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MRV desiste da Resia após rombo bilionário nos Estados Unidos e vê seu valor de mercado despencar
Publicado 14/08/2026 • 11:38 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 14/08/2026 • 11:38 | Atualizado há 37 minutos
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MRV
A MRV apostou nos Estados Unidos com a promessa de um negócio bilionário e voltou de mãos vazias. Sete anos depois de comprar a Resia, a construtora decidiu fechar a subsidiária americana e admitir a fatura de uma aposta que nunca decolou.
Na noite de quarta-feira (12), a MRV&CO, conglomerado que reúne MRV, Urba, Luggo e Resia, divulgou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,6 milhões no segundo trimestre. Quase todo o rombo saiu de um único endereço, a operação nos Estados Unidos.
Sozinha, a Resia fechou o trimestre com prejuízo de R$ 647,3 milhões. O resultado apagou o lucro gerado pelo negócio brasileiro e devolveu o grupo ao vermelho.
O rombo escancara o preço da aposta que a MRV fez ao internacionalizar as operações em 2019. O lucro prometido aos acionistas nunca apareceu. Em vez disso, a conta foi parar no vermelho, em dólar.
Ao longo dos últimos meses, a ação despencou mais de 51%. Antes da Resia, a MRV chegava a valer R$ 9 bilhões na Bolsa, em 2019. Hoje, o valor de mercado do grupo soma R$ 2,7 bilhões.

Criada em 2012, na Flórida, sob o nome American Housing Solutions, a Resia nasceu por iniciativa de um grupo de empresários liderado por Rubens Menin, fundador e acionista de referência da MRV. Em 2019, a construtora comprou o negócio e assumiu o compromisso de investir cerca de US$ 230 milhões na operação.
O plano inicial previa ampliar a produção anual de 700 para até 24 mil apartamentos ao longo de dez anos, com projetos espalhados pela Flórida, Geórgia, Texas e outros estados americanos. Em conversa com investidores antes da compra, Rubens Menin classificou o negócio como uma “chance de ouro”, apostando nos ganhos de escala do mercado americano de locação.
Em 2022, a MRV&CO chegou a contratar o BTG Pactual e o Bank of America para buscar sócios e financiar a expansão da Resia. O processo parou meses depois. A inflação e os juros nos Estados Unidos começaram a subir, e o apetite dos investidores por esse tipo de negócio minguou.
Sem sócios, a Resia passou a bancar os próprios projetos com dívida, apostando na venda futura dos empreendimentos ainda em obras. Em 2023, o grupo abriu uma fábrica própria de pré-moldados, com banheiros, cozinhas e lavanderias prontos para instalação nos canteiros.
Depois, os problemas se acumularam. A inflação e os juros nos Estados Unidos seguiram altos, e a Resia errou a mão em vários projetos. Em alguns casos, a empresa demorou para encontrar inquilinos, porque os prédios foram erguidos em regiões com oferta de moradia acima da demanda. O aluguel ficou abaixo do previsto, assim como o preço final de venda, que também demorou mais para sair.
Com isso, a dívida da Resia cresceu até chegar a US$ 745 milhões no fim de 2024, o equivalente a cerca de R$ 4 bilhões. O valor levou o grupo a rever toda a operação nos Estados Unidos.
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Siga o Times | CNBCEm 2025, a MRV&CO reduziu os lançamentos, acelerou a venda dos empreendimentos e se desfez de mais da metade do estoque de terrenos nos Estados Unidos. Mesmo assim, o mercado americano manteve pouco apetite de investidores para esse tipo de ativo.
Ainda em 2025, o grupo comandado pela família Menin começou a liquidar ativos para gerar caixa e enfrentar a dívida. Havia esperança de retomar os investimentos na Resia no futuro. Neste ano, porém, veio a decisão de fechar as portas de vez.
No ano passado, a Resia registrou perda contábil de US$ 144 milhões com a venda de ativos abaixo do valor patrimonial. Neste trimestre, o grupo reportou outro impairment, agora de US$ 110 milhões. Somadas, as duas perdas giram entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão.
“Priorizamos caixa em relação ao valor do ativo”, explicou o copresidente da MRV&CO, Rafael Menin, em teleconferência com investidores e analistas na quinta-feira (13). “Deixamos dinheiro na mesa, mas teremos geração de caixa”, completou o executivo.
Só neste ano, as vendas de ativos da Resia somaram US$ 401 milhões. O valor deve se traduzir em cerca de R$ 1,5 bilhão para o caixa da MRV&CO, descontadas as despesas da operação. Com isso, a dívida líquida do grupo deve cair de R$ 5,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões.
“Vendemos em condições de mercado piores do que o imaginado. Não conseguimos recuperar valores com juros e despesas de projetos”, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da MRV&CO, Ricardo Paixão. “O racional aqui é ser bastante pragmático, optando por desalavancar mais rápido”, completou.
Pela frente, a Resia ainda tem ativos avaliados em US$ 370 milhões no balanço. Entram nessa conta o último empreendimento próprio, o Golden Glades, em Miami, além de terrenos, participações e a fábrica de pré-moldados. As vendas devem se estender até 2028.
No dia 6 de agosto, uma quinta-feira, a Resia fechou contratos para vender seu último projeto legado, o Memorial, em Atlanta, além de cinco terrenos, por US$ 170 milhões. A operação reduz o endividamento em US$ 141 milhões e gera outro impairment de US$ 61 milhões no trimestre.
“Continuamos na linha de buscar uma forte venda de ativos para reduzir o impacto no balanço, até chegar num ponto em que a operação Resia será descontinuada”, acrescentou Paixão. Alguns ativos podem sair abaixo do valor patrimonial, enquanto outros ainda devem gerar lucro, segundo a direção da empresa.
Enquanto a operação americana acumula perdas, a divisão brasileira segue como principal fonte de resultado da MRV&CO. A MRV, focada em moradia popular dentro do Minha Casa Minha Vida, teve lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
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