável, é conhecido no mundo inteiro, mas não é brasileiro, não tem uma conexão tão forte de vida, de experiência e de turma”, diz.

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Internacionalização ainda está em estágio inicial

A expansão internacional da MSP está nos planos da empresa, mas ainda não entrou em execução. “Está extremamente embrionário”, afirma Cristina.

No passado, a companhia teve uma parceria com o Japão, relacionada à proximidade de Maurício de Souza com o país. Segundo a executiva, a gestão anterior não deu continuidade à iniciativa, e a atual administração não pretende renovar alguns desses contratos.

Para Cristina, a expansão exige mais do que colocar produtos no mercado. “Licenciamento não é jogar o produto no mercado e simplesmente deixar acontecer”, afirma.

A prioridade é avaliar, com os parceiros de streaming, a presença do conteúdo audiovisual da MSP nos mercados internacionais. As produções já foram gravadas em inglês e espanhol, e a América Latina aparece como primeira frente de expansão, pela proximidade com o Brasil.

Estados Unidos e Portugal também estão entre os mercados considerados, especialmente pela presença de brasileiros nesses países.

“Primeiro a gente tem que fazer um trabalho muito grande de sedimentação do conteúdo audiovisual, para que, uma vez que a gente consiga números expressivos, aí sim a gente faça um business plan para entrar com os produtos licenciados”, conclui.

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