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Inteligência Artificial não vai parar, mas é preciso controlar “ansiedade”, recomenda CISO de Volkswagen e Audi América do Sul

Publicado 12/05/2026 • 13:49 | Atualizado há 5 horas

KEY POINTS

  • O alerta foi um dos pontos discutidos por lideranças de tecnologia e segurança da informação de grande empresas durante a terceira edição do The Tech Summit em São Paulo.
  • Júlio Padilha, CISO da Volkswagen e Audi América do Sul, recomendou "controlar a ansiedade" na hora de tentar acompanhar o ritmo.
  • O alerta do executivo da Volkswagen e da Audi na América do Sul é para que a IA não seja vista como a solução de todos os problemas.

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Júlio Padilha, CISO da Volkswagen e Audi América do Sul, recomendou "controlar a ansiedade"

A constatação é consenso: a Inteligência Artificial veio para ficar e fazer parte da rotina de empresas. Mas a corrida para integrar as soluções possíveis aos negócios não pode ofuscar a necessidade de cautela em relação a custos e segurança. O alerta foi um dos pontos discutidos por lideranças de tecnologia e segurança da informação de grande empresas durante a terceira edição do The Tech Summit em São Paulo, nesta segunda-feira (11/5). 

Júlio Padilha, CISO (executivo de segurança da informação) da Volkswagen e Audi América do Sul, recomendou “controlar a ansiedade” na hora de tentar acompanhar o ritmo de evolução da Inteligência Artificial e a adoção dela nas empresas. “Controle da ansiedade por meio da governança. Explicar e letrar as pessoas, principalmente as áreas de negócio do que a IA é capaz e do que nós somos capazes de adoção de IA porque há um limite pouco palpável de certa forma porque o investimento em IA é muito grande, é muito massivo”, explicou Padilha.

“Empresas estão investindo muito dinheiro em IA sem ter esse retorno de investimento ainda. Então, existe uma aposta muito grande sobre as soluções de IA, sobre todo o investimento que é feito em IA e que aquele investimento vai ter um retorno financeiro futuro, o que nem sempre vai ser verdade”.

O alerta do executivo da Volkswagen e da Audi na América do Sul é para que a IA não seja vista como a solução de todos os problemas sem avaliar quais as reais necessidades do negócio e como ela pode responder essas necessidades. “Algumas empresas mais disruptivas que tentaram usar massivamente a IA estão perdendo dinheiro porque o investimento é alto e, principalmente, a capacitação da segurança para IA é um investimento muito alto”, lembrou Padilha.

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“Recentemente em Silicon Valley, foi dito que a IA já está se tornando quase que equitativa no valor investido quanto ao valor demandado para retorno financeiro. Ou seja: a conta está zerando. Não estão ganhando, mas não estão perdendo.”

Além da cautela nos investimentos, o desenvolvimento de habilidades e a integração de funcionários à nova tecnologia foram outras das preocupações colocadas em debate. Francini Cristelo, CIO da PepsiCo, considerou que o upskilling, ou seja, a qualificação que precisa ser feita está muito relacionada à cultura também. “Dar essa habilidade às pessoas de entender o que está por trás dessa ferramenta, entender como usar, como melhor aproveitar”, detalhou.

“A IA tem um potencial muito grande de transformação e de amplificação do escopo das pessoas. Elas entenderem como a IA vai amplificar aquele trabalho muitas vezes não está relacionado à tecnologia. Então, hoje na PepsiCo a gente tem uma IA, todo um motor de Inteligência Artificial, que consegue combinar diversas variáveis para ajudar o nosso vendedor”. 

“Aqui a gente está falando mais de uma IA transformando o papel de uma função e amplificando muito esse alcance”, resumiu Francini. “Hoje, a gente tem os pontos de venda e os vendedores que mais adotam essas ferramentas, eles crescem mais que o dobro do que pontos de venda e vendedores que não adotam essa ferramenta. Então, essa combinação muito forte mesmo, nem só IA, nem só humano. Acho que aqui essa combinação das coisas, quando elas acontecem, elas têm um potencial maior. Quando a gente fala do dobro de crescimento é algo bem significativo”.

Na Danone, outra gigante do ramo de alimentos, a preocupação foi entender as realidades dos funcionários e promover o desenvolvimento de capacidades dentro da realidade de atuação de cada um deles, mas divididos em grupos.

“O que nós estamos fazendo é: um treinamento progressivo. Ou seja: pessoas que talvez tenham um acesso mais básico, elas vão ter um treinamento mais básico do dia a dia para não trazer aquele caos. Porque, imagina, você é um funcionário que não lida tanto com a AI e você acaba tendo acesso a um desenvolvimento muito avançado. Então, isso não vai criar um grande engajamento”, contou Leonardo Sotocorno, CIO (executivo de inteligência) da Danone no Brasil.

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Outro ponto destacado por Sotocorno é a segurança, tanto para usar a ferramenta como também para o tratamento de informações importantes para a empresa. A chave para isso, segundo ele, é a governança. Não tão pouca para que impeça o desenvolvimento, mas também não tanta para que se torne uma trava.

O que a gente está tentando é: como a gente atinge o meio do caminho. Ao invés de dar a liberdade para que todo mundo saia fazendo o que quiser, quais são os trilhos que a gente quer seguir? Quais são os valores que a empresa quer tirar da IA? Então, a gente tenta seguir esse trilho com esses guidelines, com esses guardrails. Com isso a gente tenta trazer de fato o que vai trazer de valor para a empresa sem uma amarra muito forte, e ao mesmo tempo não deixar tão solto que possa correr riscos”.

Rafael Narezzi, chairman do The Tech Summit e especialista em cibersegurança internacional, reforçou a importância de fazer mais com menos apoiado nas soluções que a IA oferece. “Hoje, a dinâmica da AI trouxe aceleração para todo o negócio. Então, é necessário que hoje os executivos estejam preparados para fazer o que eles faziam antes melhor, mais rápido, mais eficiente com a ajuda da AI. Aliás, seguindo o modelo internacional do Gartner, se fala que hoje a tecnologia tem que se fazer mais com menos usufruindo mais do poder auxiliar da AI”, destacou. “Porém, toda aceleração requer um breque. Sem breque, a gente pode ter problemas”, alertou Narezzi. 

“A governança é algo que hoje é crítico para as empresas. Elas querem inovar, transformar, usar a AI, porém a que custo?”, pontuou. “Há um risco e uma reward. Quanto que eu vou investir, quanto que eu vou dedicar e colocar a AI dentro do meu campo, dentro da minha receita que só eu sei para que ela conheça tudo? Sim, a aceleração do desenvolvimento é grande, as pessoas estão usando mais a AI para acelerar, porém ela traz riscos, como hoje a gente já tem o risco do ser humano treinar a AI errado. É o nosso DNA. Nós não somos perfeitos. Então, quando você treina um AI, as falhas humanas são transferidas para a AI. Ela não é uma bala de prata com que tudo vai se resolver.”

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